Decanter Wine Day 2018 foi realizado na Concessionária BMW Osten de São Paulo (Avenida Sumaré) no último dia 15 de maio, com a presença de Adolar Hermann e demais colaboradores da Decanter, além de representantes das vinícolas chilenas De Martino, Alcohuaz, El Principal, Caliterra, Villard e Terranoble. Até agora esta foi a melhor edição deste evento, não só pela organização e inclusão de novos rótulos de novos produtores, mas também pela constância e regularidade daqueles que sempre integraram o portfólio da Decanter, em número expressivo, podendo destacar cerca de 100 rótulos disponíveis. A seguir nossas impressões sobre três ícones ibéricos:

 

“J” de José de Souza – Vinho Regional Alentejano 2014– álcool: 14% – Variedades: Grand Noir (60%), Touriga Francesa (28%) e Touriga Nacional (12%) – Preço: R$ 343,20 – As uvas oriundas de um talhão de apenas 1,2 hectares foram colhidas manualmente. Parte da fermentação é feita em lagares. A outra parte da fermentação decorre durante oito dias em ânforas de barro, seguido de duas semanas de contacto pelicular. O vinho amadureceu catorze meses em barricas de carvalho francês novo. Foi engarrafado sem ser filtrado ou estabilizado pelo frio. Análise organoléptica: inicialmente, observo que degustei exemplar dessa mesma safra no Decanter Wine Day 2017, mais precisamente no dia 27 de junho de 2017. Passados onze meses, posso afirmar que a cor é praticamente a mesma e que o vinho também, mas forçoso reconhecer que por se tratar de um vinho de longa guarda, o tempo e a conservação são os seus aliados mais poderosos. Assim sendo, a descrição permanece praticamente a mesma, mas é inegável reconhecer que ainda que pequeno, houve um ganho na harmonia do conjunto. Segue sua descrição: retinto na cor, no nariz exibiu aromas complexos de frutas negras com destaque para ameixas, chocolate tipo “Nougat”, tabaco sobre um fundo balsâmico. Na boca é um tinto muito denso, de várias camadas de sabor a confirmar os aromas elegantes com taninos presentes de textura fina, aveludados e sedosos. A fruta aqui está profusamente presente e exerce o papel central, coadjuvada por madeira (barrica francesa – Taransaud, 14 meses, primeiro uso) de ótima qualidade. O estilo é clássico, com acento moderno mas bem longe do decadente estilo “arrasa quarteirão” que conta com uma legião de seguidores. O J é um tinto potente, equilibrado, praticamente sem arestas, de bom frescor, profundo e persistente, que promete evoluir positivamente na garrafa nos próximos anos. Avaliação: 93/100 pts.++

 

Luis Cañas Reserva Selección de la Familia 2011 – álcool: 14,5% – região: Rioja Alavessa – Variedades: Tempranillo (85%) e outras variedades (15% provenientes de vinhedos com idade mínima de 45 anos) – preço: R$ 265,80 – importador: Decanter – amadurecido dezoito meses em barricas novas de carvalho francês (50%) e americano (50%). Análise organoléptica: violáceo intenso com reflexo ligeiramente acastanhado, no olfato destacadas notas balsâmicas, baunilha, coco, frutas negras tudo entrelaçado harmonicamente com a elegância marcando o conjunto. Boca estruturada que subscreve integralmente o olfato, taninos aveludados em profusão de excelente qualidade, integração de fruta e madeira, acidez que lhe confere frescor e final de notável persistência, novamente marcado por notas aveludadas. Sua sólida estrutura suporta dez anos de afinamento na garrafa. Avaliação: 93/100 pts.++ 

Arzuaga DOC Ribera del Duero Reserva 2011 – Álcool: 14,5% – Variedades: Tempranillo (95%), Merlot e Albillo (seleção de vinhas velhas) – Região: Ribera del Duero/Quintanilla de Onésimo Valladolid – Importador: Decanter – Preço: R$ 472,10 – Vermelho-rubi intenso, profundo, sem denunciar o peso de seis anos. Aberto nos aromas com notas de frutas negras, chocolate sobre alcaçuz. No paladar taninos finos, acidez balanceada, excelente concentração com camadas sobre camadas de sabores e uma ponta de austeridade que será solucionada com mais tempo na garrafa. Enfim, um tinto potente, mastigável, de grande classe, sólida estrutura, com a “pegada” bem típica dos tintos da região e muita acidez. A madeira (aproximadamente 20 meses em barricas de carvalho francês) atua como mera coadjuvante, portanto aqui a fruta é protagonista. O vinho tem um estilo agradável porque flui facilmente no paladar. Seu final é prolongado e remete o degustador às sensações olfativas iniciais. Como todo bom exemplar de Ribera del Duero tem longa vida na garrafa pela frente. Avaliação: 93/100 pts.++

(Visited 109 times, 113 visits today)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *