Na Espanha, decifrando os “vinos de pago”, por Ricardo Bohn Gonçalves

Vino de pago ou Denominação de Origem Pago (DO Pago) é uma classificação usada para avaliar os vinhos espanhóis, da mesma maneira que as appellations d’origine contrôlées (AOC) dos franceses.

Como esse artigo não é um verbete da Wikipedia, já adianto que um produtor me confidenciou que o termo provoca confusão mesmo aqui na Espanha.

Então, em vez de tentar explicar, prefiro dizer o que me atrai muito na nessa proposta que foi estabelecida por lei desde 2003.

 Espanha vinícola

As denominaciónes de origen na Espanha referem-se à determinada região ou território. D.O. Rioja, por exemplo, regulamenta os vinhos e vinícolas localizadas geograficamente na região da Rioja; D.O. Ribeira del Duero idem para os vinhos da Ribeira del Duero. São inúmeras, como dá para imaginar.

Os vinhos de pago, ao contrário, têm a ver com as vinícolas, ou seja, a rigor, podem ser originários de qualquer lugar da Espanha.

O que também não é tão simples porque para ter o selo de qualidade DO Pago a vinícola tem que obedecer as regras e especificações da região onde está localizado o vinhedo e também as especificações do selo.

Não desista da leitura, tenho certeza de que vai ficar mais claro e vale a pena por que vinos de pago são representantes top da qualidade de muitos vinhos espanhóis, pouco conhecidos.

Vamos lá, para ter o direito de ostentar DO Pago no rótulo, o vinho deve:

  • Vir de pequenas propriedades familiares, ou seja, o dono tem que estar à frente da vinícola;
  • A vinícola tem que ter produção baixa por hectare, ou seja, baixos rendimentos;
  • As uvas não podem levar mais do que 20 minutos para percorrer o caminho entre a poda e a entrada na vinícola, ou seja, os vinhedos tem que estar ao lado da vinícola;
  • A vindima deve ser manual;
  • Os barris devem ser de roble (carvalho) francês;
  • E os vinhos produzidos devem ser caracterizados como sendo de ‘qualidade excepcional’.

No fundo o DO Pago é um selo de qualidade para pequenos produtores. Tão rigoroso que até hoje só foram certificadas 14 vinícolas das 4.500 que existem na Espanha!

Um vino de pago não precisa ser necessariamente orgânico ou biodinâmico, mas a classificação está em sintonia com as tendências mais modernas de valorizar os pequenos produtores e o uso de técnicas naturais e artesanais na produção.

Agora, na hora de comprar, tem que ficar de olho no rótulo: ‘pago’ é uma palavra espanhola antiga e tradicional para ‘herdades’ ou ‘propriedades’ (sobretudo, vinhedos). Por conta disso, aparece como nome em vários rótulos que não são classificados como por exemplo Pagos del Rey e Pagos Sarrea.

Para ser um verdadeiro ‘pago’ espanhol, a marca DO Pago deve aparecer no rótulo.

Complicado ? Um pouco, mas merece o brinde dessa semana!

Crédito da imagem, foto de RBG: Veja em SP  on-line – Fabiano Accorsi

 

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One Response to “Na Espanha, decifrando os “vinos de pago”, por Ricardo Bohn Gonçalves”

  1. Sérgio Gomes Pereira Responder

    Olá, estou fazendo o curso de vinhos e , preciso de falar sobre 10 vinhos de denominação PAGO produtores e suas regiões se puder me ajudar ficarei muito grato.

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