Você sabe o que é um “vinho marítimo”?

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Muitas das características essenciais dos vinhos provém do tipo de solo e do clima. A combinação de ambos é o que normalmente denominamos terroir. Pablo Rodríguez Mezzetta para Bodegas del Uruguay apresenta quatro exemplares uruguaios com características marítimas para que possamos reconhecer a influência destes fatores.

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Por Pablo Rodríguez Mezzetta para Bodegas del Uruguay

Vamos começar pelo básico: o que são mesmo os “vinhos marítimos”?

Normalmente, são os vinhos de vinhedos que têm alguma proximidade com o mar, que tem influência diretamente sobre o clima. Enquanto que o verão nas regiões continentais (interior – exemplos do Uruguai: Durazno, Rivera, Salto) existem temperaturas que oscilam entre 35 ° a 40 ° C durante o dia,  em áreas costeiras estas temperaturas máximas podem ser  até 5 ° C mais baixas.

Além da baixa significativa trazida pela brisa do mar durante o dia, as noites são muito mais frias, pela mesma razão, fazendo com que a videira descanse prolongadamente durante a noite e que o amadurecimento das uvas seja muito mais lento do que em outras regiões, o que é benéfico para ensejar vinhos de boa concentração com um perfil de aromas diferentes e definidos.

Embora não seja um aspecto climático, deve acrescentar-se que a zona costeira de influência mais oceânica para a produção de vinho no Uruguai tem sido importante e solos com alto conteúdo de pedra, acrescentam assim uma nova característica de peso e diferencial para a zona, já que ajudam a evacuar rapidamente o excesso de água após chuvas que tão mal fazem ao fruto da videira durante o amadurecimento.

Para entender mais sobre isso, recomendamos alguns vinhos claramente representativos deste estilo cada vez mais procurado:

Albarino

Garzón Albariño Reserva 2016 | Bodega Garzón

Este branco dispensas apresentações. Trata-se de um verdadeiro clássico dentro do portfólio desta adega. Um gosto pessoal, é um dos Albariños locais com perfil aromático e boca mais parecida com os similares “galegos”. Estabelecida há pouco mais de 18 km do Oceano Atlântico, no departamento de Maldonado, estas vinhas em encostas ensejam a produção de um vinho aromaticamente refrescante e saboroso, com muitas notas cítricas que variam de acordo com a temperatura na qual é servido, lembrando até toranja/grapefruit. Na boca, a acidez persistente e afiada e o corpo pleno beneficiado pela fermentação “sur lie”, vão te dar vontade de acompanhá-lo com deliciosos espetinhos de camarão com molho cítrico com uma taça…ou duas.

Arneis

Viñedo de los Vientos Arneis Chardonnay 2016 | Viñedo de los Vientos

Desde o começo é um vinho diferente. Porque estamos falando de um corte de uma variedade desconhecida como Arneis com a rainha das brancas, Chardonnay. Arneis é uma variedade altamente resistente à geada e doenças clássicas das videirais. Originária do norte da Itália, mais precisamente onde pontifica tinto piemontês Barolo. Cultivada por Pablo Fallabrino, em um esforço para elaborar vinhos diferentes, hoje Pablo é o único a tê-la no Uruguai e, possivelmente, o único na América do Sul. E, por falar, em influência marítima direta este é um dos melhores exemplos. A adega está localizada em Atlantida, Canelones, a poucos quilômetros da costa, isto somado à posição da vinícola ao terreno, que gera um constante “tubo” de ventos que honra o nome da vinícola “Viñedo de Los Vientos”.

Este corte é brilhante, com uma combinação de volume e frescura na boca, atingindo um final refrescante, com uma sensação ligeiramente salina. Apronte-se para acompanhá-lo com frutos do mar, você não vai se arrepender.

Oriental

Sierra Oriental Tannat 2011 | Sierra Oriental

Sierra Oriental tem um punhado de vinhos sob o seu cinto, realizado sob a supervisão do enológo Juan Andrés Marichal. As vinhas de onde procedem estão localizadas em José Ignacio, Maldonado, lugar onde se adaptaram muito bem os cultivos de Sauvignon Blanc, Pinot Grigio e Tannat, entre outras, dominada por solos de granito rosado, aportando uma mineralidade interessante aos seus vinhos. A combinação de resultado do solo e costa resulta num Tannat de aromas clássicos, encorpado em decorrência da lenta maturação, de taninos saborosos com “camadas” muito suaves ao final, aromas tostados e especiarias por força do curto amadurecimento em carvalho francês. Delicioso Tannat Esteño.

Alto Ballena

 

Alto de la Ballena Merlot 2012 | Alto de la Ballena

Outro clássico de Maldonado, e ainda mais clássico em termos de Merlot. Esta bodega criada e dirigido por Paula Pivel e Álvaro Lorenzo, está localizada na Sierra de la Ballena, de onde tira o seu nome. Seu solo franco* pedregosos, bem drenados e com muito boa inclinação, transformam a bodega em um lugar altamente recomendado para visitar em noites de verão para se assistir o deslumbrante pôr do sol.

Indo diretamente ao vinho, este Merlot é colhido e elaborado através de baixas produções e amadurecido em carvalho francês por cerca de 12 meses. É um excelente Merlot, seus aromas ocultos se revelaram em poucos minutos com diversas camadas de aromas. Na boca mostra boa estrutura e sua acidez acentuada nos diz que é um vinho de longa vida pela frente. Uma nova demonstração de que os Merlot do Uruguai tem um potencial incrível.

Denomina-se franco o solo composto por mistura de areia (impede que seja compacto), argila (retém umidade) e limo (matéria orgânica para o desenvolvimento de vegetação). Quando se destacam termos como franco-argiloso ou franco-arenoso, isso significa que existe nesta composição um aumento da percentagem de argila ou areia.

Traduzido para o português (Brasil) por Jeriel da Costa, que foi autorizado pelo autor a fazer essa tradução. Proibida a reprodução sem autorização.

Fonte: http://www.bodegasdeluruguay.com.uy/notas/leer/que_es_un_vino_maritimo

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