Tannat Tasting Tour São Paulo 2017

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Wines of Uruguay promoveu em SP, no dia 22 de agosto de 2017, evento denominado Masterclass – Tannat Tasting Tour São Paulo com a presença de mais de vinte e nove produtores do Uruguai. É bom destacar que o evento, contou com a colaboração da CH2A Assessoria de Imprensa, tendo sido conduzido pelo especialista e Presidente INAVI, José María Lez. Além de profissionais, jornalistas, blogueiros e demais formadores de opinião, estiveram presentes representantes das vinícolas:

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Alto de la Ballena, Antigua Bodega Stagnari, Ariano, Artesana Winery, Bracco Bosca, Casa Grande Arte y Viña, Castillo Viejo, El Capricho, Establecimiento Juanicó, Familia Dardanelli, Familia Traversa, Finca Narbona, Garzón, H. Stagnari, Juan Toscanini e Hijos, Marichal, Montes Toscanini, Pisano, Pizzorno Family States, Rodríguez Bidegain, Viña Éden Viña Progreso. A seguir descrições e avaliaçoes dos vinhos na ordem de serviço da degustação:

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El Capricho Tempranillo Reserva 2015 – sem importador – coloração violácea de reflexo púrpura. Um pouco fechado nos aromas. Na boca, exibiu taninos presentes de boa qualidade, boa salivação (acidez). Não é muito concentrado, mas tem fruta que não está prejudicada pela passagem por madeira (dez meses de carvalho francês e americano). Quente, termina com média persistência. Avaliação: 88/100 pts.

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Ombú Cabernet Franc 2016 – álcool: 14% – região: Piedra del Toro/Atlantida/Canelones – Domno importadora – vermelho-rubi intenso, brilhante, profundo sem halo de evolução. Aberto, intenso e elegante nos aromas com a fruta vermelha sobressaindo sobre um fundo a lembrar terra úmida. Depois de algum tempo na taça apresentou o toque herbáceo característico da Cabernet Franc, mas com elegância. Paladar poderoso, equilibrado, taninos aveludados que encontram suporte na acidez plena e no álcool integrado. Aliás, o frescor decorre da distância relativamente curta do mar – apenas 8 km – e também da perfeita comunhão entre fruta e madeira (oito meses de carvalho francês e americano de segundo uso), com a primeira assumindo o papel de protagonista num dos melhores exemplares da casta no Uruguai. O tipo de vinho de grande plenitude, bem delineado, sem arestas. O fim de boca é longo, persistente, marcado pela fruta. Avaliação: 91/100 pts.+

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Alto de La Ballena Tannat Viognier Reserva 2013 – Importador: La Charbonnade – é consabido que a Tannat não é uma uva aromática. Normalmente seus aromas são vegetais, verdosos, herbáceos. Quando tem fruta recorda framboesa.  Aqui a ideia de adicionar uma pitada da aromática Viognier parece seguir uma receita tradicional no Vale do Rhône que sempre deu certo. Análise organoléptica: quase retinto na cor. Aromas complexos com notas florais (violetas) sobre um fundo que recorda framboesa. Na boca subimos mais um degrau. Tânico (ótima textura), macio, álcool generoso, boa expressão de fruta (passa nove meses em carvalho americano) num final empolgante que promete ganhar com o tempo na garrafa, até porque 2013 foi uma boa safra na região. Avaliação: 92/100 pts.+

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Atlantico Sur Tannat 2015 – Região: Canelones – importador: Interfood – Profundo e intenso na cor impenetrável de reflexo púrpura. Nos aromas é quase unidimensional. Apenas um traço de framboesa sobre um discretíssimo floral. No paladar subimos um degrau. A madeira está presente mas não tripudia sobre a fruta. Os taninos também estão no lugar certo sem incomodar. Seco, tem “nervo” e a esperada “suculência” que se espera de um Tannat que é elaborado com uvas de cinco vinhedos; a acidez contrabalança o conjunto, que tem alguma fruta negra. O final é longo, marcado por ligeira adstringência que vinca sua tipicidade. Avaliação: 88/100 pts.+

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Familia Dardanelli Reserva Familiar Tannat 2016 – sem importador – Mais intenso na cor, aromas lácteos e herbáceos, no paladar os taninos da variedade são notados com facilidade sem incomodar, ligeiramente adocicados Enfim, um Tannat fácil de beber, de boa tipicidade e final persistente. Avaliação: 89/100 pts.

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Viñedo de Los Vientos Tannat Anarkia 2016 importador: wine.com.br – Um mínimo de intervenção neste Tannat sem leveduras selecionadas ou conservantes. Isto é essencial para a sanidade da vinha, e esta na mesma tendência do clima. Anarkía foi uma ideia que Pablo Fallabrino tinha em mente há algum tempo, mas veio à luz em 2016 impulsionada pelo fato de que era uma boa colheita, o que permitiu intentar sua realização. Vinho poderoso desde sua cor intensa de grande extração – quase negro. Aromas ricos de ameixas maduras e groselha. O melhor é a boca. Estruturalmente rica, taninos doces e boa persistência final. A tampa de rosca contribui para a manutenção de seu frescor por mais tempo. O texto retro é de autoria de  Pablo Rodríguez Mezzeta. A avaliação que segue é nossa: 90-91/100 pts.

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Garzón Tannat Single Vineyard 2015 – importador: World Wine – Violáceo intenso com reflexo púrpura. Aromas de frutas vermelhas e negras maduras, com ênfase na ameixa e licor de cacau. Quente, concentrado, saboroso, com equilíbrio impressionante entre a riqueza de seus taninos e a potência dos sabores frutados, este vinho revela todo seu potencial gastronômico por conta de sua acidez intensa. Álcool elevado, mas a acidez consegue amenizar parte dessa sensação. Largo e profundo no meio de boca, a madeira não incomodou (seis meses em carvalho francês). O fim de boca é amplo, suculento, quase guloso. Avaliação: 89-90/100 pts.

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H. Stagnari Tannat Dayman 2014 – importador: Cantú – púrpura com reflexo roxo nas bordas. Aberto nos aromas com notas florais (violetas), geleia de framboesa sobre leve baunilha. Na boca sua entrada revela um vinho de taninos poderosos, intensos, sem agredir o paladar, discretamente adocicados. De grande concentração de sabor, mastigável, alcoólico e acídulo, seu conjunto logo se impõe, eis que a madeira não subjuga a fruta que se manifesta na forma de notas de ameixas. De longa permanência, seu retrogosto é marcado por notas de chocolate. Pede comida, notadamente carne de cordeiro e costela bovina. Avaliação: 90-91/100 pts.+

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Ariano Don Julio Ariano Tannat 2013 – Variedades: Tannat, Merlot e Syrah – vermelho-rubi com reflexo violáceo brilhante. No olfato um toque vegetal ao lado de notas discretamente frutadas. Na boca a sua entrada revelou um tinto potente, expansivo, taninos presentes, boa acidez e álcool generoso. Potente, tem a rusticidade típica da variedade. Termina seco, sem amargor.  Avaliação: 89/100 pts.

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Juan Toscanini Adagio Espresivo 2013 – sem importador para a região Sudeste – exibiu cor violácea intensa, límpida e brilhante com halo granada em formação. Notas vegetais e de caramelo (bala toffee) revezaram-se entre si nos aromas. Na boca taninos macios e boa integração entre fruta e madeira (13 meses de amadurecimento em barricas de carvalho americano e francês de primeiro, segundo e terceiro usos). Maduro, rústico, intenso, é um tinto agradável, bem feito que não custa muito, portanto, tem relação preço-qualidade e tipicidade. Avaliação: 89/100 pts.

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Viña Progreso Tannat Gran Reserva 2013 – Importador: Vinci – Mais  um  magnífico Tannat, de cor intensa, sem evolução, aromas complexos com alcaçuz, mentol, ligeiro láctico sobre notas de evolução que se repetem no paladar denso e volumoso, com uma profusão de taninos finos que lhe conferem personalidade única, sem rusticidade, ao contrário, muito sofisticado. Um verdadeiro Tannat dotado de várias camadas de sabores que mais uma vez se destacou no verdadeiro mar de tannats que foi a degustação. Avaliação: 91-92/100 pts.+

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Marichal Grand Reserve “A” Tannat 2013 – álcool: 13,5% – região: Canelones – importador: Ravin – elaborado à partir de uvas de vinhedos de baixa produção retiradas das melhores parcelas, amadurecido durante dezoito meses em barrica de carvalho francês novo, é um vinho de cor violácea com reflexo púrpura, com boa fruta no nariz (framboesa, cereja e amora) sobre um fundo que remete a licor de cassis, taninos macios, ótima concentração de sabor num tinto longo, profundo, que ainda se apresenta jovem, portanto, deve evoluir na garrafa nos próximos anos, com fim-de-boca rústico, tradicional, que respeita os cânones da variedade. Avaliação: 91/100 pts.+

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De Lucca Rio Colorado 2011 – Variedades: Cabernet Sauvignon (50%), Tannat (30%) e Merlot (20%) – Álcool: 13,3% – importador: Premium – O Rio Colorado é um dos vinhos mais conhecidos do Uruguai. Na taça exibiu cor vermelho-rubi violáceo brilhante com halo de evolução. Aromas complexos prevalecendo ervas aromáticas, frutas negras, caramelo sobre um fundo terroso. Na boca, taninos de ótima qualidade, bom balanço entre álcool, acidez e fruta eis que nem se percebe sua passagem por 18 meses de barrica. O estilo novamente é Velho Mundo, carnudo, harmonioso, limpo e de bom frescor.  Avaliação: 90-91/100 pts.

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J. Carrau “Amat” 2011 – Álcool: 13,5% – Variedade: Tannat – Região: Cerro Chapéu/Rivera – importador: wine.com.br – vinho amadurecido vinte quatro meses em barrica de carvalho em seguida afinado doze meses em garrafa. A safra 2011 foi excelente no Uruguai. Análise organoléptica: vermelho-rubi intenso quase sem evolução. Nariz pouco intenso mas com toque herbáceo fino sobre um fundo balsâmico. Melhor na boca ampla, complexa, com taninos de excelente qualidade. Vigoroso, maduro, harmônico e de final seco, sem amargor ou adstringência, com leve acento mineral e com muita vida por vir na garrafa. Um dos vinhos de perfil nítidamente mais clássico do painel. Avaliação: 90/100 pts.+

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Axis Mundi Tannat 2011 – importador: Mistral – vinho ícone que já foi avaliado positivamente por Jancis Robinson com 18,5/20 pts. (safra 2002). Produzido somente em safras excepcionais (2002 e 2011), mais uma vez não defraudou as expectativas. Toda opulência da Tannat num meticuloso processo de vinificação que resultou neste vinho retinto com uma leve unha granada, sedoso, macio e gentil mas que nem por isso perdeu a identidade. Aqui mais uma vez a rusticidade da Tannat está presente e isso é uma garantia de sua tipicidade, tendo como contraponto a madurez da fruta. Os aromas também são clássicos com a framboesa se revezando com licor de cassis. Equilibrado, aveludado, expansivo, praticamente sem arestas, vai ganhar complexidade na garrafa na sua longa evolução. Avaliação: 91-92/100 pts.++

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Conclusão –

O Tannat Tasting Tour fez sucesso em São Paulo com a participação recorde de vinte e nove vinícolas. A seguir seis Tannats e um Cabernet Franc que se destacaram: 1° lugar – o equilibradíssimo Alto de La Ballena Tannat-Viognier 2013 – 2° lugar Viña Progreso Tannat Gran Reserva 2013 – 2° lugar Pisano Axis Mundi 2011 – 3° lugar Marichal Grand Reserve 2013 – 4°lugar H. Stagnari Dayman 2014 – 5° Viñedo de Los Vientos Tannat Anarkia 2016O Ombú Cabernet Franc participou da degustação e confirmou nossas avaliações. Enfim, a Tannat evolui a passos largos rumo ao pódio. Antes seus vinhos eram duros, tânicos, de baixa acidez e dominados por notas herbáceas; hoje são vinhos intensos, aromáticos, potentes, que conseguem conciliar de forma única potência, elegância e rusticidade. Sem falar que são vinhos de altos índices de substâncias que contribuem beneficamente para a nossa saúde se bebidos com moderação. Visite o Uruguai e beba Tannat!!

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