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O Blog do Jeriel existe desde 2008. É um blog que tem critério objetivo de avaliação de vinhos. O método escolhido é a escala 50/100 pontos adotada pela Revista Wine Spectator e também pela Wine Advocate de Robert Parker Jr. De lá pra cá nenhuma alteração foi feita, mas cabem algumas considerações, principalmente quanto à fundamentação desse critério de avaliação.
É bom registrar que militamos na Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho – SBAV/SP de maio de 1998 até o fim do ano de 2010 quando nos afastamos “sponte propria” daquela associação. Na época, a SBAV-SP se reunia para degustações semanais. Os vinhos eram avaliados através de uma ficha de degustação, descritos, pontuados e o resultado da degustação, resultado da média aritmética dos degustadores mais experientes, publicado no portal. Isto ocorreu durante muitos anos, através de inúmeros textos da lavra deste escriba que estranhamente fora retirados daquele portal em prejuízo de todos que acessam-no diariamente, eis que a SBAV-SP sempre se orgulhou de ter sido a “primeira confraria de vinhos no Brasil” e o seu portal era inegavelmente uma referência. Mas o nosso propósito no momento não é este, mas sim o de fazer uma abordagem sobre os inúmeros critérios de pontuação que pululam aqui e acolá e que acabam por confundir os leitores de revistas, portais de vinhos e até de alguns blogs.
Quando passamos a escrever no portal da associação nos idos de 2005, um dos antigos associados (JLGP) nos passou a seguinte explicação, que foi seguida a risca e que nunca causou nenhum embaraço ou reclamação das partes envolvidas, por sua clareza e razoabilidade:
“Quanto à pontuação, o costume é a utilização do sistema 50-100 pontos, 99% deles entre  75-95%, 90% entre 79-93. É muito vinho para diferenciar em apenas 14 pontos.
Constantemente faço a comparação entre as notas dadas ao mesmo vinho. Sempre tem alguma variação.
Na ficha da SBAV, é raro não dar 10 pontos no visualdifícil sair do 7-8 para cada item do olfativonão é frequente usar 4 para algum elemento do gustativo; normalmente uso 7-8 para a qualidade e complexidade; o mesmo para harmonia e persistência. Com isso, os vinhos ficam com 79-86 em 80% dos casos; para chegar aos 93 pts., é necessário tirar conceito 9 em todos eles (olfativo, qualidade, complexidade, harmonia e persistência)! No fim das contas os meio-pontos acabam ficando importantes.
São atributos que acabam nos preocupando demais, tirando o prazer da degustação!”  
Com a democratização da informação proporcionada pela internet, hoje em dia as publicações especializadas de vinhos não estão mais sozinhas. Existe uma profusão de canais de informações sobre vinhos, mas infelizmente muitos de péssima qualidade, sem nenhum critério com textos incompletos, sem menção às fontes de elaboração, erros crassos de português, plágio descarado, etc..mas o que mais chama atenção é que até publicações “idôneas”, que adotam critérios semelhantes aos deste blog, no afã de dominar o mercado acabam por fazer um verdadeiro “carnaval de notas”. Prezado leitor, é inacreditável, mas ao folhear algumas publicações brasileiras, o leitor vai ficar atônito com a quantidade de vinhos com 90/100 pts. que custam bem menos do que R$ 100 ou até R$ 50!!!! Será que esses vinhos realmente merecem essas notas?  Ouso afirmar com bastante segurança que não. Explico. Já se foi o tempo em que um vinho que se destacasse numa publicação fazia a felicidade do importador com a venda de todo seu estoque. Hoje, para isso acontecer, o vinho tem que ser realmente bom e “parecer ser bom”, tem que ser elaborado com uma variedade “internacional” ou então com uma variedade autóctone pouco conhecida (também pode ser conhecida), tem que possuir um importador dotado de vários canais de distribuição e que acredite piamente que a divulgação é o motor do negócio e finalmente, o vinho também tem que contar com manifestações positivas de portais na internet, inclusive blogs confiáveis, etc..
O Medo de pontuar
Hoje no mercado, a maior parte dos “operadores do vinho”  vem abandonando o sistema de pontuações, pelos motivos abaixo assinalados:
a) algumas publicações que pontuavam deixaram de fazê-lo por medo de perder anunciantes. Sim, porque todo produtor/importador acredita piamente que o seu vinho é o melhor. E, ao receber uma nota inferior a 86/100 pts. o seu vinho “encalhará”, porque dependendo do preço, outros vinhos de maior pontuação pelo mesmo valor ou até por menos, suplantarão comercialmente seu produto. Então, por que anunciar num veículo que sabidamente dá notas baixas? É um fato verídico, porque já ouvimos da boca de um editor que vinho com menos de 86/100 pts. “não vende”. Aqui no blog já tivemos reclamação semelhante, mas a nota foi mantida.
b) corroborando o item “a” supra, algumas publicações continuam pontuando, mas vinhos com menos de 86/100 pts. são automaticamente excluídos. Esse é o critério das maiores publicações brasileiras do gênero, mas não das estrangeiras que publicam vinhos avaliados com notas bem inferiores sem se preocupar com as consequências, o que demonstra maior independência e confiabilidade do veículo.
c) outras publicações dão notas tão altas para vinhos que deixam este escriba perplexo. A impressão que dá é que “pontos” que estão sendo vendidos no lugar das descrições e avaliações de vinhos!!! É necessário atenção, porque um velho ditado popular diz que “o papel aceita tudo”.
d) excetuado o extinto jornalista Saul Galvão, que pontuava criteriosamente todos vinhos que degustava na sua coluna semanal no matutino “O Estado de S. Paulo”,  somente o crítico Jorge Carrara ainda pontua (e o faz com muito critério) os vinhos para sua coluna num portal da internet e numa revista de grande circulação. Nas colunas de vinhos dos jornais “Folha de S. Paulo” (inexplicavelmente de periodicidade quinzenal) e do “O Estado de S. Paulo” (periodicidade semanal), os vinhos não são pontuados, mas acreditamos que aqui os articulistas são livres para eleger seus critérios do que em algumas publicações do gênero, na qual o “publisher” dita o que pode e o que não pode ser feito.
e) nos blogs também a pontuação não prevalece. Mas aqui o motivo é desconhecimento, porque hoje em poucos minutos você cria um blog, abre uma garrafa de vinho, degusta, emite sua “abalizada” opinião e já se torna um “crítico de vinhos”. Ou faz qualquer curso de “Introdução ao Mundo do Vinho” e passa a escrever tresloucadamente sobre o tema….só rindo mesmo…..mas a verdade é que os principais blogs do assunto no Brasil se abstém de pontuar. Um ou outro elege um critério próprio de avaliação (amiúde pouco claro) e há os que pontuam, dando notas que se aproximam da estratosfera, justamente porque são pessoas com pretensões exclusivamente comerciais (agradar importadores e produtores). Outros não pontuam porque “ser crítico de vinhos hoje é muito semelhante a ser técnico da seleção brasileira de futebol: todo mundo entende do assunto, todos dão seus pitacos, mas ninguém quer se aprofundar sobre nada , ler, enfim estudar o tema”.  Resumo: não pontuam porque não sabem ou não querem se comprometer.
f) no Brasil uma ou duas publicações do gênero realmente pontuam e dão notas fundamentadas, inclusive fracionando-as. Mas são publicações de menor participação no mercado, portanto, de menor influência. A nossa torcida é que não sejam sufocadas pelo difícil mercado editorial brasileiro…mas reitero que essas publicações ao menos passam a impressão de alguma seriedade. Serão mencionadas na segunda parte deste artigo ora em fase de elaboração.
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TO BE CONTINUED
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