• Vinícola Peterlongo, sediada em Garibaldi – RS, atualmente passa por um amplo processo de recuperação iniciado em 2002, quando o empresário do ramo de pneus Luiz Carlos Sella adquiriu a empresa que passava grandes dificuldades financeiras. Desde então, com muita firmeza, Luiz tem concorrido voluntariamente para higidez financeira da Peterlongo, culminando em 2015 (ano do centenário da empresa) com a contratação do famoso enólogo franco-chileno Pascal Marty (que já trabalhou na casa Rothschild na elaboração do tinto californiano Opus One e depois no Chile no lançamento do projeto Almaviva e que atualmente colhe os resultados positivos de sua vinícola chilena Viña Marty), que tem por objetivo reposicionar a marca ao elaborar no Brasil elaborando espumantes e vinhos tintos de categoria internacional na Peterlongo, que no passado já produziu o primeiro espumante nacional – década de 1913 – e que por isso no mercado interno pode utilizar a denominação “champagne” em seus espumantes. Os primeiros resultados já começam a aparecer na taça e pudemos comprovar essa afirmação. Um bom exemplo é o vinho escolhido para o mês de fevereiro de 2018: Armando Memória Teroldego 2016. Elaborado com a variedade italiana Teroldego (Trentino  Itália), este tinto comprova a boa adaptabilidade dessa variedade ao solo e clima brasileiros. Da safra 2016, recém-engarrafado eis que ostenta no contrarrótulo lote “01/17”, indicador de sua recente liberação ao mercado. Segundo a enóloga Deise Tempass, “o  processo de vinificação começa pela seleção cuidadosa dos cachos, através de mesa selecionadora  de  grãos e que posteriormente são enviados para tanques de aço inox, onde acontecerá simultaneamente a maceração e a fermentação alcoólica, com temperatura controlada, otimizando assim a extração de compostos fenólicos, responsáveis principalmente pela coloração dos vinhos tintos. Após esse período, o vinho então é trasfegado para outro tanque onde acontecerá a fermentação maloláctica. Posteriormente, o vinho é transferido para barricas de carvalho francês, em caves com temperatura e umidade controladas, onde ocorrerá o processo de amadurecimento pelo período de doze meses. Esse processo é de extrema importância, eis que os aromas característicos ganharão complexidade, bem como a estabilização de compostos importantes que compõe a estrutura e o corpo  de um vinho tinto de qualidade superior”. A seguir nossas impressões deste exemplar de Teroldego produzido fora da Itália:

Como região, o Trentino ainda não despontou entre as melhores da Itália, nem desenvolveu uma personalidade distinta, a não ser nos vinhos da uva local Teroldego Rotaliano. Nunca é demais esclarecer que a variedade Teroldego é cultivada na Província de Trento, onde é produzido o vinho Teroldego Rotaliano DOC.

Enóloga Deise Tempass

Degustação – Vinho do mês – Fevereiro 2018  –

Armando Memória Teroldego 2016 – Álcool: 12,5% – Regiões: Serra do Sudeste e Campanha Gaúcha – Preço: R$ 75 – vermelho-rubi com reflexo violáceo com halo púrpura. Intensos aromas de baunilha decorrentes de sua longa permanência em carvalho sobre notas de ameixa e canela. Paladar denso, profundo, taninos aveludados de ótima qualidade, álcool integrado, acidez rica, enfim, um vinho balanceado, de média-longa persistência e de distinta personalidade a demonstrar o potencial da variedade no Brasil. Avaliação: 90/100 pts. +

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