Dando sequência às comemorações relativas ao mês do Vinho do Chile, a seguir matéria completa sobre uma degustação vertical de um dos mais festejados vinhos do Vale do Maule – Sul do Chile: “Erasmo – Reserva de Caliboro”,  empreendimento do Conde Francesco Marone Cinzano, conde italiano e herdeiro de produtor de vermute. Ele se estabeleceu na área rural do Vale do Maule, escolhendo os morros a Oeste como lugar para diversificar o ambiente da Toscana. Associou-se à Família Manzano para produzir um tinto feito  de um corte ambicioso:  o Erasmo. Os vinhedos esparsos, de cultivo seco, à margem do Rio Perquilauquén, rendem um tinto rústico, cor de terra e herbáceo, feito de Cabernet Sauvignon, Franc e Merlot. Até agora, as melhores safras foram de 2003 e 2005 (agosto 2012). O Torontel, ao estilo de Vin-Santo, é uma deliciosa raridade da casa. A essas informações, acrescento que nas últimas edições do respeitado e idôneo Guia Descorchados o Erasmo obteve pontuações entre 94 e 95/100 pts. Fonte: O Grande Livro dos Vinhos – Editora Publifolha – Agosto de 2012

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Sobre o Vale do Maule

“O Vale do Maule corresponde a parte mais ao sul do Vale Central (Maipo, Rapel, Cachapoal, Colchágua, Curicó e Maule). É, em termos de extensão de vinhedos, o maior do Chile, com 28.500 ha. Deles, um pouco menos de um terço corresponde à uva país, a variedade tinta que os espanhóis trouxeram para o Chile no século XVI e que não mostrou ser sinônimo de qualidade. Sem dúvida, esse detalhe marca o Maule, como também o esforço de um grupo cada vez mais crescente de produtores que teve sucesso em provar que sua grande diversidade de mesoclimas possibilita a criação de grandes vinhos. Afora a tecnologia empregada por alguns produtores, a atenção está voltada para melhorar a qualidade do vinhedo, seja em regiões próximas dos Andes, seja nas tradicionais áreas costeiras sem irrigação, onde a diversidade de solos e a topografia estão mostrando um expectante potencial que se conecta diretamente com os primeiros vinhedos plantados no vale, há mais de trezentos anos.” (Guia Descorchados 2008).

O 2004 estava em boa forma e confirmou o estilo rústico da maioria dos tintos do Vale do Maule.
O 2004 estava em boa forma e confirmou o estilo rústico da maioria dos tintos do Vale do Maule.

A Vertical –

O serviço do vinho ficou por conta do hábil Sommelier da Rede Oba, Ricardo Custódio e os degustadores foram os confrades da Confraria do Balde Seco.

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Erasmo 2004  –  Variedades: Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Cabernet Franc (10%) – álcool: 14% – preço: R$ 99 (na época da aquisição) – vermelho-rubi intenso com borda granada. Muita madeira nos aromas que cede para tons balsâmicos. Na boca é um vinho com quase tudo no lugar certo (destaque para a acidez), sem sobra de álcool, madeira ou cansativas/excessivas notas herbáceas. Taninos “empoeirados”, vinho pronto, expansivo, sem sinais de declínio, mas de nítido perfil rústico. Avaliação: 87/100 pts.+

O 2004 estava em boa forma e confirmou o estilo rústico da maioria dos tintos do Vale do Maule.
O 2004 estava em boa forma e confirmou o estilo rústico da maioria dos tintos do Vale do Maule.

Erasmo 2006  –  Variedades: Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Cabernet Franc (10%) – álcool: 14,5%  – vermelho-rubi intenso com borda granada, muito semelhante ao 2004 na cor. Perfil aromático unidimensional com notas herbáceas e nada mais. Na boca subimos um degrau. Vinho frutado, com tudo no lugar certo, sem sobra de álcool, sem repetição das notas herbáceas do olfato, sem taninos rústicos, ao contrário, na vertical seus taninos foram macios. A madeira incomodou menos do que no 2004. Final seco e persistente. Avaliação: 88/100 pts.+

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Erasmo 2009  –  Variedades: Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Cabernet Franc (10%) – álcool: 14,5% – vermelho-rubi intenso límpido e brilhante. Fechado nos aromas. Na boca foi decepcionante. Sobrou álcool, madeira saliente e ausência de fruta. Plano, ressentiu-se da acidez do 2004 por exemplo. Taninos duros. Final seco. Palatável, mas não confirmou as boas avaliações recebidas alhures.  Avaliação: 85/100 pts.+

Novas DOs Chile

Conclusão –

O primeiro (2004) mostrou boa evolução na garrafa e o toque rústico dos vinhos do Maule. O 2006 exibiu excelente fruta confirmada no paladar. Já o 2009 decepcionou. Nariz herbáceo, unidimensional. Taninos verdes, agressivos. Curto, frustrou as expectativas mas não estava defeituoso. A safra não deve ter sido lá essas coisas na região. A vertical não empolgou. O vinho é bom, mas não confirmou as manifestações de alguns críticos do Brasil, nem seu preço. Mas é forçoso registrar que se trata de um vinho longevo e de grande estrutura, que certamente tem preço acima da qualidade anunciada. Para um vinho que custa entre R$ 220,11 (2007) e R$ 179,90 (2010) em São Paulo, deveria entregar mais, bem mais…

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