Expovinis 2017 – A longevidade dos vinhos Cordilheira de Sant’anna

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A vinícola gaúcha Cordilheira de Sant’ana está estabelecida bem próxima da divisa com o Uruguai (10 km), na Vila Palomas, subdistrito Palomas, município de Santana do Livramento, numa região importante para a vitivinicultura do RS,  a Campanha Gaúcha que se caracteriza por imensas planícies de clima mais continental do que tropical, região na qual as uvas tintas encontram solo e temperatura favoráveis, fazendo dessa sub-região uma das mais interessantes do país para a produção em larga escala e, possivelmente, mecanizada (Guia Adega Vinhos do Brasil). A vinícola é pequena, possui apenas trinta barricas de carvalho americano e francês, capacidade para armazenar 200.000 litros, vinifica para outras pequenos produtores e aceita visitantes a qualquer hora do dia. Pertence ao casal Gladistão Omizzolo e Rosana Wagner, ambos profissionais com larga experiência no setor e conhecidos por produzirem vinhos longevos que se destacam por sua tipicidade, como será visto em seguida, consoante impressões colhidas no dia 07.06.2017, no estande da vinícola na Expovinis, quando fomos recebidos pela proprietária Rosana Wagner, esclarecendo que em SP os vinhos poderão ser encontrados na importadora KMM  – http://www.kmmvinhos.com.br/paises/brasil/cordilheira-de-santana-campanha-gaucha/

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Cordilheira de Sant’ana Chardonnay 2014 – álcool: 13,5% – região: Santana do Livramento – amarelo brilhante com reflexo na transição para dourado. Nariz típico dos Chardonnays barricados com predomínio de notas abaunilhadas e amanteigadas sem encobrir, no entanto, a fruta (abacaxi maduro e carambola). Na boca, as notas de baunilha também estão nítidas mas dão espaço para fruta tropical madura como abacaxi, pêssego e carambola, com o frescor dando vida e prazer a este gostoso Chardonnay, untuoso, elegante e profundo. Retrogosto longo. Avaliação: 89/100 pts.+

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Cordilheira de Sant’ana Gewürztraminer 2012 – álcool: 12% – região: Santana do Livramento –coloração amarelo-palha claro esverdeado, sem turbidez e sem denotar idade. Nariz de notável tipicidade com notas de flores brancas, lichias, pétalas de rosa e mel. Boa intensidade aromática. Na boca, apresenta boa acidez que resulta no bom frescor, notas cítricas num branco de corpo médio. Apresentou boa persistência gustativa e subscreve integralmente as sensações olfativas, sendo seguro afirmar que seu grande destaque é a sua tipicidade que praticamente faz dele uma referência no Brasil, habilitando-o a enfrentar os raros exemplares produzidos a partir desta casta na América do Sul. Avaliação: 88/100 pts.

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Cordilheira de Sant’ana Merlot 2008 – álcool: 13% – região: Santana do Livramento – degustado pela primeira vez na vinícola em 5 de março de 2013 (portanto há mais de quatro anos), agora exibiu vermelho-rubi violáceo de média concentração com reflexo atijolado. Nariz aberto de nítido perfil terciário com um leve toque de ameixas. Vinho macio, de corpo médio e acidez média, ainda exibindo alguma fruta e com fim de boca razoavelmente persistente. Evoluiu muito bem na garrafa sem dar sinais de cansaço. Avaliação: 87/100 pts.

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Cordilheira de Sant’ana Cabernet Sauvignon 2008 – álcool: 13,2% – região: Santana do Livramento – degustado pela primeira vez na vinícola em 5 de março de 2013, agora exibiu vermelho-rubi violáceo com halo granada. Nariz complexo com notas animais sobre um fundo herbáceo com ampla sustentação na taça. Na boca é um vinho limpo, harmonioso e de boa densidade, de taninos polidos e arredondados pela longa permanência na garrafa, com notas de café e tabaco, final médio/longo agradável. Apresentou boa persistência gustativa e tipicidade da casta, muito bem adaptada à região. Avaliação: 89/100 pts.

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Cordilheira de Sant’ana Tannat 2005 – álcool: 13,7% – variedades: Tannat (85%), Cabernet Sauvignon (10%) e Merlot (5%) – região: Santana do Livramento – degustado pela primeira vez na vinícola em 5 de março de 2013, agora exibiu vermelho-rubi profundo, límpido e brilhante com reflexo atijolado nas bordas. Nariz intenso e delicado, de boa tipicidade, complexidade e persistência olfativa, apresentando notas vegetais, balsâmicas e frutadas – amoras, framboesas e ameixas sobre tostado. Na boca, exibe taninos firmes (próprios da variedade que neste vinho são de ótima qualidade), acidez presente, madeira bem casada com a fruta, equilíbrio do tripé álcool, acidez e taninos, formando um conjunto harmônico que exibe, sobretudo, as características da varietal. O retrogosto é médio/longo, com refrescantes notas mentoladas e sem amargor. Vinho longevo, cujos taninos estão bem maduros. A sua estrutura pede uma boa parrillada como acompanhamento. Segundo a enóloga que o elabora, este vinho amadurece por dezoito meses em barricas de carvalho americano sendo um dos principais da vinícola. Como já salientado, os vinhedos ficam na região da Campanha Gaúcha (RS), há apenas dez quilômetros de distância da divisa do Brasil com Uruguai, país que adotou, com sucesso, a Tannat e este exemplar nacional não fica devendo nada em qualidade aos vinhos daquele país, da Serra Gaúcha e das demais regiões vinícolas brasileiras. Está num excelente momento para ser bebido. Avaliação: 89-90/100 pts.+

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