Enoturismo Portugal & Espanha: o que a revista Forbes esqueceu de dizer…capítulo 1

11 Mar 2005 --- Woman Looking to the Side --- Image by © image100/Corbis

Por Alexandre Valadares Passos

Saudações!

Como estão todos? Espero que estejam todos bem.

Por falar em estar bem, quem de vocês tem o nº pessoal aí do nosso amigo Jeriel da Costa do Blog do Jeriel? Alguém? Ótimo! Comecem a ligar para ele… Ele tem as idéias mirabolantes e quem vai pra estrada comer poeira sou eu… Mas como ele diz: “é para te estimular”, por que assim você “audaciosamente vai onde nenhum mineirinho jamais esteve”. Eu ainda quebro o pescoço de alguém…

Crédito da imagem supra: 11 Mar 2005 — Woman Looking to the Side — Image by © image100/Corbis

Bom nº 1. No início deste 2017, a revista Forbes publicou um artigo sobre os 12 destinos vínicos subestimados ao redor do mundo pelos enófilos e amantes desse néctar dos Deuses.

Acertadamente o periódico finalmente lançou luzes sobre as regiões vinícolas de Valdeorras e Ribera Sacra, ambas localizadas na comunidade autônoma da Galícia (Espanha), e ambas com catalogadas como dominações de origem para classificar os seus vinhos produzidos e rígidas demarcações geográficas para regular a origem da uva plantada para vinificar esses mesmos vinhos. Daí a existência das D.O. Valdeorras e D.O. Ribera Sacra.

Mas do que exatamente estamos falando, vorrei dire… se falamos de vinho, temos antes que falar das uvas que irão dar corpo a este vinho, não?

Galicien auf den Umrissen Spanien's

Em ambos os casos, vemos tanto em uma D.O., quanto na outra, praticamente as mesmas cepas de uvas tintas ou brancas.

As cepas brancas preferenciais são: Godello, Dona Branca, Torrontés, Loureira, Treixadura, Albariño.

As cepas tintas preferenciais são Mencía, Tempranillo, Brancellao, Merenzao, Sousón, Caiño Tinto.

02 Valdeorras

Com isso, partindo de vinhos monovarietais ou de corte com as cepas acima, vamos desde um Valdeorras Godello (100% Godello) para um Valdeorras Castas Nobles (85% de variedades preferenciais) até o Valdeorras Blanco (que é um vinho de corte entre as várias cepas preferenciais ou mesmo autorizadas).

Proporções semelhantes, arreda um pouco mais pra baixo, arreda um pouco mais pra cima, serão vistas também nos vinhos tintos.

Com isso, entre cepas brancas e tintas, temos nos vinhos Valdeorras as categorias: Blancos, Tintos, Espumosos, Producción Controlada, Crianza (Barrica, Crianza e Gran Reserva) e Tostados.

Ribera Sacra - Crédito Decántalo

Ribera Sacra – Crédito Decántalo

Já para os vinhos Ribera Sacra, as categorias são em menor número, apesar da D.O. apresentar uma maior fragmentação quanto ao número de sub-zonas. Fazer o que… o mundo não é um lugar perfeito…

Assim, os vinhos Ribera Sacra deverão ter no mínimo 70% de cepas preferenciais, e os vinhos Ribera Sacra Summum deverão ter no mínimo 85% de cepas preferenciais (mínimo de 60% de Mencía). Ainda temos os Ribera Sacra BARRICA.

Bom nº 2. Mas voltando aos trilhos, o que mais me chamou a atenção no texto da revista Forbes (eu, como bom mineiro que sou) foram duas coisas:

1º. Como diabos faço para lá chegar em Valdeorras ou mesmo nessa tal de Ribera Sacra?

2º. Olhando para as cepas brancas (que me recordam de imediato um bom peixe e….) me lembrei de uma coisa. Para o trem!!! Aquilo ali é Portugal!!!

Vamos por partes, então…

A Galícia fica ali em cima de Portugal, no cantinho esquerdo, mesmo no finalzinho da Espanha, do lado daquele “lagão” de criar pato tão conhecido de nós de belzonte que o resto do mundo insiste em chamar de Oceano Atlântico. Num sei purquê… O mundo é um lugar complicado…

Só que tem um detalhe.

Antes de chegarmos na Galícia, se você não quiser cair lá de paraquedas ao ser lançado de um Hércules C-130 (é gente… eu já passei dos trinta…) temos que passar primeiro por Portugal, e aí vemos que na DOC Vinhos Verdes aquelas cepas de uvas brancas espanholas também estão presentes do lado de cá.

Mais, vemos que em Portugal também temos a uva Albariño, só que com uma denominação mais aportuguesada, coisa de doido mesmo. Aqui, ela se chama Alvarinho…

DCIM100GOPRO

Solar de Serrade – Portugal

Bom nº 3. Essa cepa de uva branca rara, de baixa produção e que dá origem a vinhos únicos em termos de aroma e sabor, tem em Portugal uma outra peculiaridade que é a região de Monção e Melgaço, onde a mesma consegue se revelar e atingir o máximo das suas potencialidades devido àquele terroir único no mundo.

Então, uma vez que já me situei oncôtô, e decidi pra ondôvô, comecei a minha viagem em direção a Valdeorras e Ribera Sacra, peguei na rural e me mandei pra Monção e Melgaço seguindo a Rota do Vinho Alvarinho.

01Rota_Vinho_Alvarinho_Wine_Track

Nomes clássicos como Anselmo Mendes, Quinta da Brejoeira, Quinta de Soalheiro, Solar de Serrade, ou mais novos, como a Quinta da Pedra ou os meninos do Vinho Verde Young Project foram se sucedendo ao longo da estrada.

Sabem porque o Anselmo deu o nome de muros antigos ao vinho dele? Bom, agora eu sei…

Mas, brincadeiras à parte, o que vivencie in loco é que o Alvarinho é realmente um senhor vinho branco e que é muito mais divertido e engrandecedor ouvir as histórias de vida de cada produtor e os percalços pelos quais passou até ter o nome e o reconhecimento que tem (ele e os seus vinhos) do que simplesmente comprar a garrafa na prateleira do supermercado.

05 Ibérica Solar de Serrade 10

Vi que temos “quintas” que recebem duas pessoas, outras recebem um mínimo de 4 pessoas pra cima. Então, por via das dúvidas é melhor que nos organizemos em pequenos grupos, porque isso de sair em casal é bom, mas aí já seria uma matéria para outra estória…

Mas no fundo, no fundo, a vida é feita disso: pessoas. Pessoas com as quais rimos, quais as quais brigamos, com as quais bebemos um bom copo de vinho.

06 Ibérica Solar de Serrade - Garrafa 7 - Bruxelles 2015

E esse é o espírito da Portugal Vinhos DOC, uma empresa que nasceu, primeiro para acolher as pessoas e segundo para irmos todos juntos atrás de beber vinho. A direção do carro deixamos por conta do motorista que não pode beber e ainda tem que nos aguentar com piadas e todo o resto…

Bom nº 4. Já cansado (bêbado não, de forma alguma…), foi hora de procurar onde dormir.

Lógico que a escolha recaiu em mais um produtor de vinho alvarinho, porque afinal de contas se estamos falando de viagem (eu e a revista Forbes), já que deixo para Jeriel ser o especialista sobre o quesito vinhos e eu sou o mero viajante curioso, lá fui eu parar em um vineyard hotel para poder descansar o esqueleto.

Vocês não fazem ideia do que é abandonar a mesmice dos hotéis de vidro e concreto, dormir em uma casa (sim, porque tem no máximo 3, 4 ou 5 quartos), acordar e ao abrir a janela ver  vinha pra tudo quanto é lado.

P.s.: Não sei como diabos elas foram parar ali, porque quando cheguei de noite no hotel, eu juro que não as vi…Mas em minha defesa posso dizer que tava escuro…

Solar de Serrade

Solar de Serrade

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