Degustação Vertical de Quinta do Vallado safras 2000, 2004, 2005 e 2006

No dia 24 de setembro de 2017, no Aranda Asador y Tapas, os membros da Confraria Esvaziando a Adega reuniram-se para degustar, às cegas, uma vertical de Quinta do Vallado Reserva – safras 2000, 2004, 2005 e 2006. Estiveram presentes além deste redator, Lucas, José Luiz, Melissa e Clóvis. Convidado: Eduardo Morya – 

A Quinta do Vallado está localizada em Vilarinho de Freires, no centro do Douro, perto de Peso da Régua, cidade mais importante da região do Alto Douro e está implantada nas duas margens do rio Corgo, perto do ponto em que se une ao rio Douro. Com 38 ha de vinha com idades entre os 6 e os 10 anos, compensada por 26 ha das melhores parcelas da vinha com mais de 60 anos, gerida pela dupla Francisco Ferreira (gestão agrícola e administrativa) e João Álvares Ribeiro (área comercial), conta ainda com a ajuda do enólogo Francisco Olazabal. São todos familiares e descendentes da lendária Dona Antônia Adelaide Ferreira, que viveu no século XIX e historicamente ficou conhecida como a “Dona Ferreirinha”, empresária que dedicou a sua vida à cultura da vinha e à produção de vinho, no Douro. Por fim, cabe salientar que esses vinhos figuram nas listas das principais revistas de vinhos européias e da Wine Advocate (Robert Parker) e Wine Spectator em razão de suas altas pontuações. A seguir as descrições e avaliações dos vinhos degustados:

2006  – primeiro lugar

2004  – segundo lugar

2000  – terceiro lugar

2005  – quarto lugar

Quinta do Vallado Reserva DOC Douro 2000 – Variedades: Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz – Álcool: 14,5% – Importador: Expand – garrafa adquirida no dia 20.10.2004, exibiu cor profunda com ligeira turbidez e reflexo acastanhado nas bordas. Nariz complexo com notas florais (violetas) sobre um fundo tostado aportado pela barrica (francesa). O perfil é terciário mas não corresponde há um vinho de quase dezoito anos. Na boca a sua entrada revelou um vinho cujos taninos foram amaciados pelo tempo, com boa notas empireumáticas e um leve toque de madeira. Corpo e acidez harmonizados num final seco, sem arestas. Um bom tinto, que sentiu menos a passagem do tempo relativamente aos exemplares das safras posteriores. Um vinho de notável consistência, basta observar as avaliações dos críticos internacionais, chegou bem aos dezessete anos com estrutura para chegar aos vinte! Avaliação: 91/100 pts.

 

Quinta do Vallado Reserva DOC Douro 2004 – Variedades: Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão – Álcool: 14% – Importador: Expand – profundo na cor com reflexo violáceo sem indicar evolução apesar de seus catorze anos. Nariz de perfil nitidamente terciário com notas empireumáticas, frutas secas, couro e tabaco sobre um fundo tostado aportado pela barrica (dezessete meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês novas). Na boca, a sua entrada revelou um vinho de taninos presentes de boa textura, solidamente estruturado e com álcool integrado. Um tinto encorpado que termina longo, seco, sem arestas. O segundo melhor vinho da degustação. Avaliação: 92/100 pts.+

Quinta do Vallado Reserva DOC Douro 2005 – Variedades: Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz – Álcool: 14% – Importador: Expand – profundo na cor com reflexo violáceo sem indicar evolução. Nariz fechado, pouco intenso e repleto de notas de evolução. Na boca, a sua entrada revelou um vinho que se distinguiu dos demais pelo corpo magro e pela simplicidade do conjunto que já dá sinais de cansaço. Taninos com alguma aspereza, toques lácteos e final seco, pouco persistente. Ficou em último lugar na degustação por lhe faltar vitalidade. Avaliação: 88-89/100 pts. 

Quinta do Vallado Reserva DOC Douro 2006 – Variedades: Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão – Álcool: 14,5% – Importador: Cantu – profundo na cor evoluída com nítido halo granada. De longe o vinho de cor mais evoluída da vertical. Muito complexo no nariz. Chega a ser multifacetado. O ataque inicial evocou frutas negras. Depois notas de chocolate aportadas pela passagem por barricas. Mas não foi só isso. Toques medicinais e mentolados revezaramse entre si para ceder espaço para leve terroso. Na boca verificamos a total subscrição das sensações olfativas, com boa fruta e um leve toque de madeira. Taninos finos, acidez plena, muita potência, álcool generoso sem desequilibrar o conjunto, corpo e acidez sintonizados num final seco (longe de ser austero), sem arestas. Um tinto de grande longevidade que é um verdadeiro paradigma, que se destaca na qualidade e também nas avaliações dos críticos internacionais por sua notável consistência. Tem muita vida na garrafa pela frente. Avaliação: 93/100 pts. +

Vertical de Vallado DOC:

Esvaziando a Adega – Vertical de Quinta do Vallado DOC Douro 2004, 2005 e 2007

Outros vinhos degustados:

Kooch Pinot Noir Colección 2008 – Álcool: 13,5% – Região: Patagônia – à venda no empório de vinhos & livros  tel. 11 3257–4362 – vermelho–rubi esmaecido sem turbidez, cor bem típica da variedade. Aromas abertos com notas de evolução (couro, tabaco), bala toffee sobre um fundo terroso. No paladar, sua entrada revelou um Pinot de taninos bem macios, acidez delicada, uma ponta de álcool (sensação de doçura) e de madeira encerrando um vinho poderoso, de grande personalidade. Tem uma excelente estrutura e a elegância esperada de um vinho dessa variedade. Está no apogeu. Avaliação: 89/100 pts. 

 

 

Espumante Gran Legado Brut Champenoise – Variedades: Chardonnay e Pinot Noir  Amarelopalha na transição para dourado, perlage fina e delicada. Olfativo bem característico dos espumantes nacionais dominado por frutas brancas e cítricas emolduradas por notas de pão e tosta. Paladar firme, elegante, vivaz, largo, com boa acidez (frescor), evoluindo para uma fimdeboca pleno, macio, distinto e marcante. Avaliação: 89–90/100 pts.

CONCLUSÃO –

Longevidade, elegância e equilíbrio. Essas são as maiores virtudes do Quinta do Vallado Reserva, um dos melhores tintos durienses. Na vertical ficou sobejamente provado que o tempo passa bastante devagar para este opulento tinto português. À corroborar essa assertiva verificamos que o mais antigo da vertical – 2000, demostrou vigor aos dezessete anos.  Atualmente importado por P.P.S. importadora, é o tipo de vinho cujo o tempo na garrafa concorre a seu favor. Vale à pena ter algumas safras na adega para acompanhar sua evolução. De fato um vinho que está à altura da sua fama.

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