No último dia 17 de janeiro, a importadora WineNetWork apresentou seus vinhos em São Paulo, no Aranda Asador & Tapas. A degustação foi conduzida por Márcio Moualla. A WinetNetwork tem por foco os vinhos chilenos de pequenos produtores ou “garagistas” e seu escopo assim se resume: “Winetwork – conexão do produtor com o cliente sem intermediários”. A seguir nossas impressões/avaliações dos vinhos degustados:

Garcia + Schwaderer Marina Sauvignon Blanc 2015 – Álcool: 13,5% – Região: Vale de Casablanca – Preço estimado para São Paulo: R$ 89 – Palha translúcido. Intenso nos aromas com notas de fruta tropicais – pêssego, maracujá sobre um fundo cítrico. Paladar seco, mineral com a acidez dando o tom: um branco macio, de caráter marítimo, equilibrado confirmando o caráter mineral e frutado dos vinhos do Vale de Casablanca. Final persistente.  Avaliação: 90/100 pts.

 

Garcia + Schwaderer Sofía Pinot Noir 2013 – Álcool: 13,9% – Região: Vale de Casablanca – Preço estimado para SP: R$ 150 – as uvas deste Pinot são oriundas de um vinhedo de 3,4 hectares no Vale de Casablanca onde apenas 1.000 caixas são produzidas. Na taça exibiu a cor típica da variedade, vermelho-rubi esmaecido com halo granada em formação. Aberto, intenso nos aromas exibindo sugestões de frutas vermelhas “tutti-fruti”, uma pitada de especiarias sobre um fundo mineral. Boca no mesmo diapasão. Aqui os taninos são como devem ser: muito macios, o álcool não incomoda e a acidez faz a sua parte arredondando o conjunto. Enfim, um Pinot equilibrado, de excelente tipicidade, pronto para ser bebido. Avaliação: 90-91/100 pts.

Balance Gran Reserva D.O. Maipo Alto 2009 – Variedade: Cabernet Sauvignon – Álcool: 14,4% – Região: Alto Maipo/Huelquen – Preço estimado para São Paulo: R$ 89 – As uvas Cabernet Sauvignon são provenientes de um vinhedo de 17 anos de apenas 1,7 hectares no Alto Maipo – melhor região no Chile para essa variedade. Análise organoléptica: na taça um tinto de cor intensa, que leva a assinatura de ninguém menos como o Enólogo Alvaro Espinoza, com ligeiro halo de evolução, mas é nos aromas e no paladar que realmente o vinho se mostra: notas balsâmicas, couro, tabaco, fruta em compota, licor de cassis, enfim tudo entrelaçado harmonicamente. Paladar a confirmar os aromas, taninos aveludados, acidez correta, uma pontinha de álcool, notas de chocolate (14 meses de amadurecimento em barricas novas “Taransaud”) num fim de boca macio, de média persistência, que apesar de já estar pronto tem vida na garrafa pela frente. Vale muito o preço!  Avaliação: 90/100 pts.+

Garcia + Schwaderer Mourvèdre 2015 – Álcool: 13,9% – Variedades: Mourvèdre (95%) e Grenache (5%) – Região: Vale de Itata – aqui a produção é ainda menor que a dos vinhos anteriores – singelas 70 caixas oriundas de uvas de apenas um vinhedo “Pedra Lisa” no Vale de Itata – Sul do Chile. Análise organoléptica: cor intensa denotando juventude. Os aromas – medianamente intensos – remetem a licor de cassis e especiarias. Na boca, os taninos da Mourvèdre chamam a atenção sem incomodar. Uma ponta de álcool, acidez razoável e corpo pleno. Não tem muita fruta, mas exibe a tipicidade desta importante variedade que desempenha papel estruturador nos vinhos da costa do mediterrâneo – notadamente Espanha (Monastrell) e França. Vale à pena conhecê-lo. Avaliação: 89/100 pts.    

Garcia + Schwaderer Grenache 2013 – Álcool: 13,9% – Variedades: Grenache (85%) e Mourvèdre (15%) – Região: Vale de Itata/Pedra Lisa – aqui a produção é um pouco maior – 110 caixas – elaborado com uvas de parreiras centenárias do vinhedo Pedra Lisa, conduzidas “en cabeza”, no secano interior – Sul do Chile, é um tinto fresco, de acidez vibrante, taninos firmes, do tipo “granulados”, complexo, de muitas camadas, que enche a boca exibindo frutas negras com intensidade e alguma elegância na boca e que termina longo, carnudo. Um Grenache de ótima tipicidade no Chile. Avaliação: 90-91/100 pts.

 

Flaherty Wines Aconcágua 2014 – variedades: Syrah (60%), Cabernet Sauvignon (30%), Petite Syrah, Malbec  e Tempranillo (10%) – álcool: 14,5% – região: Aconcágua – amadurecido em barricas durante 19 meses – aqui a produção também é pequena: “vinho de autor” – das trezentas caixas duzentas são destinadas ao Brasil. Um chileno de grande categoria elaborado por um enólogo não menos importante, o reconhecido winemaker americano que participou de grandes projetos: Ed Flaherty já atuou no Projeto Opus One (Robert Mondavi) e também foi o primeiro enólogo a fazer o conceituado Seña – aquele mesmo vinho que periodicamente enfrenta os “grand crus classés” pelo mundo afora ajudando o Chile a ser reconhecido também na qualidade de produtor de vinhos ícones e que atualmente chefia a importante Viña Tarapacá, pelo que, passamos a descrevê-lo: vermelho-rubi intenso, profundo, quase negro. Paleta de aromas diversificados com as típicas notas balsâmicas de alguns tintos chilenos, que logo cede espaço para sugestões de ameixas e figos secundadas por tabaco, chocolate e algum mentolado. Na boca, a sua entrada revelou taninos macios conferindo elegância ao conjunto, no qual as notas frutadas dão o tom e não estão subjugadas pela madeira. Álcool integrado apesar dos 14,5%. Acidez na medida certa. Largo e fluído no meio de boca, seu final subscreve as sensações iniciais. Um vinho prazeroso, bem feito. Avaliação: 90/100 pts.+

Puro Instinto 2009 – Álcool: 15% – Variedades: Syrah (60%), Cabernet Sauvignon (20%), Cabernet Franc (15%), Carignan (10%) e Petit Verdot (5%) – preço sugerido para SP: R$ 189 – produzido por Viña Una Hectarea, vinícola que possui apenas um hectare em diversas regiões do Chile, criada por força do encontro de um enófilo brasileiro com a consultoria de Alex Ordenes e vários prestigiados enólogos buscando vinhos que traduzissem o mais fielmente possível a expressão de cada terroir e as nuances que os acompanham. Tinto amadurecido 18 meses em barrica francesa de primeiro uso “Taransaud”. Na taça um vinho de cor violácea e halo granada. Este assemblage protagonizado pela Syrah, exibiu aromas de frutas vermelhas e negras em compota, especiarias doces sobre mentol. Paladar denso, concentrado, de razoável profundidade. Alcoólico, de acidez mediana, parece não ter sentido a passagem de quase dez anos por conta de seus aromas e frescor no paladar. Avaliação: 90/100 pts.

Sultán Assemblage 2008 – Variedades: Syrah (70%), Malbec (15%), Cabernet Franc (10%) e Petit Verdot (5%) – Álcool: 14,5% – Regiões: Vale de Casablanca/Maipo Alto/Maule – também produzido por Viña Una Hectárea, amadurecido 21 meses em barricas francesas novas, parte de seus vinhedos estão a apenas 25 km do Oceano Pacífico e apenas 3.925 garrafas elaboradas. Para este redator, este opulento blend foi o grande destaque da degustação, portanto, vamos à sua descrição: vermelho-rubi intenso, profundo, com halo granada nas bordas. Muito complexo e convidativo no nariz exalando sugestões de frutas negras, tabaco, mentol, baunilha sobre um fundo defumado. No paladar é um tinto “cárnico” que conjuga mineralidade, concentração, fruta, potência e profundidade gustativa, tudo isso com finesse e elegância, tornando-o um tinto raro, verdadeiramente diferenciado, demonstrando, mais uma vez, que a Syrah tem um imenso potencial no Chile. Aliás, este tinto, além da sua qualidade, revelou potencial de guarda. Avaliação: 92/100 pts.+

 

CONCLUSÃO –

A simples leitura das descrições acima é suficiente para demonstração da qualidade dos vinhos integrantes da nova importadora de Márcio Moualla e André Luiz Travaglia. Márcio se destacou na Terramatter, importadora sediada no RJ especializada nos rótulos chilenos de pequenos produtores. Agora, nesta nova empreitada, promete dar atenção ao mercado paulistano de vinhos que reconhecidamente é o mais importante e exigente do país. Mãos à obra e boa Sorte!

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