Em 15.08.2018, a Associação de Pequenos Produtores do Vale de Colchágua – Colchagua Singular – presidida pelo Enólogo José Ignácio Maturana promoveu, em São Paulo, com organização do Sommelier chileno Francisco Zúniga, “Master Class” seguida de degustação livre. Vinhos de produção diminuta, alguns orgânicos/biodinâmicos, bem elaborados, sem excessos, frescos, elaborações verdadeiramente artesanais (alguns produtores fazem 200, 300 garrafas de cada variedade), a maioria expressando o acalentado “sentido de lugar”. Participaram apenas doze produtores de vinhos únicos e especiais que são elaborados e engarrafados no verdejante Vale de Colchágua.

José Ignácio Maturana e este redator com uma garrafa do excelente Carménère MW 2015. Blogdojeriel.jpg

Maturana Wines é um projeto familiar que busca compartilhar momentos únicos. Javier Maturana Lanza e sua família decidiram em 2010, após o grande terremoto que afetou o Chile, dar início a uma paixão pela elaboração de vinhos de qualidade excepcional, que são únicos e representam um modo de vida. Tudo foi cuidadosamente projetado para desenvolver o conceito de seleção manual de uvas e obtenção de um produto artesanal, produção limitada, o resultado de uma filosofia. Não há receitas, a vinícola tem por objetivo a criação de vinhos únicos. José Ignácio Maturana foi enólogo da Casa Silva durante mais de dez anos. Neste período essa vinícola que é um dos destaques de Colchágua produziu alguns do mais premiados vinhos chilenos. Agora, em voo solo, o inquieto Maturana produz aquele que é, na nossa modesta opinião, um dos melhores Carménères chilenos da atualidade. Mas não é somente esse vinho que se destaca. Na apresentação do grupo Colchagua Singular, outros vinhos puderam ser degustados confirmando o nível de excelência atingido por este pequeno mas sólido produtor. A seguir as descrições e avaliações de brancos e tintos:

Espetacular Sémillon Maturana Wines – Blogdojeriel.jpg

Maturana Sémillon 2018 – Álcool: 13,5% – Importador: La Cristianini – aqui as uvas vem de um pequeno vinhedo de 4 hectares plantado em 1929 na zona costeira de Colchágua: “Paredones”, apenas a 9 km do mar, solo granítico, com presença de quartzo e baixo percentual de barro. As leveduras utilizadas são as nativas, houve leve filtração, apenas 30% do mosto fermentou em contato com as peles (cascas), para conferir complexidade ao vinho. Em seguida, houve o amadurecimento de 5 a 6 meses em barricas francesas usadas. Por fim, o enólogo salientou que não houve a adição de Anidrido Sulfuroso. O resultado é um branco de cor intensa, dentro do que se espera da Sémillon. Olfativamente é dominado por notas cítricas sobre um fundo mineral (pierre-à-fusil) que acaba por se destacar. Na medida que o tempo passa os aromas vão se modificando, com o cítrico sempre no fundo. Notas esfumaçadas e de geleia de laranja. No paladar subimos mais um degrau. Encorpado, denso, profundo, glicérico, tudo isso emoldurado pelo gostoso frescor da Sémillon, uma das variedades mais plantadas no Chile nas décadas passadas e que agora está sendo retrabalhada com sucesso por alguns produtores e nesse contexto mais uma vez José Ignácio Maturana se destaca. Apenas 6.000 garrafas produzidas. Avaliação: 93/100 pts.+

Naranjo Torontel – um excelente vinho laranja chileno. Blogdojeriel.jpg

Maturana Naranjo Torontel “Orange Wine” 2017 – Álcool: 13,5% – Região: Vale do Maule/Loncomilla – No Chile a Torrontés é conhecida por Torontel. Este exemplar assemelha-se à Torrontés Mendocina conforme nos informou o Enólogo Maturana. As videiras estavam misturadas num vinhedo que remonta a 1945. A fermentação em contato com as cascas durou oito meses. O resultado é um vinho extraído, no qual a cor é típica dos vinhos laranja, justamente porque a fermentação é prolongada. Leva na sua elaboração as famosas “leveduras selvagens”. O resultado são aromas bem definidos com toques florais e cítricos (carambola, tangerina e laranja). No paladar a sua entrada revelou um vinho denso, concentrado, profundo. É do tipo “ame-o ou deixe-o”; ou seja não é para iniciantes. Mas para quem não tem medo de experimentar é opção certa, porque tem uma complexidade gustativa rara de ver e de sentir. Aqui a genialidade do enólogo faz a diferença. O vinho é macio e tem no frescor uma das suas principais qualidades. Apenas 6.000 garrafas produzidas. Impossível não ter ao menos uma garrafa na adega! Avaliação: 92/100 pts.

Tinto de uma variedade que estava perdida nos vinhedos da Maturana Wines. Distingue-se da casta País e revelou frescor e equilíbrio. Blogdojeriel.jpg

Maturana Negra San Francisco 2018 – Álcool: 13% – Região: Vale do Maule/Loncomilla – Importador: La Cristianini – José Ignácio Maturana nos relatou que essa variedade estava misturada com a Torontel no mesmo talhão onde havia o cultivo da uva País. Ou seja, três variedades dividiam o mesmo espaço: Torontel, País e San Francisco. Mas o enólogo observou que algumas uvas tintas eram diferentes entre si. Realizou estudo e descobriu que de fato não era a variedade País, mas San Francisco, uva trazida pelos conquistadores e religiosos espanhóis no século XVI e que estava praticamente desaparecida.  Elaborado pelo método da barrica aberta com leveduras nativas. Na taça um tinto de cor esmaecida, aromas vinosos, muito fresco e macio no paladar. O sabor é distinto da País. Parafraseando o extinto crítico brasileiro Saul Galvão: “Fácil de beber, fácil de gostar”. Apenas 600 garrafas produzidas. Avaliação: 90/100 pts.

Maturana Wines Carménère – seguramente um dos melhores representantes da casta no Chile – Blogdojeriel.jpg

MW – Maturana Wines 2015 – Álcool: 14,5% – Variedades: Carmenère (80%) e Cabernet Sauvignon (20%) – Região: Vale de Colchagua/Marchigüe – Importador: La Cristianini – Preço: aproximadamente R$ 500 – para este redator este vinho continua sendo um dos melhores Carménères chilenos. A cor concentrada, profunda, já é um prenúncio do que virá em seguida: um vinho bem extraído. Aromas muito complexos com especiarias, licor de cassis, herbáceo fino sem pirazina ou pimentão.  No paladar a qualidade dos taninos se destaca. Mas ao contrário do que ocorre com muitos Carménères a acidez aqui é plena, salivante. A madeira está bem entrosada (um mix de barricas de 500 litros, ovos de concreto e barricas francesas de vários usos) e a fruta é intensa, quase copiosa. Um Carménère delicioso, de perfil moderno, concebido para aprimorar suas qualidades na garrafa com o decurso do tempo. Tem elegância que o distingue da maioria dos vinhos chilenos desta variedade. Apenas 15.000 garrafas produzidas.  Avaliação: 93/100 pts.+

Lucas, um excelente Cabernet Sauvignon temperado com uma pitadinha de Petit Verdot do Vale de Colchágua – Blogdojeriel.jpg

Lucas Reserva 2015 – Variedades: Cabernet Sauvignon (90%) e Petit Verdot (10%) – Vale de Colchágua – Álcool: 14% – Importador: La Cristianini – vermelho-rubi intenso, profundo com reflexo ligeiramente azulado. Aromas complexos, com notas de amoras, groselha, licor de cassis sobre um fundo levemente herbáceo (fino). O uso judicioso da madeira (dez meses de estágio em carvalho francês) permite a livre expressão da fruta vermelha e negra. Na boca encanta por lembrar um bombom “cherry brandy”. Gostoso, fresco e de boa fluidez, tem estrutura para cinco ou mais anos de evolução na garrafa. Álcool generoso sem incomodar e boa acidez. De média-longa persistência, seu final é aveludado. Um ótimo Cabernet Sauvignon de Colchágua, um dos mais importantes vales chilenos para essa variedade depois do Maipo. Pouco mais de 5000 garrafas produzidas.  Avaliação: 91/100 pts.+

 

Importadora sediada em Hortolândia/SP – www.lacristianini.com.br -Tel.: (19) 3043-4757

Enologo y propietario en Maturana wines

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