Degustação Quatro Tannats Micro-Terroir-Istas do Uruguai

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Durante os dias 13 a 16 de maio, este redator esteve no Uruguai para conhecer as vinícolas integrantes do grupo de vinícolas “Micro-terroir-istas”. Conhecer este projeto Micro-Terroir-Istas é valorar o esforço de pequenos produtores e a busca da excelência em vinhos e qualidade de vida: “Nos unen las diferencias” . A seguir a descrição e avaliação dos vinhos elaborados exclusivamente com Tannat. A degustação, realizada em 15 de maio de 2017,  foi conduzida pelo sommelier Pablo Rodriguez Mezzetta e contou com a participação de Álvaro Cézar Galvão e da Sommeliére Anton de Ambroggi, nas dependências do Hotel “My Suites” –  My Wine Bar, Calle Benito Blanco 674, Montevideo:

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Viña Edén Chardonnay 2015 – Álcool: 12,6% – Variedade: Chardonnay – Região: Maldonado/Pueblo Edén – Preço: R$ 100 – palha na transição para dourado, este branco sem fermentação maloláctica é um exemplo do uso judicioso da madeira (10 meses sur lie): limpo, mineral, delicado, remete aos cânones da variedade branca mais importante que se tem conhecimento. Tem balanço, elegância e frescor. Notas florais, cítricas, coco, baunilha, abacaxi maduro num fim-de-boca empolgante e prometedor. Nítido acento mineral num estilo que recorda um bom Chablis. Ainda jovem, sem evolução, sem amargor, dá sinais de ser um branco longevo. Avaliação: 90/100 pts.

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Casa Grande Arte y Viña Tannat 2015 – Álcool: 13% – Região: Canelones – vermelho-rubi com reflexo violáceo intenso. Aromas herbáceos típicos da variedade sobre um fundo terroso. Na boca é vinho de médio corpo, cujos taninos estão presentes conferindo-lhe alguma adstringência, acidez e álcool em harmonia. Notas de fruta cozida e um discreto amargor no fim-de-boca completam o conjunto deste Tannat de boa tipicidade, sem passagem por madeira. O mais fácil de beber do painel. Avaliação: 88/100 pts.

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Ombú Tannat 2015 – Álcool: 13,6% – Região: Piedra del Toro/Atlántida/Canelones – violáceo intenso, profundo, essa intensidade de cor intensa é típica da variedade. Aberto e intenso nos aromas com framboesa sobre um leve fundo herbáceo. Na boca é tânico, mas a boa acidez e o álcool integrando dão suporte e equilíbrio ao conjunto. Fácil de beber, um típico Tannat, bem feito, alegre e vivaz. O vinho de melhores aromas do painel. Avaliação: 89/100 pts.

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El Legado Tannat Reserva 2015 – Álcool: 13% – vinho amadurecido em barricas de carvalho francês e americano de segundo e terceiro usos, de cor intensa, profunda, quase opaca. Perfil aromático incomum para um Tannat por conta da profusão de frutas vermelhas e negras sobre baunilha e tostado. Na boca, uma verdadeira bomba de cereja ao licor de tão apetecível que é! Taninos aveludados, acidez correta e álcool na medida formam o tripé deste suculento e delicioso Tannat, repleto de camadas de sabor envoltas num frescor acima da média. Segundo Bernardo Marzuca, este Tannat não passa por grandes macerações e as uvas são cultivadas pelo sistema “cordon vertical libre” que garante sanidade priorizando sua qualidade. A madeira está judiciosamente bem colocada, com doze meses de amadurecimento em barricas americanas e francesas. O vinho de melhor acidez do painel. Avaliação: 90-91/100 pts.

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Antigua Bodega Stagnari Tannat  “Santos Lugares” 2013 – Álcool: 13,5% – quase retinto na cor intensa, profunda. Intenso aromaticamente, notas de barrica fundem-se ao tons vegetais típicos da Tannat resultando em aromas levemente caramelados. Depois de algum tempo alcatrão e café torrado. Paladar encorpado, denso e volumoso, como convém ao Tannat. Não é repleto de fruta, mas seu taninos aveludados, álcool integrado, acidez razoável  formam um tripé equilibrado. Um vinho cheio de classe e distinção. O vinho que teve a “melhor boca” do painel. Avaliação: 91/100 pts.+

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Conclusão –

O grande vencedor da degustação foi o vinho elaborado com a Tannat, cepa originária do Madiran francês e muitíssimo bem adaptada ao terroir atlântico do Uruguai. A cada safra os vinhateiros cisplatinos demonstram competência no manejo desta intricada variedade. Não só procurando variedades para serem parceiras, mas também na escolha de terroirs apropriados para a Tannat. O resultado são vinhos agradáveis, potentes e de sabor contundente, sem agredir o paladar. Nunca é demais dizer que a Tannat é uma das uvas mais saudáveis para a nossa saúde. Nesse sentido verifique o artigo publicado anos atrás neste blog: http://blogdojeriel.com.br/2012/04/tannat-saude-uva-emblematica-do-uruguai-produz-vinhos-interessantes-que-lutam-por-espaco-nas-prateleiras-de-todo-o-mundo/

Tannat

Na degustação ficou evidenciado os estilos dos vinhos: o Casa Grande Arte y Vina exibiu perfil tradicional, já o Ombú BraccoBosca mostrou perfil moderno, ostentando uma paleta de aromas agradáveis e, num outro patamar, o El Legado, um Tannat de ótima acidez e fluidez no paladar e, finalmente,  aquele que na nossa opinião conseguiu ser uma síntese dos estilos vigentes: o excelente Stagnari Tannat “Santos Lugares”, um vinho encorpado, suculento, intenso e que, a cada gole, te convida para o próximo. Beba vinho. Beba Tannat!!

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