Viva a bagunça no vinho!

Por Breno Raigorodsky

 

Carménère

Carménère

 Quando você acha finalmente que pode sentar em sua poltrona predileta e dizer para si mesmo “pronto, eu sei tudo sobre vinho” publicam uma informação nova na internet sobre uma nova uva que estava quase extinta e que acabam de resgatar, como foi o caso mais famoso da Carménère bordolesa que apareceu com tudo no Chile depois de ter sido dada como extinta por quase um século.

Quando parece que a enciclopédia das vinificações está digerida e catalogada em sua mente,  vem a público alguém que pesquisava há anos sobre um Morgon vulcânico feito pelo método tradicional e não pela maceração carbônica que caracterizava todos os Beaujolais da sua vida, até então.

beaujolais-map

Dá desespero reconhecer que a reciclagem do conhecimento e das degustações é uma exigência indispensável para um mercado tão dinâmico assim, com tantas nuances e que a acomodação é impensável para quem pretende frequentar o olimpo dos conhecedores do vinho.

Você chega a Siena com a certeza de que lá seu aprofundamento sobre Brunello e Chianti Classico vai se aprofundar e descobre vinhos que bagunçam muito mais do que arrumam suas certezas, como é o caso dos fantásticos Morelino di Scansano, os Val D’Orcia e outros tantos.

Val D'Orcia

Val D’Orcia

Pois você foi à Toscana, instado a conhecer melhor as variedades da Sangiovese em toda a sua extensão e forçoso foi surpreender-se – apesar de ter viajado com instintos conservadores – ao gostar mais daquele Syrah IGT, do que toda a produção dos vinhos feitos com as uvas autóctones daquele lugar.

E, terror dos terrores, descobre que o melhor Chardonnay que você já tomou na vida fora da Borgonha vem de lá, da terra da Malvasia e dos Sangiovese!

Falando sério? Descobre cabisbaixo que tudo o que você sabe, está se desmanchando na sua frente, escapando pelos seus dedos, mumificando, ficando para trás.

Fica pensando que a confusão é geral, que a história do vinho consagrou uvas, processo de plantio, ponto de colheita, tempos e materiais de vinificação, que explodiram literalmente os limites regionais e ganharam força como alternativas viáveis a tantos enólogos, milhares de quilômetros distantes de sua origem.

O método de secagem e vinificação da uva, que nasceu no século I do Império Romano no Veneto, responsável pelos grandes Recioto e Amarone de Valpolicella, é imitado por tantos outros, dentro e fora da Itália.

O jeito de misturar os Cabernets com Merlot e deixá-los descansar e afinar em barril de madeira de vários usos, como se faz em Bordeaux ao menos desde o século XVI invadiu todas as fronteiras e é em parte responsável pelo sucesso dos vinhos do Novo Mundo.”

Ripasso de Tannat

Breno

Breno Raigorodsky é editor do Site/Blog: http://articulandobr.wordpress.com

Breve Currículo: Breno Raigorodsky, 64, filósofo, publicitário, professor de vinho, escreve sobre vinho e gastronomia.

Crédito da imagem: http://www.cooklovers.com.br/

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *