Confraria Vinho & Boa Cia. reuniu-se na noite de 17.07.2018 para degustar às cegas tintos franceses de Bordeaux – margem esquerda de mais de dez anos. Além deste redator, estiveram presentes os seguintes confrades: Ricardo, Paulo Guerra, Paulo Morais e Flávio. A coordenação do mês coube ao Ricardo que elegeu o tema e o restaurante, o Rubayat da Faria Lima, cujo serviço do vinho ficou a cargo do Sommelier José Silvio. A seguir a lista dos vinhos na ordem decrescente de preferências do grupo:

5° lugar – Château Grand-Puy-Lacoste Pauillac Grand Cru Classé en 1855 safra 2008 – Álcool: 13% – Variedades: Cabernet Sauvignon (75% em média), Merlot (20% em média) e Cabernet Franc (5% em média) – RP 95/100 – Informa o “Grande Livro dos Vinhos” – 1a edição – Publifolha – agosto de 2012 sobre este “Cinquième Grand Cru Classé” que: “Encontra-se um valor excepcional nos 55 ha desse château. A propriedade tem a qualidade das grandes armas, mas consegue se manter ao alcance dos meros mortais. O vinho é mais um corte clássico de Pauillac com 75% de Cabernet Sauvignon, 20% de Merlot e Cabernet Franc 5%, perfeito para os profundos cascalhos que existem em abudância por aqui. O terroir e a composição do vinhedo permitem que François Xavier Borie crie um vinho confiante, musculoso e muito apreciado. O segundo vinho, o Lacoste Borie, tem qualidade irregular e deve ser avaliado com mais cuidado.” Análise organoléptica: vermelho-rubi com reflexo granada brilhante em formação sem denunciar a idade do vinho. Aromas bordaleses típicos com notas de sous-bois, fumo-de-corda sobre toques vegetais e animais. Na boca taninos presentes de textura fina conferindo elegância e sofisticação ao conjunto que se destacou por seu equilíbrio e concentração de sabor, mas que se intimidou pela presença de outros grandes Bordeaux presentes na degustação. Contudo, para ser sincero, trata-se de um vinho de longa guarda que demanda um bom tempo para mostrar suas inúmeras e exemplares qualidades que não são poucas. Nada impede que daqui alguns anos essa situação seja revertida porque o vinho começa a dar sinais de que sairá do período de dormência pela qual somente os grandes vinhos passam…Avaliação: 91/100 pts.++

4° lugar – Château Lynch-Bages Grand Cru Classé en 1855 Pauillac 2004 – 5ème cru –  Avaliações: RP89  e  WS93 – Nas palavras de Hugh Johnson (Guia de Vinhos)  o Château Lynch-Bages é simplesmente um vinho candidato à magnificência. Análise organoléptica: vermelho-rubi violáceo intenso e profundo com nítido halo de evolução. Nariz complexo, intenso com predomínio de notas mentoladas, especiarias (noz moscada), madeira de ótima qualidade e um leve toque defumado e muito licor de cassis. Boca densa, extremamente macia, de taninos numerosos e aveludados, alguma mineralidade, ótima acidez, longo e expansivo. Termina como começou: sedoso e sem arestas. Se este Grand Cru agrada, podemos afirmar que ainda tem sobrevida pela frente com excelentes perspectivas de evolução na garrafa. Avaliação: 92/100 pts.+

3° lugar – Chateau Baron de Pichon-Longueville Comtesse de Lalande Grand Cru Classé en 1855 AOC Pauillac 1999 – Pontuações: WS 93/100 (03/2005) e RP 89/100 (04/2005) – Em 1850, o Barão Joseph de Pichon-Longueville dividiu a propriedade da família  igualmente entre os cinco descendentes. O segundo vinhedo Château Pichon-Longueville (Baron) foi herdado pelos dois filhos homens. O vinho à base de Cabernet Sauvignon tem potência mais clássica que o do terreno do outro lado da estrada. Desde 1987 a vinícola é de propriedade da seguradora AXA-Millésimes, que restaurou o château e construiu uma vinícola moderna, projetada por arquitetos internacionais. Fonte: Adega Veja do Vinho – volume 2 – Análise organoléptica: vermelho-rubi intenso com nítido halo de evolução. Aromas terciários com notas de chá, especiarias, couro e toques vegetais. Boca macia, taninos de ótima qualidade, intenso, profundo, fino e elegante com uma boa sobrevida pela frente. Um vinho mítico, simplesmente um dos líderes na sua categoria. Avaliação: 92-93/100 pts.+

2° lugar – Châteaux Carbonnieux Pessac-Léognan “Grand Cru Classé de Graves” 2004 – Álcool: 13% – Pontuações: 90/100 pts de RP em 30.06.2007 e 87/100 da WS em 31.03.2007 – Fundado no fim do século XIV hoje é um vinho clássico de Graves. Foi visitado por Thomas Jefferson em sua viagem através de vinhedos franceses. A variedade do encepamento de Merlot, Cabernets, Malbec e Petit Verdot constitui respeito à lógica bordalesa. Hugh Johnson (Guia de Vinhos, edição 2008, Nova Fronteira) observa que se trata de uma “grande propriedade – noventa hectares – histórica em Léognan para excelentes tintos e brancos. Os brancos, 65% Sauvignon Blanc, podem envelhecer por até dez anos”. Análise organoléptica: apresentou cor rubi com reflexo violáceos e  halo granada. Começou fechado. Mas é uma garantia de prazer no nariz, porque a par de exibir as notas frutadas de muitos tintos de qualidade, a Cabernet Sauvignon dá o tom com notas de licor de cassis, ameixas, coco e ligeiro tostado, com destaque para sustentação desses aromas na taça. Na boca a sua entrada revela um vinho redondo, bem estruturado, de taninos amaciados pelo tempo (14 anos!), porém finos a lhe conferir uma elegância ímpar. A fruta compotada encontrada no nariz se repete no palato e proporciona uma sensação agradável. O álcool, na casa dos 13%, está plenamente entrosado com a acidez e resulta num vinho de ótimo frescor, com discreta mineralidade e perfeito equilíbrio. Por fim, este delicioso tinto bordalês termina suave e sem adstringência, levando nota “nove” no quesito harmonia. É um vinho firme, estruturado e longevo. Seu persistente retrogosto evoca chocolate. Avaliação: 93/100 pts.+

Paulo Guerra, Paulo Morais, Jeriel, Ricardo Mello e Flávio Siqueira – Blogdojeriel.jpg

 

Cos d’Estournel Saint-Estéphe 2006 foi o campeão da degustação – Blogdojeriel.jpg

1° lugar – Cos d’Estournel Grand Cru Classé en 1855 Saint-Estéphe 2006 – Álcool: 13,5% – Variedades: Cabernet Sauvignon (58%), Merlot (38%) e outras variedades (4%) – Avaliações: RP94  e  WS93 – “De modo geral, os vinhedos de Saint-Estèphe possuem um teor consideravelmente maior de argila do que a vizinha Pauillac, mas o Cos d’Estournel é exceção, dispondo de um solo cascalhoso bastante semelhante ao encontrado nos grands crus de Pauillac. Contudo, há muito mais Merlot no vinhedo do que seria o costume em Pauillac. Sem ela, o vinho seria bem mais rústico e tânico, pois a Merlot suaviza a Cabernet de grande estrutura que esse solo produz. O estilo do vinho é suntuoso e concentrado, de cor e sabor profundos, porém, mais elegante do que muitos vinhos de Saint-Estèphe e envelhece bem”. Fonte: 1001 vinhos para beber antes de morrer. Análise organoléptica: vermelho-rubi de média concentração com reflexo violáceo, nariz aberto agradavelmente preenchido por notas de frutos vermelhos maduros, ligeiro floral e ainda um evidente toque de ervas, couro e especiarias. Na boca é um vinho estruturado, equilibrado e delicado, revelando taninos maduros, redondos e um paladar aveludado, levemente picante; o final de boca tem um comprimento e uma persistência muito longa. Aos 12 anos está jovem mas seu apogeu se aproxima. pronto, no apogeu, este Bordeaux de estilo clássico tem uma excelente estrutura, acabamento longo e persistente. Avaliação: 95/100 pts.++

 

AGORA AS DUAS DECEPÇÕES DA DEGUSTAÇÃO:

 

Pêra Manca DOC Alentejo 2005 – álcool: 14,5% – variedades: Aragonez (70%) e Trincadeira (30%) – importador: Adega Alentejana – Vermelho-rubi intenso com nítido halo granada. Aromas terrosos sobre um fundo herbáceo, resultando num perfil monótono, unidimensional, sem complexidade. Repete na boca a timidez do nariz. No paladar taninos de pouca expressão, acidez mediana, corpo médio, álcool integrado num vinho bem menos complexo do que o esperado, sem a típica “pegada alentejana”. Seco, sem harmonia, termina com média persistência. Importante informar que o vinho não deu sinais de declínio, nem de estar contaminado com TCA (rolha defeituosa). Avaliação: 86/100 pts.

Le Haut-Médoc de Branaire Ducru  2008 – Álcool: 13% – 90/100 pts. RP e 16,5/20 Jancis Robinson – Variedades: Cabernet Sauvignon (60%) e Merlot (40%) – Haut-Médoc de Branaire Ducru vem de uma propriedade muito antiga que foi integrada ao Château Branaire Ducru em 1989. Localizado na aldeia de Cussac perto de Saint-Julién, a propriedade abrange 4 hectares de solo de cascalho fino e profundo. Análise organoléptica: vermelho-rubi intenso com reflexo violáceo. Aromas pouco intensos, predominantemente herbáceos formando um perfil unidimensional no nariz. Na boca taninos secantes, quase agredindo o palato. Álcool integrado, acidez contida, corpo médio e final de persistência média/curta, com alguma aspereza. Avaliação: 85/100 pts. 

O Recioto suportou bem mais de uma década!

No início foi degustado o excelente Vernaccia di Oristano Riserva Silvio Carta 2004, cujo estilo lembra muito um Jerez Amontillado mas sem a mesma potência e concentração mas com os mesmos aromas (89/100). Ao final, o Recioto Della Valpolicella Cesari 2006 – O vinho Recioto é produzido a partir da secagem das uvas após a colheita em esteiras até março do ano seguinte. É um tinto doce, mais abundante e produzido a partir das mesmas uvas do Amarone della Valpolicella. Um vinho único e espetacular, pois alia força, concentração, potência e doçura. Este Cesari aberto com onze anos, portanto, no auge de sua evolução, estava vigoroso e muito macio (89-90/100).

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