No Chile incêndio florestal destroi vinhedos, campos, casas e até vinícolas

Por  Alejandro Tumayan –

Um número indeterminado de vinhedos em Cauquenes e outras zonas no Vale do Maule, assim como outras tantas no Vale de Colchágua e Bio Bío, foram afetadas pelos incêndios florestais que estão ocorrendo na zona centro-sul do Chile –

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Em Cauquenes dezenas de vinhedos foram afetados pelo fogo. Está confirmada a destruição de vinhedos das vinícolas Cancha Alegre, Casa Vergara e San Clemente Wines. Outras zonas como Pocillas e Name estão sob iminente risco e também em Coronel no Maule, onde o fogo já foi controlado mas ainda o risco de voltar a queimar em razão dos fortes ventos e altas temperaturas.

Nas margens do rio Maule as chamas destruíram vinhedos centenários da vinícola González Bastías, além de casas e outros edifícios circundantes.

Em Colchágua, os danos ocorreram em torno dos campos, embora não haja risco de incêndio em Marchigüe, Peralillo e Lolol.

No Vale de Bio Bío o fogo se propagou na comuna de Florida, na zona de Bulnes e ao sul de Yumbel.

A situação é de suma gravidade em todas as zonas afetadas por incêndios, já que as perdas ameaçam destruir várias plantações, casas e instalações vizinhas.

Vinhateiros e agricultores em geral se veem afetados por estas perdas que em sua maioria tem seu foco inicial em prédios das empresas florestais, as quais não contam com equipes suficientes para combater o fogo, porque seus planos de prevenção são quase inexistentes e sua atuação ao longo dos anos é de total indiferença com os agricultores e comunidades rurais.

Daniela Lorenzo Burger, da Vinícola González Bastías, disse que o início do fogo que afetou os vinhedos começou em terrenos florestais da empresa Arauco, onde se realizam trabalhos de medição que são realizadas em condições de muitos ventos e altas temperaturas.

Enquanto segue a tragédia por conta deste mega-incêndio que já consumiu mais de 100 mil hectares no centro-sul do Chile, há necessidade urgente de uma nova legislação florestal.

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As empresas florestais Arauco e Mininco/CMPC que abastecem empresas de celulose são controladas pelas mesmas famílias, Angelini e Matte, e por trás de um discurso em que se apresentam como empresas que incentivam a “arborização”, os “bosques” e o “meio ambiente”, há uma grande destruição dos solos rurais do Chile, dos rios aldeanos pelas fábricas de celulose, assim como a contaminação do ar e outros cultivos nas zonas onde operam e cujos habitantes sofrem com a falta de água em razão do grande consumo desses monocultivos.

Ainda não se sabe todo o dano provocado pelas centenas de incêndios na zona centro-sul do Chile, todavia, o desequilíbrio dessa destruição se verá mais adiante, mas o que já é uma certeza, é que há privilégios e irresponsabilidades  vigentes no Chile por mais de quatro décadas.

Eduardo Brethauer Roncagliolo, Editor Vitis Magazine assim se manifestou na sua conta no Instagram:

“Isso não tem impacto significativo sobre a produção agrícola, declara a autoridade da agência sobre os incêndios nos Vales do Maule e Colchágua, preocupando-se com os grandes números e não com os pequenos produtores que perderam tudo, que vivem a realidade e que não têm sido subsidiados por décadas como as grandes empresas florestais; a perda de um patrimônio de vinhas velhas é irreparável, só recentemente essas vinhas foram resgatadas para serem convertidas em símbolo de nossa imagem vitícola no mundo, de uma tradição de cinco séculos fundamento da nossa identidade como país. Simplesmente não entendo nada. É uma grande pena”.

Fonte: Sylvia Cava e http://www.todovinos.cl/wp2/2017/01/23/incendios-forestales-destruyen-vinas-campos-viviendas-y-bodegas/

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