Miguel Torres Maczasseck apresentou novos vinhos de uvas esquecidas da Catalunha

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No dia 11 de novembro, a Importadora Devinum trouxe Miguel Torres Maczasseck (quinta geração da Família Torres), Diretor Geral do grupo Miguel Torres, para apresentação de novas safras dos vinhos espanhóis a um grupo restrito de jornalistas. Receptivo aos presentes, Miguel esbanjou simpatia e falou dos projetos da vinícola no mundo (Espanha, Chile e EUA) e dos novos vinhos que serão produzidos, inclusive um Cava e da aquisição de vinhedos na Galícia (Rías Baixas) onde futuramente produzirá Albariños. Mas reservou uma surpresa para os convidados: três vinhos de uvas autóctones da Catalunha recuperadas e identificadas na Universidade de Montpellier (França). Estiveram presentes além de Torres, Marc Perelló, Diretor Geral da Devinum e Patrícia Aires, Coordenadora de Marketing, experts e jornalistas do setor, para degustação dos seguintes vinhos:

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Viña Esmeralda 2015  85% Moscatel e 15% Gewurztraminer – D.O. Catalunya – preço: R$ 85 – palha claro. Aromas complexos exibindo notas florais vegetais em profusão. Boca macia, acidez pungente, muita leveza e frescor com ligeira rusticidade. Avaliação: 89/100 pts.

 

Torres Milmanda 2012 DOC Conca de Barberà – variedade: Chardonnay – álcool: 14% – preço: R$ 334,00 – produzido com uvas de um vinhedo de 15 hectares localizado nas margens do Rio Ebro, cujo microclima recebe influência do mediterrâneo com características continentais. O solo é profundo e tem pH básico, capacidade de retenção de água muita alta e elevado teor de cal ativo. Está composto por marga avermelhada do período Oligoceno superior. Nas áreas de conglomerados, a pedregosidade aumenta e os seixos permitem a infiltração de água. Análise organoléptica: amarelo com reflexo dourado brilhante denotando evolução. Aberto e intenso nos aromas com sugestões florais secundadas por frutas tropicais maduras (abacaxi, melão e leve cítrico) sobre uma gostosa nota própolis. Na boca é um vinho elegante, bem elaborado, que permite a livre expressão da fruta sem estar encoberta pela madeira (fermentado e amadurecido em barricas novas de carvalho francês “Nevers” durante dez meses com a realização de bâttonnages), macio e muito longo, expansivo. Destaca-se por seu frescor e concentração de sabor. Final de bom cumprimento com leve nota de mel. Avaliação: 90/100 pts.

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Torres Fransola 2013 DOC Penedès – variedades: Sauvignon Blanc e Parellada (5%) – álcool: 13% – preço: R$ 251,00 – elaborado com uvas de um vinhedo de cerca de 25 hectares de mesmo nome, o microclima da área está condicionado pela sua posição em termos de relevo: a serra de pré-Costeira, cujo microclima atua como um obstáculo às pragas naturais e aumenta a condensação das massas de ar vindo do Mediterrâneo. Estes solos argilosos de profundidade tem importante potencial, juntamente com este microclima específico permitir a colheita de safras de alta qualidade. Análise organoléptica: amarelo palha claro brilhante com reflexo verdeal. Aberto nos aromas típicos da variedade com as tradicionais notas vegetais da variedade secundadas por leve floral (flor de maracujá) sobre um fundo cítrico, sem denunciar ter sido parcialmente fermentado e amadurecido em barrica de carvalho americano e francês durante oito meses. Na boca sua entrada revelou um vinho de acidez delicada, destacado frescor, untuoso, profundo, macio, concentrado e dotado de leve mineralidade. Persistente, seu final é limpo, sem nenhum amargor. Avaliação: 90/100 pts.

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Torres Ibéricos DOCa Rioja 2013 – variedade: Tempranillo – álcool: 14% – região: Rioja – preço: 110,00 – fermentado em cubas de aço inoxidável e amadurecido 12 meses em carvalho francês e americano (10% novos) – Análise organoléptica: vermelho-rubi intenso com reflexo violáceo. Nos aromas as tradicionais notas de barrica e caramelo que fizeram a fama desta célebre região espanhola, com nuances tostadas e alicoradas sem ocultar a fruta vermelha. Na boca taninos presentes (potentes) de boa qualidade, fruta e madeira em comunhão, acidez na medica certa e álcool com discreta sobra. Vinho pronto de final persistente. Avaliação: 88/100 pts.

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Torres Gran Coronas Cabernet Sauvignon DO Penedès 2012 – Álcool: 14% – importador: Devinum – preço: R$ 135,00 – Vermelho-rubi intenso com reflexo granada em formação. Nos aromas destacam-se frutas vermelhas e pretas, cereja e groselha sobre um fundo mentolado. Na boca é um tinto equilibrado, com uma ponta de álcool, taninos macios a confirmar as sensações olfativas. Final agradável, de média persistência, com uma forte nota tostada. Avaliação: 89/100 pts.+

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Torres Mas La Plana 2011 – Denominación de Origen Penedés – variedade: Cabernet Sauvignon – álcool: 14,5% – preço: R$ 465,00 – elaborado com uvas da finca Mas La Plana (39 hectares) plantadas na década de 1970, no Penedés. As uvas procedem de três parcelas: Torreta, Plana y Teula. Amadurecido em barrica de carvalho francês nova (Tronçais e Nevers) durante dezoito meses. É um dos principais expoentes de Cabernet Sauvignon no mundo, uma vez que sagrou-se campeão da “Olimpíada Mundial do Vinho” organizada pela revista Gault-Millau em Paris, com pontuação superior a vinhos como Château Latour e Château Haut-Brion; em 1990 o mesmo  Gran Coronas Etiqueta Negra (atual Mas La Plana), desta vez da safra 1971, conseguiu pontuação superior a de vários Primeiros Cru do Medóc. Análise organoléptica: vermelho-rubi intenso, profundo, a denunciar tratar-se de um tinto jovem. Notas balsâmicas dominam o conjunto em um primeiro momento, para depois ceder espaço para mentol, especiarias sobre fruta negra madura (ameixa principalmente), frutas confitadas, alcaçuz e uma discreta nota de barrica que confere sofisticação ao conjunto. Na boca sua entrada revelou um vinho que se destaca por conta da finesse de seus taninos suculentos, que remetem diretamente a um elegante Bordeaux margem esquerda. Tudo no sítio certo neste verdadeiro ícone espanhol, quiçá um dos melhores expoentes da casta no Velho Mundo (fora da França): álcool, acidez, madeira e fruta estão harmonicamente integrados. A persistência é longa e o final promete décadas de evolução na garrafa. Provavelmente o melhor Cabernet Sauvignon produzido na Espanha. Avaliação: 92/100 pts.++

Torres Salmos 2013 – variedades: Garnacha Tinta, Syrah e Cariñena – álcool: 15% – preço: R$ 290,00 – fermentado em cuba de aço inoxidável com temperatura controlada. Amadurecido em barrica de carvalho francês entre 14 – 16 meses – Análise organoléptica: vermelho-rubi intenso, profundo, concentrado com reflexo púrpura. Aromas balsâmicos, frutas negras e licor de cassis em profusão. Repetiu no paladar a concentração de cor e de aromas, ao exibir taninos potentes e ao mesmo tempo adocicados, intensa acidez a promover boa salivação, sólida estrutura marcada pelo frescor e pela boa quantidade de fruta que se expressa livremente sem ser ofuscada pela madeira. Enfim, um grande e consistente expoente do Priorato, região marcada pelas encostas escarpadas, pelo solo pedregoso “pizzarra” ou “licorella” que conferem inegável personalidade, mineralidade, força e longevidade a este complexo e gostoso vinho. Avaliação: 91/100 pts.+

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Torres Floralis Moscatel Oro – variedade: Moscatel de Alexandria – álcool: 15% – garrafa 500 ml – preço: R$ 110,00 – amarelo com reflexo dourado. Aromas terpênicos com uma profusão de ervas aromáticas, flores, mel sobre uma notinha defumada. Na boca bom equilíbrio entre doçura e acidez resultando num vinho macio, razoavelmente fresco, ótimo acompanhamento para sobremesas não muito doces ou como própria sobremesa. Avaliação: 88-89/100 pts.

Atualmente, a Miguel Torres emprega milhares trabalhadores nas suas vinícolas, possui vinotecas em Shanghai, Barcelona e Santiago, tem firme atuação nas redes sociais e tem por lema “Cuanto más cuidamos la tierra, mejor vino conseguimos”.  Exporta seus vinhos para mais de 150 países  e tem um objetivo a ser atingido até 2020: reduzir as emissões de CO2 de cada garrafa produzida a partir de 2008, uma vez que o respeito ao meio ambiente, a ecologia faz parte da estratégia da vinícola Torres no mundo todo. Miguel Torres descobriu, em colaboração com os viticultores locais, cerca de 45 uvas nativas entre tantas pesquisadas. Dessas apenas seis se mostraram viáveis e três vinhos puderam ser provados em primeira mão, eis que Miguel Torres Maczassek trouxe as garrafas na mala: Forcada, Moneu e Pirene. E, como não podia deixar de ser, os resultados foram auspiciosos:

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Miguel Torres “Forcada” 2015 – álcool: 13,5% – palha claro brilhante. Aromático no olfato com sugestões florais (lírio) e cítricas (lima principalmente) sobre um toque medicinal. Na boca é untuoso, firme, de boa cremosidade, excelente acidez que lhe proporciona um gostoso frescor. A Forcada é uma variedade tardia, autóctone que demonstra estar adaptada ao seu terroir de origem. Avaliação: 90/100 pts.

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Miguel “Moneu” 2015Álcool: entre 13,5% a 14% – nativa de Conca de Barberá, no Penedés, exibiu cor vermelho-rubi violáceo. Aromas de frutas vermelhas (cereja e morango) sobre um fundo mineral. Na boca revelou-se pela fineza de seus taninos, com leveza e frescor. No fim-de-boca deixou um toque de frutas confitadas. Enfim, um tinto apetecível. Avaliação: 90/100 pts.

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Miguel “Pirene” 2015 – nativa dos Pré-Pirineus (extremo norte da Catalunha – clima frio), exibiu cor vermelho-rubi violáceo intenso. Aromas florais e de frutas negras (ameixa madura) sobre especiarias. Na boca mostrou firmeza e solidez de taninos com muito bom frescor. Tem nervo. No longo fim-de-boca deixou novamente um toque de especiarias, e, à exemplo do vinho anterior, também tem excelente acidez. Avaliação: 90/100 pts.

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devinum

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