Dez vinhos do Chile para degustar. E você saberá o porquê.

Chile

Pense “Chile” e é provável que você irá pensar em coisas na escala “macro”.

Cordilheira dos Andes. Reunião dos oceanos Pacífico e Atlântico.

E as geleiras, especialmente o som que elas fazem quando mudam de lugar, como um gemido dos deuses ecoando desde a Idade do Gelo.

Pense  no “vinho chileno” e você também pode pensar em coisas em escala macro.

Um produtor chileno está no topo da lista de bebidas internacionais de marcas de vinho mais admiradas no mundo por dois anos consecutivos. E as cinco principais marcas desta holding têm um desproporcional domínio na produção de vinho do Chile.

E a razão igualmente desproporcional é a atraente relação qualidade-preço que há muito tempo favoreceu os consumidores de vinho chileno. Se um vinho que “tem gosto de” custa US$ 100 o similar que vem do Chile, provavelmente custará US$ 60. Se um vinho que “tem gosto de” custa US$ 300 e vem do Chile, provavelmente o de outro país custará mais de US$ 1.000!!

O problema das “macrogeneralidades”, mesmo que estatisticamente sejam verdadeiras, encobrem os agentes de mudança em micro-escala em jogo na cena vinho chileno no momento. As grandes marcas bombeam o sangue que dá vida à indústria do Chile, mas são as menores que estão fornecendo os solavancos que produzem a adrenalina.

Aqui estão dez vinhos com suas respectivas histórias, de forma eloquente e, que por vezes, contrariam as correntes que estão sendo ditadas na indústria de vinhos do Chile hoje. Vamos começar com duas novas micro-organizações:  Vignola e MOVI.

Eclat Vignola 2010. Comece a olhar para a designação Vignola, que é um indicador de um novo movimento de valorização do patrimônio vitivinícola do Chile, especificamente videiras de Carignan, que tem ao menos 30 anos de idade. Liderada por Andrés Sanchez, enólogo em Gillmore Winery & Vineyards, que se inspirou no sistema de DOC/DOCG da Itália, um grupo de 12 produtores da região de Maule se uniu em 2009 para declarar sua “lealdade” às velhas videiras de Carignan. “É o futuro”, disse Sanchez. “É o que o vinho no Chile pode ser.” As velhas videiras de Carignan produzem vinhos de tânicos porém macios.

Eclat

O Enólogo-Chefe da Valdivieso, vinícola estabelecida no Vale de Curicó, Brett Jackson, produz o Eclat que em 2010, foi amadurecido em barricas de carvalho mais velhos e apenas uma pequena percentagem de carvalho novo. Isso permite que o vinho à base de Carignan possa evoluir bem à partir de intensa fruta primária com aromas florais que se tornam complexos ao longo do tempo.

Armidita

Pajarete Armidita 2012 – O Movimento dos Vinhateiros Independentes, ou MOVI, começou há cinco anos, com apenas 12 membros. Seu objetivo é mostrar vinho chileno de uma forma menor, a fim de demonstrar que o Chile pode fazer o vinho em pequenas escalas. Como Vignola, o MOVI é uma pequena organização – a produção das vinícolas associadas varia de 250 a 50.000 caixas e a produção total é de menos de 80.000 caixas. Mas cada membro recebe um voto a respeito das atividades do MOVI, independentemente da sua dimensão. Se a organização compra participação numa feira de negócios por exemplo – e envia um representante do MOVI com 24 garrafas, uma de cada da lista atual de membros. Os participantes se orgulham da inovação e experimentação, como a mistura doce Pajarete de Moscatel da Áustria e Moscatel Alejandra.

Armidita

De Martino Viejas Tinajas Cinsault 2014 – A idade média das vinhas na Borgonha é de cerca de 80 anos. Em Bordeaux, é cerca de 60 anos. E no Novo Mundo? Cerca de 17 anos. “Nós estamos matando nossos vinhedos antes que eles atinjam a sua plena expressão”, disse Rodrigo Soto, enólogo-chefe da Veramonte, que tem propriedade em Casablanca. “Demora um certo tempo para revelar a si mesmo a origem de um vinho no copo. Uma maneira de traduzir seus pensamentos é através das práticas agrícolas sustentáveis “Um bom exemplo é a propriedade da De Martino que produziu esse Cinsault – que ainda é feito por haras tracionado por cavalo”. De Martino possui alguns dos primeiros vinhedos no Chile, que remonta a 1551, mas também é um dos vários produtores que já utilizam antigas ânforas para amadurecer seus vinhos. As ânforas de barro facilitam o processo de micro-oxigenação, o que é de certa forma uma extensão do solo onde as vinhas são cultivadas.

Ar

Lago Ranco Sauvignon Blanc 2013 – Enólogos de visão de futuro estão empurrando as fronteiras do vinho do Chile para as regiões de clima frio, especialmente em termos de regiões demarcadas de grande altitude e influência costeira extrema, onde são produzidos notáveis vinhos brancos. Mais de 10.000 novos hectares de vinhas foram plantadas, muitos em novas áreas como essas, entre os anos 2000 e 2010. As vinhas da Casa Silva p. ex., que são guiadas pelo enólogo Mario Geisse, estão localizados no Chile na “região dos lagos”, quase 1.000 quilômetros ao sul de Santiago. As condições são únicas e limitantes: as vinhas são escassas e estão a 100 metros da margem do lago, as temperaturas são baixas (entre 9 e 18 C°), as cascas das uvas são grossas e portanto tânicas, os rendimentos são desiguais e muito baixos, normalmente menos de três toneladas por hectare. O ano de 2013 foi apenas a segunda colheita deste vinho, mas seguramente uma das expressões mais inusitadas e intrigantes de Sauvignon Blanc no Chile já provadas!

Ar

Santa Rita Casa Real Cabernet Sauvignon 2005 – Um único vinhedo. Uma única uva. Vinte e cinco safras. Cecília Torres cresceu com este vinho, uma vez que as vinhas foram plantadas na década de 1970 e a primeira colheita se deu em 1989. A Cabernet Sauvignon tem uma forte assinatura no Chile: é responsável por cerca de um terço da produção e das vendas totais do país. Este Cabernet Sauvignon Casa Real 2005 é simplesmente excepcional: morango, cranberry, anis, menta, frutas negras, canela e pimenta branca completando o conjunto. É equilibrado; mais elegância do que opulência. É um vinho que domina os nossos sentidos nos anestesiando. Um vinho para ser degustado numa longa conversa.

Ar

Morandé “Mediterrâneo del Maule” Edición Limitada 2011 – A Cabernet Sauvignon é a variedade de maior sucesso comercial no repertório de uvas do Chile, mas são as misturas que falam de forma mais precisa do perfil do país: o Chile é uma terra – e uma mistura – de muitas histórias, de muitas nacionalidades, como os seus varietais mostrando essa diversidade. Este vinho em particular, com os mais de 60 anos de idade de suas vinhas, foi elaborado com as variedades que se destacam no Mediterrâneo: Syrah, Marsanne, Carignan e Roussanne. O resultado é um tinto com várias camadas de sabores e profundidade, a partir de cerejas maduras, chocolate, grafite e hortelã.

Vinhos orgânicos e biodinâmicos Emiliana, agora sob importação da La Pastina

Vinhos orgânicos e biodinâmicos Emiliana, agora sob importação da La Pastina

A Fazenda Biodinâmica da vinícola Emiliana tem até casa para lhamas e muitos outros animais que atuam como indicativos das metas agressivas da indústria de vinhos do Chile para a sustentabilidade a longo prazo.

Nota do Tradutor: acesse o link abaixo para mais informações sobre a Vinícola Emiliana:

http://blogdojeriel.com.br/2014/04/visita-a-vinicola-emiliana-vinhos-organicos-e-biodinamicos/

Ar

Emiliana Coyam 2011 – Visite a vinícola biodinâmica Emiliana e você vai perceber duas coisas: é mais fazenda do que adega, sendo uma área movimentada, se você considerar a existência ostensiva de animais como lhamas, galinhas-d’angola, gansos, galinhas, cavalos e vacas. As vinhas são um lugar barulhento à Emiliana e quem faz barulho são os animais – outras questões como água, cada vez mais premente e a valorização dos trabalhadores (são empregados dois para cada 14 hectares, normalmente a proporção é de um para cada trabalhador 10 hectares) também se revestem de importância para essa vinícola. O rótulo Coyam encarna fielmente este ambiente integrado e diversificado. A ideia era produzir um vinho que refletisse a personalidade da propriedade, o que significa que o blend muda ano a ano. O 2011 é a primeira safra de Coyam da enóloga Noelia Orts Agulló. É um tinto fresco, com notas de cerejas, tabaco, alecrim,  taninos maduros e final longo.

Terronyo

Terrunyo Sauvignon Blanc 2012 – Você pode apreciar este vinho apenas por sua capacidade infalível de harmonizar com ostras, especialmente quando essas ostras terminam com uma pequena pilha de maçãs verdes em cubos. Ou você pode apreciá-lo pelas iniciativas ambientais que representa, especialmente os indicadores de sustentabilidade como carbono, água e o conteúdo reciclado da garrafa. Além disso, cada vez que alguém entrega uma garrafa a um ponto de reciclagem, o código de barras é digitalizado e uma doação é feita para um projeto ambiental que está em andamento na Patagônia e outro no Vale Central do Chile.

Ar

Lapostolle Collection Mourvèdre 2013 – Andrea Léon Iriarte integra um número crescente de produtores – Maria Cecilia Pino em Santa Rita é outra – que também estão fortemente envolvidos na comunicação e marketing da indústria do vinho. Eles supervisionam as empresas start-up dentro de uma empresa-mãe maior; aquelas “start-ups” são informadas por ambas as realidades agrícolas e comerciais. Léon, por exemplo, foi contratado para fazer um pequeno projeto denominado “Coleção” dentro Lapostolle, cuja produção não ultrapassa mais de 1.000 caixas. Sua ideia era mostrar diferentes uvas dos confins vitícolas do Chile. Este Mourvèdre pode ser um tinto mais atraente do que os “hits” populares.

Ar

Marques de Casa Concha País – Cinsault 2014 – Às vezes, o vinho é pura diversão. Marcelo Papa tem feito vinho há mais de 20 anos, mas, diz ele com um sorriso, este é o primeiro vinho que ele fez que tanto sua esposa e sua mãe bebem. Sim, é feito a partir de vinhas velhas. E também sim, é inferior no álcool com um paladar muito animador. Essas são as duas fortes tendências de mercado que este vinho, obviamente, fala. Mas, além desses fatores, este vinho é puro prazer!

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *