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Enclave é o novo “Super Cabernet Sauvignon” da Ventisquero, originário da parte mais elevada do Alto Maipo

 Enclave

A dupla de enólogos Tosso-Duval está  trabalhando junto no Chile desde 2003. Felipe Tosso é o enólogo-chefe da Viña Ventisquero desde que abriu suas portas com  vinhedos próprios em localidades como Maipo Costa, Colchágua e Casablanca. O segundo, John Duval, é seu assessor, depois de uma larga trajetória na Austrália a cargo dos grandes vinhos de Penfolds; a bodega que criou nos anos 1950 o mítico Shiraz Grange Bin 95. Ambos começaram vendo o potencial dos vinhedos da bodega e lançaram como era de se esperar anos atrás a melhor seleção de Syrah, dos vinhedos de Apalta, Vale de Colchágua: Pangea e Vértice, o primeiro um Syrah e o segundo uma mescla de Carménère com Syrah. O que a dupla conseguiu manter em segredo é que enquanto estes vinhos já estavam sendo comercializados, estavam buscando algo diferente; buscavam um grande Cabernet Sauvignon chileno.
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Duval  não era um novato em cabernets, porque ele havia criado na Penfolds o Bin 407, da colheita 1990 quando era enólogo-chefe. Este é um Cabernet de clima frio da Austrália, que supostamente conquistou seu lugar como o mais elegante da casa frente ao também Cabernet mas agora de clima quente – hoje descontinuado- o Bin 707. Para Duval não há dúvida de que a Cabernet Sauvignon é a grande cepa do Chile, e que o Alto Maipo, com suas temperaturas médias mais baixas, é o lugar mais apropriado para produzi-lo. Buscando o vinho que imaginavam chegaram onde Ventisquero não tinha nenhum vinhedo próprio. Poderiam ter dado mil voltas e seguramente as deram, mas tinham como “carta na manga” o enólogo Sergio Hormazabal (hoje parte imprescindível da equipe enológica de Ventisquero, junto a Alejandro Galaz). Hormazabal havia sido enólogo de William Fevre,  vinícola  que está em San Juan de Pirque, na parte mais elevada do Alto Maipo, com vinhedos por sobre os 900 msnm. Uma das mesclas que integram o Enclave vem desse  vinhedo  que pertence à vinícola William Fèvre.
 
O outro vinhedo provedor de Cabernet Sauvignon escolhido para o vinho que projetavam foi da vinícola El Principal,  na mesma localidade pré-cordilherana do Alto Maipo, 700 mts de altitude. Finalmente elaboraram  dois grandes Cabernets, mas o aporte de pequenos lotes de uvas de alta qualidade  de  Petit Verdot (7% de Huelquén),  Carménère (5% de uma localidade não especificada do Alto Maipo) e  Cabernet Franc (2% de Pirque). Como disse Tosso, este é um vinho de toda uma zona, de um enclave propriamente dito.
Enólogo Australiano John Duval
 
Seu primeiro vinho foi o Cabernet Sauvignon 2009, que  não viu a luz do mercado e não verá, porque Tosso disse que 2010 (14,5% álcool) foi tão superior ao primeiro que não havia por onde. A versão 2010, 86% Cabernet, é a que provamos para esta matéria.
 
Finalmente, Enclave se chama este novo  Cabernet Sauvignon Super Premium de Ventisquero; apresentado no restaurante Puerto Fuy de Santiago, um lugar por certo onde o guloso Tosso  se farta criando pratos e harmonizações junto a seu cozinheiro Giancarlo Mazzarelli. Para a ocasião degustamos dois componentes da versão 2011, a segunda safra do Enclave (nome que vem de sua origem, o lugar, um enclave),  que serão o  pequeno aporte da mescla. Encerramos com 2010, tal como está.
 
Duval lhe disse no início do encontro: “o que gosto é da fruta da parte mais elevada do Alto Maipo em sua pureza; e pasme como há fruta neste vinho!”  E não é só isso. Há algo a mais do que essa fruta pungente, fresca e vibrante, existente nos dois super tintos de Duval que acabam de chegar no Chile (são a mescla GMC Plexus, US$ 80 e o Shiraz Entity, US$ 133 à venda nas lojas El Mundo del Vino); nada baratos, certo, mas imperdíveis. Igualmente vibrante, por certo, mas com menos estrutura, é a nova mescla Ventisquero de Garnacha, Carignan e Mourvédre 2012 que ainda não foi lançada. São todos eles, os de lá e os de cá, vinhos que não resultam pesados, ao contrário, são vibrantes e frescos.
 
O tinto Enclave, com 18 meses de guarda em barricas entre novas e usadas, custará $ 50.000, equivalentes a US$100; se considerarmos o contexto mundial e comparamos com os grandes vinhos, é uma verdadeira pechincha. Então nos voltamos a perguntar: que foi o que fizemos mal, o que aconteceu? O que estamos esperando para dar o grande salto? A qualidade extraordinária dos vinhos chilenos é essa e  Ventisquero lançou um fabuloso exemplar. Nota: texto retirado do planetavino.cl e vertido para a lingua portuguesa (Brasil) por Jeriel
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Degustação
Enclave Cabernet Sauvignon 2010 (degustado no estande da imp. Cantu na Expovinis 2013)  - vermelho-rubi intenso, concentrado, profundo. Aberto nos aromas que vão desde as frutas vermelhas e negras, passando por especiarias doces, tabaco, compota  sobre uma nota de mentol que emoldura o conjunto. No paladar o seu ingresso revela um vinho mulifacetado que corrobora a tradição do Alto Maipo na produção dos melhores Cabernets chilenos, quiçá do Novo Mundo. Os taninos  são os típicos da casta, aveludados e ao mesmo tempo com ligeira adstringência para marcar sua tipicidade. Fruta e madeira em comunhão. Enfim, um vinho com tudo no lugar certo e com o frescor se destacando. Longo, profundo e persistente, só está aguardando uma oportunidade para ser degustado ao lado dos grandes ícones chilenos: Don Melchor, Don Maximiano, Santa Rita Casa Real, etc..Avaliação: 92/100 pts.+
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A fórmula Champenoise, por Miriam Aguiar

Miriam Aguiar

Para falar um pouco sobre a vitivinicultura de Champagne, não por acaso, trago dados de seu clima, solo, condução e tratamento dos vinhedos, aspectos implícitos no conceito de terroir, tão prezado por todos os franceses que localmente se empenham no domínio da arte de fazer bons vinhos. Neste glamouroso terroir, cada detalhe conta para justificar o mérito de uma das mais célebres marcas mundiais. Diferentemente da extensa subdivisão em AOCs ou vinhedos, que caracterizam Bordeaux e Borgonha, a denominação Champagne a todos engloba e, além da distinção Grand Cru/Premier Cru, importam aqui a marca, o produtor e as particularidades da elaboração da bebida.   O vinhedo champenoise está disposto em colinas de 90 a 300 metros de altitude e e dividido em quatro grandes regiões: a Montanha de Reims, o Vale do Marne, a Cote des Blancs e a Cotes de Bar. Ao todo, 17 comunas se beneficiam da denominação Grand Cru, 44 da denominação Premier Cru e, no total, a AOC possui 319 comunas. Uma larga viticultura para fornecimento das uvas a um grande número de cooperativas, grandes maisons e pequenos empreendimentos particulares: cerca de 5.000 viticultores produzem seu próprio vinho e aproximadamente 14.000 apenas produzem e vendem suas uvas.

                                    

Fonte: http://quentinsadler.files.wordpress.com/2009/10/champagne-map.jpg 

Assim também como em outras regiões célebres da Franca, o clima de Champagne favorece a qualidade do vinho, mas também apresenta problemas, desafios a serem contornados a cada safra para a manutenção do mesmo padrão de qualidade. Situada no paralelo 49,5° Norte,  limite setentrional da região considerada mais apta a viticultura mundial (latitudes entre 30° e 50° norte e sul), a região sofre a influência continental, que traz, de um lado, o risco das destrutivas geadas de inverno e, de outro, uma boa  insolação no verão. A segunda influência é oceânica, que favorece a manutenção de temperaturas regularmente baixas, com poucas oscilações entre as estações.

                  

                    Fonte: http://www.bestwineroutes.com/regions-details/champagne~15  

Podemos dizer que é uma região fria em grande parte do ano (média de 11°C), com uma pluviosidade constante, que aporta uma boa e constante irrigação das vinhas, cujas cepas alcançam gradativamente o grau de maturação necessário a um bom equilíbrio entre fruta e acidez. A baixa temperatura anual, que poderia ser insuficiente para um vinho tinto mais estruturado, neste caso, não prejudica a exuberância dos vinhedos, considerando que o importante ali é muito mais o frescor e a acidez, assim como ocorre no Brasil, favorecendo a nossa produção de espumantes.  Os piores inimigos são as geadas de inverno, que podem destruir as cepas, ou mesmo na primavera, que podem destruir os brotos, além de fortes tempestades no verão. Por isso mesmo, o clima é acompanhado com rigor pelas instituições de apoio à viticultura, para proteção e adequação das datas de poda, aparagem e colheita (Ver mais em  Signos dos Vinhos).

         

Fonte: http://adchampagnes.files.wordpress.com/2010/05/climate-champagne1.jpg 

Quanto ao solo, Champagne tem subsolo de calcário majoritariamente, que se manifesta sob a forma de giz, lama e calcários propriamente. Esse giz calcário é composto de grânulos de cálcio oriundos dos esqueletos de micro-organismos marinhos e fósseis de moluscos da era secundária. Duas das suas quatro grandes regiões, a Montanha de Reims e a Cote des Blancs, estão sobre essa superfície de giz, enquanto no Vale do Marne, bem como na Cote des Bar predomina um solo argiloso calcário. Este giz champenoise tem grande porosidade e, em consequência, se torna um grande reservatório de agua para alimentação da vinha. Mas ele retém a água por capilaridade, o que provoca um stress hídrico na vinha para a sua absorção.

Fonte: http://www.champagne.oeno-tourisme.net

Esse esforço durante o ciclo vegetativo, contrariamente ao que se pensaria de imediato, é favorável à viticultura e está associado a grande parte dos vinhos de alta qualidade. A vinha vai sofrer e desenvolver raízes bem profundas para se alimentar e é nessa profundidade que ela irá encontrar os nutrientes mais ricos, responsáveis pela sua complexidade organoléptica, além de criar mais resistência a intempéries e à seca. No caso do Champagne, este stress favorecerá, ao final, o equilíbrio entre acidez, fruta e precursores dos aromas. Ademais, o sub-solo calcário fornece gustativamente a mineralidade singular de alguns Champagnes.

        

O vinhedo de Champagne é composto em 39% da cepa tinta Pinot Noir, 33% da tinta Pinot Meunier e 28% da branca Chardonnay. A Pinot Noir se adapta bem aos terrenos calcários e frescos e predomina na Montanha de Reims e na Cotes de Bar e, qualitativamente, traz corpo e potência aos Champagnes. A Pinot Meunier prefere os solos  mais argilosos, como os do Vale do Marne, suporta bem as condições climáticas severas e confere suavidade e paladar frutado aos Champagnes. A Chardonnay é a cepa predominante na Cote des Blancs (assim como o próprio nome indica) e seus vinhos se caracterizam por aromas delicados, com notas florais, cítricas e minerais. As cepas Arbanne, Poinot Meslier, Pinot Blanc e Pinot Gris também são autorizadas na região, mas representam menos de 0,3% de seus vinhedos.

O corte Champenoise (pinot noir, chardonnay e pinot meunier)

Fonte: http://www.champagne-loriot-pagel.fr  

Outro aspecto importantíssimo está na condução e poda dos vinhedos. A densidade média de   planta por hectare regulamentada é alta, de 8000 pés por hectare, visando conferir qualidade nutritiva às vinhas. A distância máxima entre as fileiras de vinhas é de 1,5 m e o espaçamento entre as vinhas deve estar entre 0,90m e 1,5 m, o que provoca mais concorrência pela alimentação e, em consequência, menos cachos de uva por pé e mais profundidade das raízes em busca de nutrientes do subsolo. A forte densidade também otimiza a superfície da folhagem e favorece a fotossíntese. Um controle da repartição da folhagem será feito durante o período de brotação, de modo a evitar contaminações, podridões e favorecer a insolação das vinhas.  

A colheita – Fonte: http://www.champagne-loriot-pagel.fr  

 A colheita é uma operação especial, feita manualmente, para que apenas uvas inteiras e sadias sejam selecionadas para a elaboração do vinho. Os cestos  de uvas devem conter, no máximo, 50 quilos e para que a colheita se efetue rapidamente, no ponto ótimo da uva, mais de 100.000 pessoas são empregadas durante três semanas do processo de colheita.  A prensagem é feita imediatamente após a colheita (6h a 8h após, no máximo) por meio de um processo muito especial que extrai o suco do bago da uva inteiro, de forma a evitar contato com a casca e transmissão de suas características (cor, tanino) ao produto, salvo em produtos que buscam esses elementos. 

Corte de uva tinta, com interior branco

Fonte:     http://bacchuseriesdemariefrance.com 

Após a colheita, a poda também é detalhadamente concebida para a produção que terá lugar no ano seguinte, a fim de assegurar uma boa circulação da seiva nos brotos frutíferos, favorecendo também o posterior processo de fotossíntese e aeração dos bagos. Quatro sistemas de poda são autorizados:

 

A Poda Chablis: três a cinco ramos formam braços principais, que sustentam sarmentos e frutos; Poda Cordon Royat: poda de estrutura única e longa; Poda Guyot: poda curta simples, dupla ou assimétrica; Poda Vale do Marne (para a uva Pinot Meunier): mantém ramos relativamente curtos e sarmentos largos.

 

 

Tipos de Podas de Champagne:

  Fonte: http://www.champagne.fr 

  Tamanha precisão faz jus ao nome de um dos vinhos que mais sobrevive às crises de superprodução francesas e que é consumido em grande escala no mundo todo. Esta é apenas uma etapa do outro processo meticuloso de vinificação,  o   Méthode Champenoise,  do qual já falamos em parte no post sobre Espumantes (Ver    Sobre Vinhos    de Outubro 2011).  Seis a oito semanas de segunda fermentação, 15 meses a 3 anos de maturação darão vida a uma variada gama de champagnes, com origens, assemblages, sucrosidades e tempos de envelhecimento distintos. Distintos também seus paladares e ocasiões de consumo: em Champagne, harmoniza-se um menu inteiro só com Champagnes, coisa que veremos à frente no post    Harmonias.  

Fonte: http://www.weddingbliss.sg/the-perfect-wedding-champagnes/

Breno Raigorodsky: Pinot Noir ou a polêmica em forma de uva

 

Beaune

Beaune

Para quem pensa na incomparabilidade dos grandes vinhos da Borgonha e dos grandes espumantes de Reïms, a Pinot Noir é coisa divina, diferenciada, inatingível.

 

É a prova líquida e certa de que existe sim o fator terroir, fundamental na diferença entre as plantações, ao contrário de outras que dependem mais da vinificação, como vêm provando os excelentes vinhos do Novo Mundo feitos com Cabernet Sauvignon e Merlot, que se confundem perfeitamente com os mais famosos de Bordeaux*.

 

Em situações extraordinárias ela rende o melhor que o vinho pode dar – beleza, complexidade, aromas e mágica longevidade. Rivaliza nestes quesitos – incluindo o mais seletivo deles: a longevidade – com os melhores de Bordeaux, atingindo o máximo de consagração no Romanée Conti 1945, o vinho mais caro que se pode tomar, superando todos os concorrentes do oeste francês.

 

 

Histerias aristocráticas a parte, ela é aclamada mundo afora como a síntese da boa vinificação; dentre as mais de 8.000 mutações aproveitáveis da vitivinífera original, ela é a única a reunir tantos atributos organolépticos e históricos. É a única a ter uma passagem curricular tão tragicômica como a ocorrida ainda no século XIV, quando o Duque da Borgonha Philippe Le Hardi expulsou a uva Gamay (responsável dos vinhos Beaujolais, prima menos tânica da Pinot Noir), de seus territórios mais nobres por decreto, para protegê-la da uva parente indesejada. É a única que gerou tanta aspiração de consumo na burguesia, que pagava qualquer preço após a Queda da Bastilha para provar o néctar que inebriava as cortes aristocráticas francesa, russa, holandesa, belga etc. por tantas gerações!

  Gevrey Chambertin

Mas quem tem estas referências frustra-se ao descobrir que ela existe e é plantada na própria França, ao menos desde o século XIX, mesmo quando não rende tudo aquilo que consegue ser em situações de excelência. É o que acontece na região limítrofe do Loire, abaixo de Mâcon, na Alsácia e mesmo na vizinha e improvável Suíça.

 

Mesmo quando plantada na Borgonha ela dificilmente rende tudo que se espera dela. Por isso, é possível encontrar no mercado, vinhos de Pinot Noir na própria Cote de Beaune, que não sejam tão maravilhosos. Vinhos que têm denominações genéricas e até populares.

 

 

De fato, os grandes vinhos da região reconhecidos pelos próprios produtores e que merecem as denominações “Premier Cru” e “Grand Cru” não significam sequer 15% da produção dos tintos borgonheses, deixando os outros 85% para os vinhos Villages e os genéricos Borgonha, o que é prova de reconhecimento da existência de uma pirâmide de qualidade!

 

 

E tem ainda mais, se é para desmistificar de vez: existe uma denominação mais simples até do que a genérica da região, a “AOC Passe-touts-grains”, quando é permitido associar a Pinot à sua vizinha desgraçada pelo decreto acima, a Gamay (2/3 de pinot para 1/3 de gamay), certamente o piso de qualidade e preço, o contraponto oposto dos picos grandes e nobres da uva em questão.

 

Portanto não há novidade nenhuma, produtores do Novo Mundo fazerem vinhos apenas agradáveis com ela. Aproveitando suas características aromáticas e seu ar de vinho leve e descompromissado, ela está presente em países como a Nova Zelândia, Chile, Argentina, EUA etc.

 

Laurène, um Pinot do Oregon de impressionante tipicidade

Laurène, um Pinot do Oregon de impressionante tipicidade

Alguns já atingiram a maturidade, como os produtores do Oregon americano, como a Casa Marin no Chile, como alguns produtores da África do Sul e da Itália. Outros erram a mão na tentativa de fugir desta tendência, como é caso mais patente que conheço da Salentein argentina que em seu vinho Premium criou um Pinot Noir tão concentrado que mais parece um Syrah na cor, no sabor, no álcool exagerado (mais de 14%).

 

E aí que saímos deste infindável preâmbulo para finalmente refletir: o que faz o vinicultor produzir vinhos assim, quando notoriamente são mais caros? E que fenômeno é este que faz o consumidor optar por um vinho que não tem nada de tão original, feito para ser tomado jovem?

 

 

Pois jovem, a Pinot Noir se comporta como outras tantas, cujo desequilíbrio juvenil carrega nos aromas frutados, na acidez e no frescor.

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Citaria uma penca de uvas que poderiam substituí-la, com vantagens por serem muito mais frutuosas e dóceis no plantio. Basta pensar nos vinhos de Salento a partir da uva Primitivo, nos Beaujolais não engarrafados que se serve nos bares de Lyon, nos vinhos verdes do Minho e mesmo em alguns Tempranillo de Ribera Del Duero… Vinhos sem grandes pretensões, vinhos do dia-a-dia, dignos em sua condição, fáceis de fazer.

 

Portanto não é a Oyster Bay da Nova Zelândia que sozinha inventou este paradoxo. Ela apenas é um exemplo, segue uma tendência, uma espécie de moda da década, onde todo mundo experimenta fazer o seu Pinot Noir.

Oyster Bay, em sua versão Pinot Noir, chega ao nosso mercado custando US$59,50, 20% mais que a versão Merlot da própria companhia, que custa US$49,50, um vinho mais estruturado, com mais chance de guarda e igualmente vinificado.

 

É mais caro porque há mais procura pelo Pinot Noir? Mais provável que seja mais caro porque custa mais caro de fato produzi-lo, visto que ela é uva mais frágil e rende muito menos por kg de uva colhido. Apenas por isso!

Hamilton Russel, um Pinot Sul-Africano de boa tipicidade

Hamilton Russel, um Pinot Sul-Africano de boa tipicidade

 

Quando a explicação não vem, recorre-se ao marketing!

 

Arrisco sugerir, na falta de melhor explicação: Poderia ter sido então, por um grande acaso, a influência de SideWays, um filme barato e com fortes pinceladas de pastelão, exibido em 2005 e que influenciou toda uma geração de produtores e consumidores de vinho?

 

No filme, a uva Pinot Noir é a heroína imaculada, apresentada em contraposição da vilã Merlot. Má escolha do filme, sem dúvida, porque a nobreza de ambas é incontestável visto que ambas tem os melhores currículos que uma uva pode ter: se a Pinot tem os Romanée Conti, a Merlot tem ninguém menos que Petrus, só para citar um caso varietal, porque além dos vinhos da região de Pomerol – onde reina com 100% – ela aparece em parceria com Cabernet Sauvignon ou Cabernet Franc no que há de melhor na região.

 

Má escolha também porque se ambas têm seus momentos de glória e longevidade, ambas igualmente são usadas em vinhos bem menos nobres, não apenas mundo afora, mas também em suas regiões de origem adentro, como quisemos até agora demonstrar …

Vosne Romanee (1)

 

Mas apesar da besteira cometida pela direção do filme, o filme atingiu um grande sucesso e o público ignaro levou tão a sério a proposta, que fez os vinhos com uva Merlot despencar no mercado em 20% ao tempo que os de Pinot Noir abocanhavam aquela fatia do mercado!

 

A relação entre qualidade e imagem dá exemplos diários de situações parecidas. Em nome de um certo perfil publicitariamente construído, o produto é valorizado por razões extrínsecas, que nada têm a ver com a qualidade do produto em si. As associações são infindáveis e a procura por mais status no consumo provoca a típica situação do “me engana que eu gosto”. Telefones parecidos com o Top, automóveis inspirados nos clássicos, restaurantes decorados com pinceladas de luxo são apenas pequenas pérolas da relação complexa que os produtos mantêm com seus possíveis consumidores.

 

Acho que talvez esteja ai a chave para se compreender esta coisa de fazer um vinho com Pinot Noir, mesmo que ele seja jovenzinho, sem o equilíbrio e a complexidade que se encontra em seus melhores vinhos, feitos na Borgonha. Mesmo que ele custe muito mais caro para produzir. É a chave para fazer o cliente pagar mais.

Esta, nem Freud explicaria, mas o marketing explica, recomenda, deita e rola!

 

 

*Jean Thunevin, em recente almoço em São Paulo (janeiro de 2013), declarou a quem quisesse ouvir que ele, em degustação às cegas, não sabe mais que vinho é feito na Califórnia, que vinho é feito em Bordeaux, onde planta entre outros seu aclamado Grand Cru St Emilion Valandreau.

 

Breno Raigorodsky é editor do Site/Blog: http://articulandobr.wordpress.com

Breve Currículo: Filósofo de formação acadêmica (USP), com passagens  pelas faculdades de Roma e Nantèrre .

Publicitário, diretor de criação e redator por mais de 35  anos, diretor do CCSP
Professor de vinho no curso de Alta Gastronomia da FAAP
Representante para a América Latina da revista italiana Il Sommelier
Colaborador regular da revista Freetime
Autor de livro sobre embutidos – Embutidos, da sobrevivência à gastronomia,  Ed. Senac. SP está nos finalmente
Diretor do Espaço Gourmet do Clube A Hebraica
Autor do blog http://articulandobr.wordpress.com/
Programador de viagens pelo mundo do vinho e da gastronomia, colaborando com empresas  de turismo como a Freeway, a Lunestour e a Zenith

Os dez posts mais acessados de março de 2013

O Blog do Jeriel a partir do mês de fevereiro de 2013 passou a divulgar, lista (ordem crescente) com links dos posts mais acessados no mês anterior como forma de dar publicidade aos leitores que acessam diariamente o blog que se tornou, inegavelmente, um dos líderes do seguimento no Brasil. É bom destacar que não utilizamos  nenhum artifício fraudulento para atingir o número de acessos que recebemos diariamente. Segue a lista:

1.- http://blogdojeriel.com.br/2013/03/distribuidora-new-juice-reposicionara-vinhos-rio-sol-em-sao-paulo/

2.- http://blogdojeriel.com.br/2013/03/guia-dscorchados-2013-ja-disponivel-na-loja-virtual-da-revista-adega/

3.- http://blogdojeriel.com.br/2013/03/jezebel-salem-muito-alem-de-salve-jorge/

4.- http://blogdojeriel.com.br/2013/03/dieta-do-mediterraneo-e-os-beneficios-do-consumo-do-suco-de-uva-e-vinho/

5.- http://blogdojeriel.com.br/2013/03/os-dez-posts-mais-acessados-de-fevereiro-de-2013/

6.- http://blogdojeriel.com.br/2013/03/o-dia-do-blogueiro-e-o-gesto-elegante-da-wine-com-br/

7.- http://blogdojeriel.com.br/2013/03/decanter-promoveu-degustacao-dos-cavas-raventos/

8.- http://blogdojeriel.com.br/2013/04/orestes-de-andrade-jr-se-desligou-hoje-do-ibravin/

9.- http://blogdojeriel.com.br/2013/04/projeto-imagem-campanha-gaucha-guatambu-estancia-do-vinho/

10.- http://blogdojeriel.com.br/2013/04/depoimento-de-virginia-stagnari-sobre-a-safra-2013-no-uruguai/

Editorial

No mês de março tivemos a marca expressiva de quase 600 acessos diários diretos. Os nossos visitantes são dos seguintes países:

1. Brasil.

2. EUA

3. Portugal

4. Diversos

5. Chile

6. França

7. Uruguai

8. Espanha

9. Alemanha

10. Reino Unido

Cidades

1. SP

2. Rio

3. BH

4. Porto Alegre

5. Paterson (EUA)

6. Curitiba

7. Não identificado

8. Hialeah (EUA)

9. Brasília

10. Lincoln (EUA)

Cabe ainda salientar que as colunas criadas do lado direito criaram um espaço que somente o tipo de plataforma no qual está instalado o blog permite. Com isso, mais textos, por mais tempo garantem mais opções para o leitor ávido por novidades. Enfim, a dinâmica do blog está mantida e as atualizações diárias também. Temos uma meta e persistimos na sua obtenção: divulgar a cultura do vinho de forma rápida e descomplicada, com uma linguagem simples e objetiva, sem imitar, copiar  ninguém. O momento é de manter o equilíbrio e a compostura para agradecer a todos aqueles que fazem deste veículo um dos mais confiáveis do meio.

Saúde e Muito Obrigado!

Depoimento de Virginia Stagnari sobre a safra 2013 no Uruguai

Estimado Jeriel,

A seguir alguns detalhes sobre a colheita 2013 no Uruguai :

A vendimia 2013 fo adiantada  aproximadamente 10 dias e foi 35% menor em todo país. Em particular a Tannat se auto-regulou naturalmente, não foi preciso desbaste e a colheita foi  50% menor para esta variedade, portanto, excelente ano para  Tannat. O clima tem sido favorável e pudemos colher todas as variedades em seu ótimo ponto de maduração.

Os vinhos que  elaboramos têm uma excelente concentração de cor e de fruta amdura. No caso dos brancos obtivemos caldos de excelente expressividade aromática.

Estamos às ordens para qualquer consulta.

Cordial saludo,

Virginia Stagnari

Directora – www.antiguabodegastagnari.com.uy

Importador no Brasil – Vinho Sul

 

 

A safra 2013 para a vinícola uruguaia Dante Irurtia

A seguir depoimento de Marcelo Irurtia sobre a safra 2013 no Uruguai: “É uma safra  que será recordada por todos os integrantes da bodega Familia Irurtia por muitas circunstâncias, em primeiro lugar por ser nossa safra número 101  e centésimo aniversário de fundação da bodega.

Além disso, condições climáticas particulares incidiram  que esta vendimia na zona de Carmelo tivera características únicas.

Uma primavera com precipitações frequentes favoreceu o crescimento das videiras, seguida por um verão seco e caloroso, mas de noites frescas incidiram de grande forma a acelerar o amadurecimento e nos brindar características únicas.

As brancas como Sauvignon Blanc e Viognier foram colhidas com parâmetros de qualidade de nível de excelência. Um grande equilíbrio de madurez com indicadores de acidez e açúcar interessantes assim como uma fase aromática que dará que o falar na hora de degustarlos vinhos.

Um capitulo à parte decorre do grande nível para esta vendimia foi nosso Pinot Noir do setor 6M, com uma sanidade impecavel como o resto das variedades, poderíamos esperar até o presente momento que expresse todo o potencial de seu terroir e promete ser um dos melhores Pinot Noir elaborados nestas terras!

Somente nos fim de fevereiro chegou o momento de colher  Tannat, com manejo na vegetação  e cuidado com os cachos, somente um por cada brote de Tannat nos assegura ano após ano a  manutenção de uma grande qualidade desta variedade perfeitamente adaptada a nosso terroir.

Não foi surpresa então, observar que no  caso do Tannat de Setor G, cachos que poderão ser classificados como quase perfeitos: maduros, sãos, uvas que ao ser degustadas nos convidam a provar outra e outra uva mais. Um tesouro que atualmente se encontra na bodega e que no futuro enchera nossos olhos com vinhos que seguramente serão premiados.

Portanto, 2013 é uma colheita histórica por qualquer ângulo que se mire, onde participaram de alguma forma quatro gerações de Familia Irurtia e centenas de trabalhadores que ao largo de suas vidas deixaram experiências, opiniões e vinhedos plantados, com o que hoje podemos oferecer a nossos clientes e amigos estes grandes vinhos” .

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Mais impressões da safra 2013 no Uruguai, agora de Edgardo Etcheverry

Estimado Jeriel

” Creio que este ano vai entrar para a história dos grandes vinhos do Uruguai.
Em nossa região de San Jose tivemos um clima excelente e com uma amplitude térmica incrível, uma diferença entre o dia e a noite entre 18° e 21°C. Como é tradicional a variedade Sauvignon Blanc foi colhida somente à noite, desde 9 pm a 5 am. Como é do conhecimento de todos, as Bodegas Castillo Viejo utiliza esta prática faz oito anos, com isso logramos que os aromas típicos da variedade se mantenham totalmente já que se a colhessemos durante o dia com muito  calor, muitos de seus aromass evaporariam. Ademais os vinhos são mais equilibrados e persistentes na boca. Esta colheita realizamos nos primeiros dias até o final de fevereiro quando começamos colher as tintas: 1° Merlot , 2°Tempranillo,  3° Cabernet Franc, 4° Tannat e por último Cabernet Sauvignon.

O clima acompanhou ao máximo o que permitiu esperar o momento ótimo de amadurecimento pudendo dar-lhes aos nossos enólogos uma matéria prima de excelente qualidade.

Neste mês de março participamos da feira Foodex em Tokio – Japão.  Estamos presentes há muitos anos da feira Prowein na Alemanha, em Abril Expovinis, e em Junho Vinexpo em Bordeaux “.

Desde Uruguay un muy calido saludo.

Edgardo Etcheverry

Bodegas Castillo Viejo

JEO

Do portal IG indicação de livro “Inventando o Vinho: uma Nova História de um dos Prazeres Mais Antigos do Mundo”

Livro conta a história da bebida que por anos foi a única opção segura para matar a sede, apesar de ter sabor desagradável.

Steve Ruark/The New York Times
O livro ‘Inventando o Vinho: Uma Nova História de um dos Prazeres Mais Antigos do Mundo’, de Paul Lukacs

O vinho é uma bebida velha, antiga, neolítica. Ele foi consumido ao longo de toda a história de que temos registro. No entanto, o vinho como conhecemos hoje é relativamente novo. O local onde se originou, o seu gosto, o que representava e o modo como se transformou ao longo do tempo são temas explorados no fascinante novo livro de Paul Lukacs, “Inventing Wine: A New History of One of the World’s Most Ancient Pleasures” (“Inventando o Vinho: Uma Nova História de um dos Prazeres Mais Antigos do Mundo”, em tradução livre), lançado nos Estados Unidos em dezembro pela W.W. Norton & Co e ainda sem previsão de chegar ao Brasil.

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Uma coisa fica clara na obra de Lukacs: a maior parte dos vinhos – ao longo de grande parte da história – foi repugnante e desagradável. Se um crítico do passado tivesse nos legado uma resenha acerca da degustação do tipo de vinho que a maioria das pessoas bebia, possivelmente diria “imprestável, horrível, avinagrado, imundo”. No entanto, as pessoas o bebiam mesmo assim, porque não tinham escolha. Outras bebidas, como água e leite, estavam repletas de doenças. O gosto do vinho podia ser terrível, mas tinha um desinfetante embutido: o álcool.

Foi apenas a partir da Renascença, escreve Lukacs (que, quando não está pesquisando vinho, é professor de Inglês na Universidade Loyola de Maryland, em Baltimore), que surgiram noções familiares para discernir características da bebida. Só então os enófilos – um grupo diminuto, para ser claro – começaram a associar estilos particulares e qualidades no vinho a lugares específicos: uma ideia incipiente de terroir. Além disso, foi apenas nessa época que os enófilos bem informados começaram a perceber que alguns vinhos podiam ser apreciados intelectual e emocionalmente, e não apenas fisicamente, e que os melhores vinhos transmitiam uma sensação de equilíbrio, duração e profundidade.
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Contudo, foi realmente com o Iluminismo, no século 18, quando uma série de revoluções começou a transformar a nossa compreensão do cultivo da uva, da produção de vinho e do armazenamento do vinho, que a bebida começou a se assemelhar ao que associamos a ela hoje. “Somos todos filhos do Iluminismo, não de Platão e Aristóteles, mas de Locke e Rousseau”, disse Lukacs recentemente. “Foi quando o vinho moderno surgiu.”

Outras mudanças também ocorreram. À medida que o abastecimento de água foi se tornando mais seguro, as pessoas passaram a não precisar consumir necessariamente vinho. Ele se tornou uma escolha. Era possível apreciá-lo em vez de bebê-lo, de modo que o vinho tinha de se tornar mais atraente.

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Paul Lukacs, autor do livro “Inventing Wine”, em sua adega particular, em Baltimore

No entanto, no início do século 20, o vasto conjunto de vinhos existentes podia ser dividido em dois grupos: uma pequena quantidade de vinhos finos, ou “vin fin”, apreciada pelos paladares exigentes; e a maioria dos outros vinhos, “vin ordinaire”, baratos e abundantes, mas não muito bons e frequentemente muito ruins. “A diferença entre os melhores vinhos e os outros era fenomenal”, disse ele.

O vinho gozou de uma breve era dourada no século 19, com a rápida ascensão de uma classe média com recursos econômicos e aspirações culturais. No entanto, enfrentou um período difícil no final do século 19, quando os vinhedos europeus foram atacados por pragas, contratempo seguido por guerras mundiais, depressão econômica, a moda das aguardentes e dos coquetéis e a Lei Seca. Ainda assim, o vinho veio a ressurgir.

De modo talvez um pouco presunçoso, Lukacs e eu – enquanto dividíamos uma garrafa de Il Frappato, um tinto deliciosamente fresco da produtora Arianna Occhipinti, da Sicília – concordamos que tivemos sorte por viver nos dias de hoje, talvez a melhor época da história para ser um enófilo. Sentados em um restaurante de Nova York, tínhamos acesso a uma diversidade de vinhos maior que a experimentada em qualquer outro momento da história, tendo acesso a rótulos de bem mais locais e estilos.
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O Il Frappato era uma ilustração perfeita do quanto o mundo tinha mudado não apenas em dois mil anos, mas nos últimos 25. Na década de 1980, poucas pessoas já tinham ouvido falar da uva frappato, e grande parte dos vinhos da Sicília era considerada pesada, oxidada ou simplesmente ruim. A Sicília talvez tenha sido um dos últimos bastiões do “vin ordinaire”. No entanto, hoje dá origem a vinhos esplendorosos.

Lukacs, de 56 anos, que cresceu na Filadélfia, disse que sempre teve interesse pelo vinho. Seu pai, húngaro, bebia vinho regularmente. Contou, porém, ele já se interessou de fato pelo vinho ao cursar pós-graduação na Universidade Johns Hopkins, quando se juntou a um grupo de estudos que rapidamente se revelou um grupo de enófilos. “O que me interessava no vinho era o fato de ele ser muito, muito rico intelectualmente”, disse ele. “A pessoa não precisa conhecer o vinho, mas acaba querendo saber mais sobre ele.”

Tony Cenicola/The New York Times
Em nenhum outro momento da história se teve tanto acesso a rótulos de diferentes locais e estilos

Além de se dedicar à pesquisa acadêmica, Lukacs escreveu uma coluna sobre vinhos para o jornal The Washington Times durante 19 anos e publicou dois outros livros a respeito, “American Vintage: The Rise of American Wine” (“Safra Americana: o Despertar do Vinho Americano”), em 2000, e “The Great Wines of America: The Top Forty Vintners, Vineyards, and Vintages” (“Os Grandes Vinhos dos Estados Unidos: os 40 Melhores Viticultores, Vinhas e Safras”), em 2005.

Entre as ideias mais interessantes defendidas por Lukacs em “Inventing Wine” está a de que a “tradição” do vinho é completamente mutável. A noção do passado ilustre de Bordeaux, por exemplo, é mais uma criação dos proprietários do século 19 que construíram castelos em estilos arquitetônicos mais antigos na tentativa de transmitir um sentimento de legado. O marketing de vinhos da atualidade, ao enfatizar a herança e a continuidade, baseia-se na mesma fonte.

Por que o vinho teve um gosto tão ruim por tanto tempo?       

         Como qualquer um que já tentou produzir vinho sabe, a exposição ao ar, à sujeira e a uma série de outras substâncias pode fazer com que ele estrague. Ele não se torna insalubre assim: apenas fica com mau gosto. Portanto, para enófilos antigos e não tão antigos, o desafio era evitar que o vinho se estragasse após a fermentação do suco de uva.

Até o século 19, quando se tornou possível produzir garrafas de vidro em massa, diz Lukacs no livro, isso foi quase impossível. Recipientes antigos, feitos de barro ou de madeira, podiam armazenar grandes quantidades de vinho. Mas assim que começávamos a esvaziá-los, o ar entrava em cena com todos os seus companheiros microbianos. Tentando compensar os sabores azedos, avinagrados, os antigos viticultores acrescentavam todos os tipos de aromas. Especiarias, sim, mas também piche e cinzas, e até mesmo chumbo e lixívia. Os clientes mais abastados conseguiam bancar aditivos de uma estirpe superior, como temperos e ervas.

Por fim, os antigos viticultores descobriram técnicas para fazer vinhos mais duradouros, como secar as uvas antes de fermentá-las, uma prática envolvida na produção também de vinhos modernos, como o Amarone. Esses vinhos de uvas secas se tornaram muito apreciados, emblemas de uma situação social privilegiada, prenunciando, como escreve Lukacs, o futuro papel do vinho como um símbolo de status.

“O vinho era uma maneira de mostrar que as pessoas tinham um gosto distinto”, disse Lukacs durante o almoço. “Mesmo no mundo antigo, havia distinções reais entre o que os patrícios bebiam e o que os plebeus bebiam.” Algumas coisas não mudam nunca.

NYT, por Eric Asimov   publicado no portal IG em

Informações sobre a safra 2013 no Uruguai, por Carlos Pizzorno

Recebemos dias atrás e-mail do Produtor Pizzorno (safra 2013), um dos mais respeitados do Uruguai,  cujos vinhos estão disponíveis no Brasil através da importadora Grand Cru:

“Estimado amigo Jeriel, como vai?

Estamos terminando a primeira víndima, que foi excelente e já temos oportunidade de degustar alguns novos vinhos.

A safra teve a colheita um pouca mais adiantada dos que nos anos anteriores, porém,  as altas temperaturas de janeiro e as baixas precipitações foram muito favoráveis.

Só nos resta colher Petit Verdot, Arinarnoa e Cabernet Sauvignon.

 

Em geral se estima uma colheita  30% menor do que 2012, mas de excelente qualidade.

 

No período de 24/3 a 26/3 estarei na Prowein - Alemanha participando da feira, em Düsseldorf.

 

Em abril irei na Expovinis.

Abraço

 

Carlos Pizzorno

 

Pizzorno Family Estates

Ruta 32, Km. 23 – Canelón Chico – Uruguay – South America

Phone: + 598 2 368 96 01 Mobil: 00598 99610118

www.pizzornowines.com

Dieta do Mediterrâneo e os benefícios do consumo do suco de uva e vinho

JEO

Os resultados da dieta surpreendem e pode ser uma poderosa aliada na prevenção de diversas doenças

Conhecida como Dieta do Mediterrâneo, a alimentação à base de peixes, grãos, legumes, azeite, verduras, frutas, nozes e castanhas, acompanhadas de uma taça de vinho ou suco de uva integral, tem feito sucesso e apresentado resultados surpreendentes na prevenção de doenças do coração, AVC, colesterol, diabetes, entre outras.

Recomendado por médicos e especialistas, o consumo moderado de vinho traz alguns benefícios à saúde. Esses bons resultados começaram e ser descobertos na década de 70, quando estudos epidemiológicos evidenciaram que, apesar dos hábitos de vida pouco saudáveis, como fumar, beber e comer muita gordura de origem animal, os franceses (em especial os do Sul da França) tinham baixa incidência de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral, em relação à média mundial.

Essa contradição aparente, os pesquisadores chamaram de “Paradoxo Francês”. Novos estudos revelaram que esse mesmo perfil podia ser encontrado em outras populações do mediterrâneo, como italianos e gregos, e que o principal fator que determinava a longevidade estava associado à alimentação, em especial, ao consumo do vinho e do azeite de oliva. Esses alimentos, aliados ao consumo de peixe, tomate e berinjela, ficaram conhecidos como a “dieta do mediterrâneo”.

Os benefícios do Vinho e do Suco de Uva Integral

Em relação à recomendação da bebida para acompanhar a dieta, segundo especialistas, os vinhos tintos e os sucos de uva integral (tinto), são ricos em antocianina, resveratrol e polifenol, que agem como antioxidante, auxiliando na vasodilatação, por isso, a sua indicação.

Além de nutritivos, o vinho, consumido de forma moderada, e o suco de uva integral, são fontes de fibras, vitaminas e um poderoso antioxidante, benéfico para quem quer ficar com a saúde em dia.

Confira algumas das doenças que podem ser prevenidas com o consumo moderado de vinho:

Doenças coronárias: o consumo moderado de vinho controla os níveis sanguíneos de algumas substâncias químicas inflamatórias chamadas citocinas. Estas, por sua vez, afetam o colesterol e as proteínas da coagulação. O vinho é capaz de reduzir os níveis de LDL e aumentar os de HDL (colesterol bom). Com relação à coagulação, o vinho torna as plaquetas presentes no sangue menos aderente e reduz os níveis de fibrina, evitando que o sangue coagule em locais errados. Estes efeitos podem prevenir o entupimento de uma coronária, evitando um infarto do miocárdio.

Doenças do cérebro: os efeitos mais conhecidos do álcool sobre o sistema nervoso são a embriaguez e a dependência alcoólica. Entretanto, quando consumido moderadamente, o vinho pode reduzir o risco de demência, incluindo o Mal de Alzheimer. Segundo especialistas, os polifenóis presentes no vinho (principalmente nos tintos) seriam os responsáveis por evitar o envelhecimento das células cerebrais.

Doenças respiratórias: experimentos recentes têm demonstrado que o vinho é capaz de reduzir as chances de uma infecção pulmonar, sendo mais eficaz que alguns antibióticos modernos.

Doenças do aparelho digestivo: sabe-se que o consumo moderado de vinho está associado a uma menor incidência de úlcera péptica por uma série de razões: alívio do estresse, inibição da histamina, ação antimicrobiana contra o Helicobacter pylori, bactéria implicada na gênese da úlcera duodenal. Por atuar sobre o colesterol, o vinho pode reduzir as chances de formação de cálculos no interior da vesícula biliar.

Doenças do aparelho urinário: estudos mostram que o vinho é capaz de reduzir em até 60% o risco de formação de cálculos urinários, ao estimular a diurese.

Diabetes: o vinho consumido de forma moderada melhora a sensibilidade das células periféricas à insulina, sendo interessante nos pacientes com diabetes tipo dois (não insulino dependente). Além disto, o vinho reduz as chances de morte por infarto do miocárdio em pacientes com diabetes tipo dois. Em mulheres, um estudo mostra que o vinho pode reduzir as chances de surgimento de diabetes.

Sangue e anemia: o álcool ajuda o organismo a absorver melhor o ferro ingerido nos alimentos. Além disto, um copo de vinho tinto contém, em média, 0,5mg de ferro.

Ossos: alguns estudos populacionais têm demonstrado que o consumo de pequenas quantidades de vinho é capaz de melhorar a densidade óssea, reduzindo as chances de osteoporose.

Visão: o vinho reduz a degeneração macular, causa comum de cegueira em idosos.

Câncer: a possibilidade de que os antioxidantes presentes no vinho pudessem prevenir alguns tipos de câncer despertou o interesse de muitos pesquisadores em todo o mundo. Alguns estudos populacionais mostram uma redução da mortalidade por doença coronária e por câncer em bebedores comedidos de vinho. Por exemplo, homens que consomem vinho, sensata e regularmente, têm menor chance de desenvolver Linfoma não Hodgkin.

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Paula Batista Lide Multimídia – Assessoria de Imprensa