No período de 8 a 10 de junho de 2018, realizou-se pela segunda vez em São Paulo (Shopping JK Iguatemi 3º Piso) evento aberto ao público “Vinhos de Portugal”, que contou com a participação de 85 produtores de Portugal possibilitando a degustação de algumas centenas de vinhos, organizado por ViniPortugal e Exponor (Domingos Meirelles) e apoiado pela Embaixada de Portugal, CVRA e importantes veículos da mídia do Brasil. A seguir, as nossas impressões sobre a degustação comandada em 09.06 pelo jornalista português Luís Lopes denominada “Curso Academia de Vinhos de Portugal – Grandes Vinhos do Alentejo”:

A seguir as descrições e avaliações dos vinhos degustados:

Herdade da Anta de Cima – Talha de Argilla MMXV 2015 – Álcool: 13% – Variedades:  Alvarinho, Viosinho e Verdelho (Verdejo na Espanha) – produzido com uvas do Norte do Alentejo (Serra de Montargil), este é um branco minimalista: fermentado em talhas de barro de 140 litros (processo ancestral – talha + ânfora), sem adição de leveduras, estagiado quatro meses nas mesmas talhas onde fermentou. Análise organoléptica: na taça exibiu cor palha claro brilhante. Aromas finos revezando notas cítricas, pêssego e minerais. Na boca é macio, denso, viscoso, cheio de personalidade. Confirmou no paladar os aromas. O fim-de-boca é longo, vincando sua personalidade. Avaliação: 90/100 pts. 

Esporão Reserva Branco DOC Alentejo 2016 – Álcool: 13,5% – Variedades: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro – Neste vinho as uvas são colhidas “na frescura da madrugada”,  vinificadas em separado, seguindo-se o estágio parcial de 6 meses, sobre borras finas, em barricas de carvalho francês e americano. São produzidas 300.000 garrafas deste branco que é um verdadeiro clássico português. Análise organoléptica: palha claro. Aberto nos aromas ricos, complexos e cheio de nuances (Roupeiro que se chama Síria na Beira Interior). Ao ingressar no paladar revelou-se cremoso (Antão Vaz), encorpado, protagonizado pela fruta. Álcool integrado. Excelente acidez (Arinto). Termina macio, persistente e promete ganhar complexidade com a passagem dos anos, já que reconhecidamente estamos diante de um branco cujo tempo aprimora suas qualidades na garrafa. Aliás, são produzidas 300.000 garrafas segundo Luís Lopes o que fortalece o argumento da consistência do produtor. Avaliação: 90-91/100 pts.+

José de Souza Mayor Vinho Regional Alentejano 2015 – Álcool: 14% – Região: Alentejo – Distrito de Évora – Conselho de Reguengos de Monsaraz – lote das uvas Grand Noir (proporção de 54%, variedade criada por Henry Bouschet, cruzamento das variedades Aramont e Petit Bouschet, sua expressão máxima no Alentejo é atingida nas regiões da Vidigueira e de Portalegre), Trincadeira (24%) e Aragonês (22%) – Preço: R$ 213 – Importador: Decanter –Elaborado com uvas pisadas em lagar e fermentadas em ânforas de barro, seguido de amadurecimento em barricas novas de carvalho francês durante nove meses e foi engarrafado sem filtração. Domingos explicou para este redator, didaticamente, o papel de cada variedade no corte: a Aragonês (aporta fruta e tanino) tem forte impacto no paladar, a Trincadeira confere estrutura e a Grand Noir aporta acidez. Análise organoléptica: vermelho-rubi profundo com reflexo violáceo. Aberto nos aromas com notas de especiarias, balsâmicos e frutas negras maduras sobre um discreto tostado. Na boca seu perfil é clássico, com a pegada típica dos tintos alentejanos, dotado de taninos macios que lhe conferem elegância. De grande concentração, seu conjunto é equilibrado, harmônico, com o álcool, acidez, fruta e madeira entrosados resultando num conjunto solidamente equilibrado. Produzido com uvas de uma safra generosa no Alentejo, irá ganhar complexidade na garrafa, porque reconhecidamente é um vinho de grande longevidade. Avaliação: 91/100 pts.+

Casa Agrícola HMR Marmelar 2014 – Marmelar VRA 2014 – Álcool: 14,5% – Variedades: Alicante Bouschet, Petit Syrah e Petit Verdot – vinho elaborado pela dupla de enólogos Luís Duarte e Nuno Elias, amadurecido em barrica de carvalho francês de 300 litros durante doze meses. Análise organoléptica: vermelho-rubi intenso, profundo. Aromas típicos dos grandes tintos Alentejanos com frutas negras, especiarias sobre uma nota balsâmica que o distingue. Vinho potente, de taninos de ótima qualidade, acídulo, quente, concentrado com notas de chocolate amargo e frutas negras. A Alicante Bouschet, principal variedade deste corte costuma aportar estrutura, tanino, acidez e cor). É um tinto jovem que tem o tempo como seu maior aliado, eis que tem plena possibilidade de arredondamento na garrafa, quando se tornará mais consensual, mas nada impede de desfrutá-lo agora, eis que por se tratar de um tinto de perfil moderno sem negar o DNA Alentejano. Avaliação: 90/100 pts.+

 

Adega Cooperativa de Borba Garrafeira 2012 – Álcool: 14,5% Variedades: Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet – Borba é uma sub-região de Extremoz, apontada por alguns como uma das melhores do Alentejo. Na taça coloração vermelho-rubi brilhante com reflexo violáceo sem halo granada sem denunciar seis anos de vida. Aromas complexos com notas de frutas vermelhas secundadas por alcatrão, algum vegetal (Trincadeira)  e leve defumado. Na boca se mostrou macio, denso e potente (potência e estrutura conferidas pela Alicante Bouschet) com alguma secura ao final. Tem maciez, frescor e está num bom momento de sua evolução. Enfim, este tinto complexo agradou bastante, porque tem bastante concentração de sabor e a típica “pegada” alentejana. Perfil gastronômico. Avaliação: 89/100 pts. 

 

Dona Maria Grande Reserva 2013 – Álcool: 14,5% – Variedades: Alicante Bouschet (50%), Petit Verdot, Syrah e Touriga Nacional – vinho produzido a partir das melhores uvas de vinhas velhas de Estremoz, fermentado em lagares de mármore, usando a tradicional “pisa de uva”, e estagiado em barricas novas de carvalho francês durante um ano. Análise organoléptica: um dos tintos mais refinados do portfólio deste festejado. Quase retinto na cor, dotado de aromas complexos, boca firme privilegiando sabores de frutas negras ladeadas por gostosas notas crocantes aportadas pela passagem por barricas francesas e americanas, características dos alentejanos de estirpe. Apresenta aroma limpo rico em frutos silvestres com ligação a menta e especiarias, seu sabor é intenso e redondo, com taninos aveludados e final persistente. Avaliação: 92/100 pts.++

CONCLUSÃO –

Portugal, tem as condições ideais para produzir vinhos de classe mundial, sobretudo os do Alentejo. O clima consegue adicionar aos vinhos a componente de frescura e complexidade e o solo também revela-se apropriado para o cultivo da vitis vinifera. O cultivo de castas locais misturadas com francesas – aqui destaco a Syrah e a Petit Verdot que parecem dar ótimo resultado – confere aos vinhos personalidade única. Também não podemos olvidar da variedade franco-lusitana Alicante Bouschet. São vinhos superlativos em todos os sentidos e, amiúde, de preços relativamente acessível. Talvez seja por isso que Portugal vem fortalecendo sua segunda colocação na venda de vinhos importados no Brasil. À corroborar essa assertiva, destaco a firme atuação da CVRA no mercado brasileiro a contrastar com a inexpressiva atuação das representações de outros países. E, com isso, a qualidade emergente de brancos e tintos alentejanos fortalecem a presença dos produtores portugueses no cenário brasileiro. Basta uma passada de olhos nas pontuações acima. Dos seis vinhos, cinco obtiveram notas acima dos 90/100 pts. Apenas um vinho teve 89/100 pts. o que é um dado extremamente significativo. E, 89/100 pontos definitivamente não é uma nota ruim, ao contrário, trata-se de vinho muito bom.  O tinto clássico alentejano costuma aportar aromas de especiarias, algum vegetal, folhas de chá e coco ou baunilha dependendo da origem do carvalho utilizado. Last but not least, destaco o nível do palestrante condutor da prova de vinhos, ninguém menos do que um dos Papas da cultura do vinho em Portugal, o afável Luís Lopes, que com a costumeira maestria teceu considerações sobre uvas, vinhos, produtores e sub-regiões alentejanas. 

Luís Lopes: muita erudição com didática e clareza. O  jornalista português que já foi Diretor da Revista de Vinhos, atualmente edita a Revista Grandes Escolhas
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