Apresentação dos vinhos da Quinta dos Termos – Beira Interior

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Na última terça-feira, dia 28 de janeiro, Breno Raigorodsky em parceria com Leandro Chicarelli, promoveram um almoço-degustação na Vinheria Percussi (serviço do vinho supervisionado serenamente por Jonas, um dos melhores profissionais da cidade) para apresentação da Quinta dos Termos, que produz vinhos na região das Beiras Interior, ao Sul da Serra da Estrela, Portugal.

Leandro Chicarelli e Breno Raigorodski

Leandro Chicarelli e Breno Raigorodsky

Sobre a Beira Interior
A Quinta dos Termos está situada no centro de Portugal, nas fraldas da encosta Sul da Serra da Estrela – montanha mais alta de Portugal Continental com 2.000 metros de altitude – assim resguardada dos ventos frios do Norte e ensolarada pela sua exposição Sul, que lhe permite atingir no verão temperaturas superiores a 50°C, o que conduz as uvas a um grau de maturação superior, originando vinhos complexos, aromáticos e de boa consistência. Essa região produz vinhos desde tempos ancestrais, sendo várias vezes referenciada na história de Portugal e protagonista de lendas pelos seus bons vinhos.
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Sobre a Quinta dos Termos
No ano de 1945 é adquirida por Alexandre Carvalho a quarta gleba de um prédio correspondente a um talhão no sítio dos Termos ou Vilela, posteriormente denominado por Quinta dos Termos. Um espaço composto por terras de cultivo de centeio, vinhas e casas de quinteiro, situada em Carvalhal Formoso, perto de Belmonte, numa zona agreste de solos graníticos pobres, de exposição Sul, com condições excepcionais para o cultivo da vinha. Atualmente, a Quinta dos Termos possui 54 hectares de vinhedos das variedades Alfrocheiro Preto, Baga, Jaen, Marufo, Petit Verdot, Sangiovese, Syrah, Tinta Roriz, Tinto Cão, Trincadeira Preta e Vinhão. Na ala das brancas são cultivadas Fonte Cal, Síria e Riesling. 

Portugal

Sobre a Adega da Quinta dos Termos
Construída em 2002, com materiais característicos da região, onde predomina o granito, encontra-se equipada com modernos equipamentos, procedendo-se ali a uma vinificação natural, com o uso diminuto de produtos químicos devido à higiene total ali existente. A produção do vinho encontra-se certificada pelo regime da Produção Integrada.  Sua capacidade de produção pode atingir  as 800.000 garrafas-ano. A Adega dispõe ainda de um moderno laboratório onde é efetuado o controle físico-químico, desde as uvas ao mosto até ao vinho, sala de provas e instalações sociais.
O vinho de entrada já agradou....vai custar no máximo R$ 40, blend de diversas variedades autóctones da região das Beiras - Portugal

O vinho de entrada já agradou….vai custar no máximo R$ 40, blend de diversas variedades autóctones da região das Beiras – Portugal

A seguir a descrição e avaliação dos vinhos degustados:
Quinta dos Termos “Forja do Ferreiro” DOC Beiras 2010 – Álcool: 13% – Variedades: Rufete, Jaen, Marufo, Touriga Nacional e Trincadeira – preço máximo ao consumidor: R$ 40 – vermelho-rubi com reflexo violáceo. Pouco intenso aromaticamente com um toque tostado sobre uma notinha herbácea. Na boca, um vinho macio, boa acidez, média concentração de sabor num corpo delgado, seco, sem aspereza, de persistência média-curta, sem amargor. Avaliação: 86/100 pts. 
O segundo vinho também é um DOC Beiras..

O segundo vinho também é um DOC Beiras..

Quinta dos Termos DOC Beiras 2010 – Álcool: 13% – Variedades: Touriga Nacional, Trincadeira, Jaen e Tinta Roriz – preço máximo ao consumidor: R$ 80 – vinho elaborado com uvas próprias da Quinta dos Termos, exibiu na taça cor mais intensa do que o anterior, com alguma profundidade. Frutas vermelhas e negras revezam-se entre si nos aromas complexos e convidativos. Na boca, um vinho de taninos macios, boa acidez, média concentração de sabor num corpo empolgante, seco, com ligeira rugosidade ao final, para marcar sua tipicidade. Sua boa acidez o habilita para mesa. Avaliação: 87/100 pts.  
Aqui temos o melhor vinho da degustação - um delicioso e frutado vinho da variedade autóctone Rufete

Aqui temos o melhor vinho da degustação – um delicioso e frutado vinho da variedade autóctone Rufete

Quinta dos Termos “Talhão da Serra” Reserva 2009 DOC Beiras – Álcool: 13% – Variedade: Rufete – preço máximo ao consumidor: R$ 120 – vinho elaborado com uvas próprias da Quinta dos Termos, exibiu na taça cor violácea  brilhante sem muita profundidade. No olfato exibiu uma paleta aromática complexa e sofisticada com a fruta assumindo o papel de protagonista e a madeira coadjuvando, como deve ser. Fruta copiosa, sugestões de frutas vermelhas (morango e  cereja principalmente), secundadas por especiarias (cravo-da-índia), coco (provavelmente da barrica francesa “Allier” – tosta fina utilizada no amadurecimento do vinho) e algum vegetal. Na boca, um vinho levemente tânico (ótima qualidade), acidez pungente, ótima concentração de sabor num corpo vibrante, salivante, aveludado, sobretudo hedonista, com a confirmação de toda a fruta sinalizada no nariz. A madeira está integrada à fruta. Avaliação: 90/100 pts.  

Quinta dos Termos DOC Beiras - apesar de não constar o rótulo, é um monovarietal de Syrah

Quinta dos Termos DOC Beiras – apesar de não constar o rótulo, é um monovarietal de Syrah

Quinta dos Termos “Reserva do Patrão” DOC Beiras 2009 – Álcool: 14% – Variedade: Syrah – preço máximo ao consumidor: R$ 120 – vinho elaborado com uvas próprias da Quinta dos Termos, exibiu na taça cor intensa, brilhante com alguma profundidade. Frutas vermelhas, groselha e ligeiras notas lácticas. Na boca, um vinho de taninos macios, boa acidez, média concentração de sabor num corpo médio para bom, discretíssimo dulçor, sem adstringência, faltando somente os toques picantes da Syrah para lhe conferir um pouco mais de personalidade. Avaliação: 88/100 pts. 
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Conclusão
Os vinhos da Quinta dos Termos agradaram. São bem efeitos desde a linha mais simples até o delicioso varietal da casta autóctone portuguesa “Rufete”. Aliás, de longe o melhor vinho degustado foi esse, eis que elaborado com uma variedade que somente os críticos e especialistas conhecem. Ela também conhecida por Tinta Pinheira,  essencialmente cultivada nas regiões do Douro e do Dão, sobretudo nas sub-regiões de Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo e Cova da Beira. É uma casta produtiva e os seus cachos e bagos são de tamanho médio. É particularmente sensível ao oídio e ao míldio. Esta casta raramente produz vinhos de elevada qualidade, no entanto, se atingir o tempo de maturação ideal (sensivelmente no fim de Outubro) consegue produzir vinhos encorpados, aromáticos e capazes de permanecer muitos anos em garrafa. A casta Rufete só produz bons vinhos em microclimas específicos, como por exemplo o de Pinhel, por isso é utilizada, a maioria das vezes, na produção de vinhos de lote. Fonte: http://www.infovini.com.   Feita essa pequena digressão, os demais tintos também tem grandes possibilidades de conquistar o público, eis que não serão comercializados por preços abusivos. Melhor dizendo: são vinhos detentores de inegável relação preço-qualidade, sobretudo fáceis de beber, sem arestas. Para quem deseja vinhos diferentes, descomplicados, fáceis de gostar, elaborados com variedades pouco comuns nessas bandas, a escolha poderá recair, com toda segurança, sobre os vinhos importados pelo intrépido Breno Raigorodsky com apoio do experiente Leandro Chicarelli. Contato: brenoraigo@gmail.com
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