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Seleção de vinhos “Bons e Baratos”

É possível degustar vinhos de até R$ 35 que possam ser qualificados como muito bons -  85 a 89 pts.?  Num despretensioso churrasco de domingo promovido pelo estimado amigo Roberto A. Gomes,  que criteriosamente escolheu cada garrafa (levamos o Cava Chatel), podemos afirmar que sim, isto é, a resposta para essa questão é afirmativa. Começamos pelo chileno do Vale do Maule, Cremaschi Furlotti Sauvignon Blanc Selección de Barrica 2010, importado pelo Carrefour, custa R$ 18,90.  Exibiu aromas florais sobre maracujá maduro, muito frescor na boca e boa persistência (86/100 pts). Passamos para os tintos. O primeiro foi o onipresente Alamos Malbec 2009 (Mistral – R$ 30). O mais aromático de todos, com violeta e ameixa. Na boca taninos macios, fruta em evidencia, final suave sem aspereza (87/100 pts). Terminamos a prova com o gostoso Sul-africano Oracle Cabernet Sauvignon 2010. Aromas que realmente remetem à casta estampada no rótulo com fruta madura e um toque de pimenta-do-reino. Na boca foi o mais tímido dos vinhos degustados, com taninos leves, corpo magro e baixa concentração de sabor. A tipicidade e o seu preço são as maiores virtudes desse tinto importado pela CBD. Preço no Pão de Açúcar: R$ 26,64. Avaliação: 85/100 pts.
 

Cremaschi Furlotti Sauvignon Blanc 2010, Lucilla IGT 2004, Alamos Malbec 2009 e Oracle Cabernet Sauvignon 2010

 

Cava Chatel, da Bodega Pinord, foi o vinho mais elogiado por conta de seu frescor, estrutura e sobretudo por sua vocação "festiva". Adquirida no Carrefour no fim de 2010, custou R$ e atingiu 88/100 pts. Pena que tenha se esgotado rapidamente!

 

Conclusão

Dá para comprar bons vinhos com R$ 35! Gostamos do Sauvignon Blanc (Cremaschi Furlotti 2010) chileno também agradou, porque seu frescor se destacou. Provavelmente, as uvas devem proceder da região mais fresca do Vale do Maule. Com importação direta do Carrefour, seu preço é, em números absolutos, o menor de todos os vinhos degustados. O Alamos Malbec 2010 é um velho conhecido nosso. No quesito aromas, foi o campeão, com notas de violetas e ameixas. Esperavamos mais do Oracle Cabernet Sauvignon 2010, todavia, esclarecemos que o Shiraz é mais consistente. O vinho mais elogiado foi o Cava Chatel, produzido por Bodegas Pinord, todavia, durou pouco tempo no local em que foi adquirida: Supermercado Carrefour do Shopping Butantã.

Esvaziando a Adega – 15a. edição

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 A reunião foi realizada no sábado, 03 de outubro de 2009, na Churrascaria “Cabana del Asado” (tel. 11 3721-1124), um dos primeiros restaurantes de SP a evocar uma autêntica  churrascaria portenha encravada no complexo gastronômico denominado “Vila do Jardineiro(Av. Eliseu de Almeida, 1077 – Butantã – São Paulo SP – tel 3721 1124), com a presença dos confrades Alexandre Furniel, Clóvis Pavan, Gilberto, Romeu Mattos Leite, José Luiz, Lucas Garaldi, Julio  e HK.  Merecem menção especial o atendimento e a recepção de ótimo nível proporcionado pelo Cabaña na pessoa de seu proprietário Alexandre Milton Mora e o impecável serviço do vinho desempenhado pelos garçons Antonio e Celso: tudo transcorreu com serenidade, sem os habituais atropelos, confusões, serviço superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem pré-estabelecida, na temperatura de serviço e sem necessidade de orientações constantes. As carnes, todas de boa qualidade,  também foram servidas no ponto correto.

 

Abaixo, a relação dos vinhos:

 

11º – Casa de Piedra Malbec 1999 – Valle Central – 13,5% – importadora Bruck

10º – Palari Faro 1999 – DOC Sicília – 13,5% – Cellar – atual importador: World Wine – R$ 333,00 (safra 2006)

9º – Aliança Tagra 1999 – VR Terras do Sado – Carrefour

8º – Casa Valduga Cabernet Sauvignon  1999 – Vale dos Vinhedos – 12,5%

7º – Arnaldo B Etchart (50% Malbec e 50% CS) – Mendoza/Cafayate – 13,9%

6º – Alamos Malbec 1999 – Mendoza – 13,5% álcool – Mistral

5º – Pata Negra Gran Reserva 1999 – Valdepeñas – Casa Flora

4º - Chateau La Marzelle 1999 – Grand Cru Classé en 1855 – Saint-Emilión 

3º – José de Souza Mayor 1999 – VRA – José Maria da Fonseca 13,5% álcool

2º – Quatro Castas 1999 – Herdade do Esporão – VRA – 13,5% álcool – VRA – R$ 96,50 (safra 2004)

1º – Yacochuya Malbec 1999 – 15% álcool – Grand Cru – R$ 305,00

 

 

Breves comentários

 

Dois vinhos que não participaram da degustação tiveram desempenho surpreendente: o primeiro foi um Argentino, aberto pelo Alexandre da Cabaña del Asado: Enamore 2007, fruto da união das Bodegas Allegrini (Vêneto/Itália) e Renacer (Perdriel/Mendoza), 14,5% de álcool, blend das castas Malbec (60%), Cabernet Franc (23%), Cabernet Sauvignon (10%), Syrah (4%) e Bonarda (3%). O que chama a atenção é o método de produção desse vinho: utiliza técnica do “apassimento” (contra-rótulo), que consiste em deixar as uvas secando sob os fortes ventos andinos, aumentando a concentração de aromas e sabores. Depois de uma larga fermentação o mosto amadureceu mais doze meses em barricas francesas de primeiro uso. O vinho é uma espécie de Amarone Argentino. Na degustação se saiu bem: rubi intenso, aromas com predomínio de ameixas e um toque mentolado, sobra de álcool, boca estruturada, taninos presentes de boa qualidade com algum dulçor, madeira prevalecendo com ligeiro espaço para fruta e final com alguma rusticidade. Apresentou alguma tipicidade, mas seu final áspero destoou um pouco do final suave de um verdadeiro Amarone. Deve melhorar com mais um ou dois anos na garrafa. Nota: 86/100 +

 

 

O segundo vinho foi um champagne: René Geoffroy Brut Premier Cru 2003, 12% álcool, comprado na França. No contra-rótulo consta a sgte. informação: “Ce Champagne de l’anné 2003 prouve bien que l’effet Millésime joue sur l’originalité dês vins. Petit rappel: aprè une gelée de printemps historique dans la nuit du 10 au 11 avril,  l’été a été marque d’une canicule record. Lê résultat est um début dês vendanges lê 25 Août, lê plus precoce depuis plus 150 ans. Face à la  três faible récolte, nous avons composé um assemblage inédit de 39% de pinot noir, 33% de meunier et 28% de chardonnay.”

Champagne René Geoffroy Brut Premier Cru 2003: 93/100 pts. Não consta importador para o Brasil

Champagne René Geoffroy Brut Premier Cru 2003: 93/100 pts. Não consta importador para o Brasil

  

A cor amarelo pálido brilhante já denotava alguma evolução. Borbulhas muito pequenas e intensas.  Rico e complexo no olfato, com notas de pão torrado, brioches e um leve toque amendoado no final. Na boca o ataque é franco e acaba por subscrever as sensações olfativas e se mostrou bem superior ao que se esperava: pleno de frescor, acidez vibrante, espetacular concentração de sabor com muita intensidade, fineza e elegância. Redondo, termina longo e seu retrogosto é interminável, de grande persistência. A Casa René Geoffroy é uma propriedade de apenas 1 ha, em Cumières, próxima de Epernay, com produção anual de cerca de 9000 garrafas e que ainda produz o Cuvée de Reserve 1er. Cru. Nota: 93/100 ++ 

 

 

Por fim, saliento que vinhos que também brilharam nesta 15ª. edição foram levados por dois confrades: o champagne supra e o Yacochuya 1999. Para todos o nosso sincero agradecimento.

 

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Agora a descrição dos vinhos e respectiva avaliação, informando que o objetivo da degustação é o julgamento dos vinhos sob a ótica do tempo, isto é, uma década depois de sua produção, eis que a degustação acabou por reunir garrafas de características muito distintas entre si e de terroirs absolutamente diferentes.

 

 

 

11º. Lugar – Casa de Piedra Malbec (Valdivieso) 1999Vale Central – 14% álcool – preço: R$ 16,00 (01/05) – Bruck – Rubi telha, aromas apagados com leve toque herbáceo. Boca simples, decadente, sem fruta e com leve amargor. Palatável, mas em franco declínio. Nota 81/100 pts. 

 

 

 

 

10º. Lugar – Palari Faro DOC 1999 – Sicília – 13,5% – Cellar – atual importador: World Wine – R$ 333,00 (safra 2006) – Evoluído com turbidez e halo granada. Começou bem com uma pitada de sous bois, animal, couro e algum herbáceo. Boca delicada, taninos resolvidos, boa acidez, curto e de baixa persistência. À exemplo do anterior é um vinho cujo auge já passou, mas ainda poderá dar algum prazer se acompanhado de comida. Declinou rapidamente na taça. Nota 84/100 pts. 

 

 

 

9º. Lugar – Aliança Tagra 1999 – VR Terras do Sado – Carrefour – Um pouco menos evoluído do que o anterior. Boca simples, leve nota de compota (castelão), acidez correta e taninos sinalizando cansaço. Termina áspero com leve amargor e apresenta boa tipicidade, com bom corpo. Nota 84,5/100 pts. 

 

 

 

8º. Lugar – Casa Valduga Cabernet Sauvignon  1999 – Vale dos Vinhedos – 12,5% – Rubi violáceo com halo de evolução. Nariz com alguma complexidade, notas de especiarias. Boca simples, franca, mais ainda fresca. Não tem muita tipicidade, mas suportou bem uma década. Obteve a Silver Medal no  International Wine Challenge 2000 – Beijing – Nota 85/100 pts. 

 

 

7º. Lugar – Arnaldo B Etchart 1999 (50% Malbec e 50% CS) – Mendoza/Cafayate – 13,9% – Rubi violáceo com discreto halo de evolução. Olfato com frutas negras, especiarias e mentol. Boca plena, taninos macios de qualidade muito boa, equilibrado no álcool e na acidez. Madeira integrada à fruta. Final suave e sem arestas. Longevo, ainda suporta um ou dois anos na garrafa. Nota 86/100 pts. 

 

6º. Lugar – Alamos Malbec 1999 – Mendoza – 13,5% álcool – Mistral – Rubi violáceo com ligeira evolução. Seu perfil aromático é unidimensional, com licor de jaboticaba e discreto frutado. Boca muito macia, taninos no ponto, tudo integrado. Termina como começou – muito macio. Não é um vinho complexo, mas por sua proposta (atualmente custa R$ 26,00 – safra 2008), suportou muito bem o decurso de dez anos. Nota 86,5/100 pts. 

 

 

 

5º. Lugar – Pata Negra Gran Reserva 1999 – Valdepeñas – Casa Flora – Rubi com leve evolução. Olfato com toques lácteos, herbáceo e leve chocolate. Boca macia, taninos doces e resolvidos, acidez compatível, boa concentração de sabor e final intenso sem arestas. Redondo e macio, ainda suporta mais tempo na garrafa. Nota 87/100 pts. 

 

 

 

4º. Lugar – Chateau La Marzelle 1999 – Grand Cru Classé en 1855 – 12% álcool – Saint-Emilión  - Carrefour – preço: R$ 149,00 – Rubi violáceo intenso com halo de evolução. Nariz mais aberto do que as amostras anteriores, com sugestões de cassis, pimentão, chocolate e um discreto herbáceo. Boca que subscreve o nariz com boa concentração de sabores com alguma elegância. Taninos no auge da evolução, a indicar que mais algum tempo na garrafa não lhe fará bem, portanto, beber já. Nota 87,5/100 pts.   

 

 

 

3º. Lugar – José de Souza Mayor 1999 – VRA – José Maria da Fonseca – 13,5% álcool – R$ 117,90 – Makro Speciale Butantã – Rubi violáceo intenso com halo granada. Nariz complexo com notas crocantes e tostadas, chocolate e especiarias. Boca macia, com taninos no ponto e concentração de sabor dentro do esperado. Longo, intenso e de final suave. Ótima tipicidade, vinho de guarda de características de longa sobrevida na garrafa. Ótima tipicidade.Nota 88/100 pts.  

 

 

 

2º. Lugar – Quatro Castas 1999 – Herdade do Esporão – VRA – 13,5% álcool – VRA – R$ 96,50 (safra 2007) – Rubi violáceo com levíssimo halo de evolução. Nariz expressivo a indicar um vinho de bom frescor, frutado (ameixa/framboesa) e madeira nobre. Boca macia, taninos de qualidade muito boa, doces e madeira permitindo bom espaço para fruta (compota). Acidez se destacando no conjunto. Termina como começou: sem aspereza e sem amargor. Beber nos próximos dois anos. Nota 89/100 pts.+  

 

 

 

1º. Lugar – Yacochuya Malbec 1999 – 15% – Grand Cru – R$ 305,00 – Rubi violáceo quase retinto. Nariz expressivo a indicar um vinho de bom frescor, frutado (ameixa/framboesa) com pitadas de especiarias e o tradicional chocolate dos bons malbecs argentinos. Boca densa, muito macia com taninos de ótima qualidade. Suculento e concentrado, a fruta é a protagonista e a madeira atua como coadjuvante. O álcool elevado não foi notado porque está integrado com os demais elementos. Termina sem arestas, é um vinho que ainda vai evoluir na garrafa nos próximos 3/5 anos. Parabéns ao Confrade que levou esse vinho na condição de “pirata” e que acabou por arrebatar o pódio, com muita justiça, porque recebeu os votos de sete dos nove confrades presentes. Seu único senão é o preço…Nota 90/100 pts.+ + 

Esvaziando a Adega – 9ª. Edição – Cabernet Sauvignon: Argentina x Chile

 

A reunião foi realizada no sábado, 23 de maio de 2009, no Restaurante “Santa Gula  – Arte e Gastronomia”, Rua Fidalga, 340 fundos – Vila Madalena – São Paulo SP – tel 3812 7815, com a presença dos confrades Jeriel, Glauber, Alexandre Furniel,  HK, José Luiz e Lucas Garaldi. 

 

Para chegar ao restaurante, percorre-se um longo corredor ornamentado por bananeiras. As mesas distribuem-se pelas salas dessa antiga casa de fundos. Todo o mobiliário, assim como peças de decoração e até copos, está à venda. O cardápio segue a linha moderna. Foi preparado um menu especial denominado “Menu Confraria” constituído de couvert (pães, torradas, lascas crocantes e patês, tudo fresquinho), entradas (quatro opções: casquinha de siri, saladas de tomates marinados, folhas e lascas quebradas, bolinho crispy de batata e caldinho de feijão), prato principal (escondidinho de carne seca – uma das especialidades da casa) e sobremesa: cesta de frutas vermelhas com mousse de tapioca, frutas da estação e brownie com sorvete de canela.

 

Merecem menção especial o atendimento e a recepção atenciosa do Santa Gula na pessoa de sua sócia-proprietária, do Gerente  e o impecável serviço do vinho desempenhado pelo garçom, eis que tudo transcorreu com tranquilidade, sem os habituais atropelos, confusões, serviço que pode ser considerado superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem, na temperatura de serviço e sem necessidade de orientações constantes.

 

Assim, a conclusão é de que o Santa Gula se constituiu numa agradável surpresa porque se mostrou uma opção viável para reunião de confrarias de vinhos, porque além do preço razoável (é só combinar com a Dani: dani.chamecki@uol.com.br ou Alan: alan.santagula@uol.com.br) para esse tipo de evento, não houve a cobrança de rolha, prática comum em diversos estabelecimentos e tanto o serviço do vinho como a comida são dignos de reconhecimento. 

 

Sem mais delongas, vamos à classificação geral dos cabernets numa degustação bastante equilibrada a demonstrar o elevado nível de qualidade atingido pelos cabernets argentinos, que enfrentaram com valentia os chilenos que mais uma vez se sagraram vitoriosos, corroborando a assertiva de que a principal casta do país andino é mesmo a cabernet sauvignon. Já no país platino ela também tem importância porque desempenha o papel de principal parceira da malbec.

 

Por fim, destaco que apenas uma amostra estava bouchonée (Montes Reserva 2004) e as demais estavam em ótimo estado de conservação e exigiram bastante atenção dos degustadores, todos experientes e com boa litragem.

 

O Pódio:

1º. lugar – Marques de Casa Concha Cabernet Sauvignon 2004 – Vale do Maipo/Puente Alto – 14,5% álcool – Importador: Expand – Preço – R$ 78,00 (safra 2006) -  Rubi violáceo intenso e profundo com leve halo de evolução. Nariz intenso, com madeira nobre, tostado, cassis, frutas negras (ameixas) e leve mentol. Mostrou boa sustentação e depois de algum tempo apresentou traço aromático típico dos vinhos do Maipo, com muita compota (goiabada). Intenso e profundo na boca, taninos em profusão (ótima qualidade), acidez balanceada, termina do mesmo jeito que começou: suave, elegante e  com a mesma nota de fruta em compota (goiabada) apresentada no olfato. Boa relação preço-qualidade e muito boa tipicidade.  Vinho pronto e na sua melhor forma. Estruturado, ainda tem cinco anos de vida pela frente. Nota: 90/100 pts. +

 

2º. lugar – Errazuriz Estate Reserva Cabernet Sauvignon 2001 – Vale de Aconcágua – 14% álcool  – Importador atual: Vinci Vinhos – Preço R$ 43,14 (safra 2007) – Rubi violáceo intenso e profundo com pequeno halo granada. Nariz frutado com ameixas e framboesa em evidência e um discreto toque de evolução. Notas mentoladas. Boca macia, aveludada, taninos polidos, intenso, profundo com toque de pimenta e chocolate. Vinho de perfeito equilíbrio do tripé álcool, taninos e acidez. Boa fruta sobre um discreto fundo de chocolate. Longo, termina suave e com boa persistência. Beber já. Ótima relação preço-qualidade. Nota: 89/100 pts.

 

3º. lugar – Terrazas de Los Andes Perdriel Vineyards Cabernet Sauvignon Reserva 2002  – 13,5% de álcool – Importador: Chandon do Brasil – Preço R$ 80 (preço médio – safra 2006) – Rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz complexo com notas tostadas, cassis, groselha, chocolate e tabaco. Boca espessa com leve rugosidade, madeira por sobre a fruta presença, acidez adequada e grande profundidade gustativa. Os taninos ainda presentes e a ligeira aspereza no fim de boca indicam que mais algum tempo de garrafa lhe fará muito bem porque foi produzido com uvas de safra considerada exemplar na Argentina. Nota: 88,5/100 pts. +

 

Os demais:

 

4º. lugar – Lavaque Partida Limitada Cabernet Sauvignon 2001 – Mendoza- 13% álcool – Imp: Rede Sonae – Preço: R$ 15,99 (Supermercado Big – 26.08.2004) – Importador atual: Casa dos Vinhos – BH (safra atual 2005 por R$ 23,50) – Rubi violáceo com pequeno halo de evolução. Nariz com predomínio de notas vegetais sobre um fundo discretamente frutado. Melhor na boca: boa densidade, maciez, corpo bom, leve toque picante, taninos finos de qualidade muito boa a sinalizar algum cansaço e final com equilíbrio entre madeira e fruta. Tido como azarão da degustação (a safra não foi das melhores), destacou-se por sua tipicidade e equilíbrio gustativo. Beber já. Ótima relação preço-qualidade. O difícil é encontrá-lo no mercado…Nota:  87/100 pts. 

 

5º. lugar – Cocodrilo de Cobos Cabernet Sauvignon 2002 – Mendoza – 14,4% álcool -  Importador: Grand Cru – Preço – R$ 58,00 (atual Felino 2007 por R$ 70,00) – Rubi violáceo intenso, profundo com halo de evolução e reflexos granadas. Nariz unidimensional com leve vinagrinho que depois cedeu para mentolado. Boca superior ao nariz com notas de frutas negras e leve eucalipto. Potente, seus taninos são macios e estão no melhor ponto de evolução. Acidez baixa. Curto na boca. Ttermina com uma leve nota química. Beber já. Nota: 86,5/100 pts. 

 

6º. lugar – Famiglia Bianchi Cabernet Sauvignon 2004 – San Rafael/Mendoza- 14,8% álcool – Importado por Aurora Bebidas e Alimentos Finos. Importador atual Mr. Man Ltda. – Preço – R$ 39,80 (safra atual 2006) – Rubi violáceo de média profundidade com leve halo de evolução. Nariz expressivo com frutas vermelhas, cassis e pimenta. Boa tipicidade. Boca macia, curta (falta-lhe estrutura), taninos finos, boa concentração de sabor e acidez compatível. Termina suave e sem arestas.  Recebeu 90/100 pts. da WS.  Ainda agüenta um ano na garrafa. Nota: 86/100 pts. +

 

7º. lugar – Winemakers Lot Cabernet Sauvignon 2002Viñedo La Protectora – Vale do Maipo – 13,5% álcool – Importador: Expand – Preço – R$ 68,00 (safra atual 2005) – Rubi violáceo intenso e profundo com nítido halo de evolução. Nariz de pouca expressão a indicar um vinho de baixo frescor com discretas sugestões mentoladas e alguma fruta preta. Boca rigorosamente no ponto, taninos gentis, boa fruta e acidez discreta. Termina sem aspereza e sem amargor. Apresentou baixa persistência olfativa e deve ser bebido já porque não vai evoluir. A safra não é considerada das melhores no Chile…mas o vinho não é dos piores, porque não costuma decepcionar. Nota: 85/100 pts.

Esvaziando a Adega – 7ª. Edição

 

 

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A reunião foi realizada no sábado, 27 de março de 2009, na Vittoria Pastas e Risottos (11 3721-1124), restaurante de concepção arquitetônica rústica encravado no complexo gastronômico denominado “Vila do Jardineiro” (Av. Eliseu de Almeida, 1077 – Butantã – São Paulo SP), com a presença dos confrades Clóvis Pavan, HK,  Alexandre Furniel, José Luiz e Lucas Garaldi.  Merecem menção especial o atendimento e a recepção de primeiro nível que a Risoteria Vittoria nos dispensou, com o serviço do vinho realizado com extrema competência, eis que os vinhos foram servidos ligeiramente resfriados e ao final foi servido almoço: anchova com risoto ao molho de champagne, uma das especialidades da casa .

Sem mais delongas, vamos à classificação geral dos vinhos brancos que tivemos o prazer de degustar e avaliar.

 
O Pódio:

 
1º. Lugar – Paulo Laureano Premium 2006 – 13% álcool – Vinho Regional Alentejano – Importado por Adega Alentejana 
Nota 89/100 pts.   Preço – R$ 23,80

2º. Lugar – Esporão Reserva 2005 – 14% álcool – Roupeiro, Arinto e Antão Vaz – Importado por Qualimpor  
Nota 88,5/100 pts.   Preço – R$ 87,50 (safra 2007)

 

3º. Lugar – Coroa D’ouro Reserva 2005 – 13% álcool – DOC DOURO – produzido por Manoel D. Poças Jr. e importado por Wal-Mart Brasil Ltda.  Preço – R$ 25,90
Nota 88/100 pts.  

 

 

Os demais:

 
4º. Lugar – Dão Grão Vasco 2005 – 13% de álcool – Importado por World Wine La Pastina
Nota 87,5/100 pts.

 

5º. Lugar – Quinta de Cidrô Chardonnay Reserva 2003 – 14% álcool – Vinho regional Trás-os-Montes (atual Vinho Regional Terras Durienses). Produzido por Real Companhia Velha e importado por Barrinhas – Comércio e Importação de Bebidas e Cereais Ltda.
Nota 86/100 pts.

 

 

6º. Lugar – Dão Cabriz Colheita Seleccionada 2007 – 12,5% álcool – Malvasia Fina, Encruzado, Cerceal Branco e Bical. Produzido por Dão Sul Sociedade Vitivinícola e Importado por Expand.
Nota 85,5/100 pts.  

 

 

 

7º. Lugar- Evel Douro 2007 – 13,5% álcool – DOC DOURO – Moscatel Galego, Viosinho, Arinto e Fernão Pires (A. V). Produzido por Real Companhia Velha e importado por Barrinhas – Comércio e Importação de Bebidas e Cereais Ltda.
Nota 85/100 pts. 

 

 

 

 

8º. Lugar – Porca de Murça 2004 – 12,5% – DOC DOURO – Produzido por Real Companhia Velha e importado por Makro S/A
Nota 84/100 pts.

 

 

 

 

9º. Lugar – Villa Romanu VRA 2006 – 13,5% álcool – Antão Vaz, Arinto e Verdelho – Produzido por Herdade do Perdigão e importado por Interfood.
Nota 83/100 pts. 

 

 

 

10º. Lugar – Periquita 2005 – 12,5% – Vinho Regional Terras do Sado – produzido por José Maria da Fonseca
Nota 82/100 pts.  

A safra 1999 pelo mundo

 

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1o.
Finca Flichman Dedicado 1999 – Cs/Shiraz/Malbec – Arg
Adquirido em fevereiro de 2008

2o.
Morandé Vitisterra Cabernet Sauvignon 1999 – Chile

Adquirido em setembro de 2002

3o.
Barolo Batasiolo docg 1999 – Itália
Adquirido na Expand em julho de 2005

4o.
Brands of Coonawarra Shiraz 1999 – Austrália
Adquirido em setembro de 2008 na Best Wine  (estava na adega climatizada)

5o.
Chateau La Marzelle Grand Cru Classé Saint-Emilión 1999 - Merlot/CF e CS – França
Adquirido no Carrefour em julho de 2008

6o.
José de Souza Mayor Garrafeira VRA 1999 – Trincadeira/Aragonez e Grand Noir – Portugal
Adquirido em dezembro de 2005 no Carrefour

6o.
Adega Cooperativa Borba Reserva 1999 – Portugal
Adquirido em dezembro de 2003 no extinto Supermercado BIG

7o.
Balbi Barbaro 1999 – Cs/Merlt/Malbec – Argentina
Adquirido em julho de 2002

8o.
Aurora Millésime Cabernet Sauvignon 1999 – Brasil
Adquirido em agosto de 2008

 

 

Breves Comentários
Um dos confrades nos brindou com o Prosecco di Conegliano Valdobbiadene  Case Bianche – Vigna Del Cuc, da Importadora Decanter, 11,5% de álcool, que abriu a degustação e que se destacou por seus aromas frutados e frescos com destaque para maçã verde. Na boca um vinho leve, de ótimo frescor, mineralidade e ausência de amargor. O espumante que levei De Greville Brut não pôde ser servido por que não havia gelo, o que foi um descuido porque já tinha avisado que pretendia serví-lo gelado.

 

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O vencedor Dedicado 1999 é um vinho argentino irregular. Cada garrafa é uma surpresa. De um total de quatro adquiridas em janeiro de 2008, essa é a terceira que estava em perfeito estado de conservação. As duas anteriores não estavam boas. É um corte de 51% cabernet sauvignon, 39% de syrah e somente 10% de malbec. Restaram duas garrafas, uma na adega climatizada desde janeiro de 2003 e outra adquirida em janeiro de 2008. Das 10 amostras degustadas, foi o vinho de maior concentração de cor e de sabor. O nariz não se destacou. Mas a boca volumosa e densa, com taninos ainda vivos e madeira perceptível chamou atenção de todos. Oportunamente faremos uma nova degustação e incluiremos essas duas garrafas remanescentes. Para quem escreve era o azarão. Nota final 90/100 pts.

 

A segunda colocação ficou para um vinho bastante consistente e que não costuma decepcionar:  Morandé Vitisterra Cabernet Sauvignon 1999.  Já o havia degustado dois anos atrás e com relação a essa garrafa observo que já houve a perda de intensidade aromática. Mas a boca mostrou o contrário: apesar dos taninos prontos, a sua acidez e corpo ainda vivos lhe garantiriam alguns anos de garrafa. Nota 89,5/100 pts.

 

O ocupante do terceiro lugar foi um Barolo Batasiolo DOCG 1999 previamente decantado por duas horas. De um total de quatro garrafas, essa é a terceira  amostra que se mostrou bem superior  às anteriores que não foram convenientemente decantadas (Essa foi por duas horas). Apresentou uma cor granada brilhante sem turbidez, aromas de frutas secas, taninos bem marcantes e para alguns adstringentes, ótima acidez e de boa permanência no palato. Para um Barolo genérico não decepcionou nem um pouco, esbanjou tipicidade.  Se fosse mais complexo e profundo provavelmente arrebataria o pódio. Nota 89/100 pts.

 

Na quarta colocação um shiraz australiano: Brands of Coonawarra. De cor rubi profundo com reflexos granada com ligeira turbidez, mostrou os aromas característicos da casta com especiarias, leve cassis e algum vegetal. Na boca se mostrou macio, intenso e de bons taninos a lhe conferir alguma sobrevida pela frente. Ficou com 88/100 pts.

 

Na quinta colocação aquele que julgava ser um dos favoritos:  o Saint-Emilión Chateau La Marzelle. De cor rubi intenso com reflexos granada, aromas mentolados e com leve chocolate, na boca revelou taninos prontos, boa acidez, corpo médio e ficou devendo complexidade gustativa. Essa é a terceira de um lote de seis garrafas, sendo que as duas amostras anteriores degustadas seis meses atrás estavam bem superiores, com muita fruta  e elegância. Nota 87,5/100 pts.

 

No sexto lugar, o vinho de número 9: o Alentejano José de Souza Mayor. Pouco intenso e unidimensional no nariz, compensou no palato aquilo que lhe faltou no olfato. Na boca se mostrou macio, expansivo, redondo, bons taninos, leve, elegante e longo. Nota 87/100 pts.

 

Empatado no sexto lugar outro alentejano: Adega Cooperativa Borba.  Era um dos vinhos mais antigos da adega, estava lá há cinco a nos e foi comprado no extinto BIG. Foi o vinho que apresentou a melhor complexidade aromática do painel, com notas de alcatrão, café torrado, vegetal e um leve defumado. Na boca se mostrou macio, denso e potente, mas ainda assim neste quesito ficou atrás do José de Souza Mayor. Nota 87/100 pts.

 

No  sétimo lugar o argentino Balbi. Aromas mentolados com algum chocolate. Na boca mostrou taninos esmaecidos pelo tempo, boa acidez, corpo compatível, baixa complexidade gustativa e final suave. Seu auge já passou. Está em declínio. Nota  85/100 pts.

 

Na última colocação o representante nacional Aurora Millésime Cabernet Sauvignon. Aromas vegetais, notas de cantina e algum terroso. Na boca corpo médio, boa acidez e baixa complexidade gustativa com algum amargor. Vinho em franco declínio. Nota 84/100 pts.

 

Ao final um dos confrades levou um vinho de sobremesa que desafiou o conhecimento dos degustadores. Tratava-se do Intenso, chardonnay de sobremesa da Salton que mostrou equilíbrio entre acidez e doçuca, sabor com nota para fruta em compota e final sem amargor. Nenhum dos presentes foi capaz de acertar na mosca a sua procedência. Vinho surpreendente  que mostrou bastante evolução qualitativa em relação às safras anteriores.

 

Observação:
Agradecimento sincero e especial aos confrades que possibilitaram a realização do evento e que decididamente contribuíram para o esvaziamento de minha adega (rsr).

Esvaziando a Adega – 2ª. Edição: Brancos pelo mundo

 

 

 

Salve, povo do vinho!

Com quase duas semanas de atraso, finalmente vou publicar a resenha da degustação da nossa “confraria sabática mensal/quinzenal”.

Desta vez, nosso confrade Jeriel aliviou de sua adega belíssimos vinhos brancos provenientes de diversas regiões do mundo (com pequeno destaque quantitativo para Portugal).

Conforme a tradição recém-inaugurada, a reunião de 27 de setembro teve lugar no agradabilíssimo restaurante Vittoria Pastas e Risottos.

Confraria: Alexandre Furniel, Eu, Clóvis Pavan, Jeriel, Lucas Garaldi, José Luiz Garaldi
Grupo 1

1. Herdade do Esporão Alandra N/V (Portugal – Alentejo). Uvas: Diagalves e Manteúda. Álcool: 12,5%. Preço Médio: R$23,50. Adquirido em/de: Qualimpor.
No visual, apresentou coloração amarela-dourada clara, com toques verdeais, límpida. Ao olfato, ataque mineral de média potência, secundado por frutas brancas e notas florais. Ao paladar, um vinho de bom corpo, untuoso, mas de baixa acidez. Final de médio para longo.
Nota do comentarista: 83,5
Média do grupo: 81

 

2. Cave de Turckheim Riesling Vin d’Alsace 2004 (França – Alsácia). Uvas: Riesling. Álcool: 12,5%. Preço Médio: R$29,90. Adquirido em/de: Carrefour.
A casta Riesling é considerada como uma das mais nobres castas brancas do mundo, tendo como regiões de excelência entre outras a Alsácia Francesa de onde vem este vinho. No visual, tonalidade amarela de intensidade mediana com toques ligeiramente verdeais. Boa intensidade e complexidade aromática, com ataque mineral típico (petróleo), frutas brancas (pêra, melão), e frutas cítricas (limão), tudo muito maduro e fresco em conjunto com leves notas florais. Ao paladar, bastante agradável, corpo leve/médio, com presença de frutas cítricas e acidez viva, proporcionando um frescor muito agradável num conjunto bem equilibrado e com final mineral e persistência final média/alta. Um vinho que se mostrou fresco e bastante agradável de beber. Um bom entry-level Riesling.
Nota do comentarista: 83
Média do grupo: 83

 

 

3. Herdade do Esporão Monte Velho 2004 (Portugal – Alentejo). Uvas: Roupeiro, Antão Vaz e Perrum. Álcool: 13,5%. Preço Médio: R$37 (ref. safra 2006). Adquirido em/de: Qualimpor.
No visual, amarelo-palha. Ao olfato, ataque agradável, com notas cítricas (limão Taiti) e frutas tropicais (maracujá e abacaxi). Com o tempo na taça, o conjunto vai perdendo vitalidade, sobrando notas de grama seca. Na boca, pouca vitalidade, com notória falta de acidez. As notas frutadas e o componente vegetal ficam claros na evolução, mas revelam-se “mortos”. Final austero, com notas doces geradas pelo componente cítrico, e ligeiro amargor.
Nota do comentarista: 82
Média do grupo: 84,5

 

 

4. Trapiche Torrontés 2006 (Argentina – Mendoza). Uvas: Torrontés (100%). Álcool: 13%. Preço Médio: R$16,25. Adquirido em/de: Interfood.
No visual, coloração dourado-clara, límpida. Ao olfato, a tipicidade da varietal se apresenta em suas notas florais, secundadas por especiaria, frutas tropicais e notas cítricas. Ao paladar, excelente acidez, final prolongado, com toques de extrato de limão, banana e abacaxi.
Nota do comentarista: 88,5
Média do grupo: 86

 

 

5. Herdade do Esporão Vinha da Defesa Tinto 2006 (Portugal – Alentejo). Uvas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro. Álcool: 13,5%. Preço Médio: R$64. Adquirido em/de: Qualimpor.
No visual, apresentou-se amarelo-claro, límpido, com toques verdeais. Ao olfato, elegante, com frutas brancas, limão, com leves toques de grama. Ao paladar, acidez correta, bastante frescor e fruta. Final prolongado, sem amargor. Um vinho bem elaborado e agradável, mas um pouco “internacional” demais, mas nem por isso deixa de ser um bom exemplar que nos chega de terras alentejanas.
Nota do comentarista: 86,5
Média do grupo: 85,5

 

Grupo 2

6. Obikwa Chenin Blanc 2005 (África do Sul – Western Cape). Uvas: Chenin Blanc (100%). Álcool: 12,5%. Preço Médio: R$23,90. Adquirido em/de: Interfood.
Palha esverdeado, nariz de fraca intensidade e pouca complexidade com notas de pera e maçã verde. Boca macia, frutada, curta e de baixa acidez. Fraco na tipicidade. Vale mais pela curiosidade, porque há Chenins superiores na África do Sul.
Nota do comentarista: 81,5
Média do grupo: 83,5

 

 

7. Basa 2004 (Telmo Rodriguez) (Espanha – Rueda). Uvas: Viura, Verdejo e Sauvignon Blanc . Álcool: 13%. Preço Médio: US$22,90 (ref. safra 2006). Adquirido em/de: Mistral.
No visual, amarelo-palha, brilhante, límpido. Ao olfato, ataque de polpa de maracujá, e um leve enxofre. Em seguida, surgem notas de casca de pêra e maçã cozida, com um toque de especiaria doce (noz moscada). Ao paladar, sua estrutura me lembrou a de um Pinot Gris. Acidez moderada, boa untuosidade, e um final fenólico um pouco destacado demais. Boa persistência. Um branco de corpo de médio para bom, refrescante e muito agradável de beber. Detalhe: um vinho de grande qualidade, vendido a um preço irrisório simplesmente porque o rótulo estava rasgado. Como não somos “bebedores de rótulos”, palmas para o Jeriel pelo grande achado!
Nota do comentarista: 87
Média do grupo: 87

 

 

 

8. Cono Sur Riesling 2006 (Chile – Valle del Bío-Bío). Uvas: Riesling (100%). Álcool: 12,5%. Preço Médio: R$23,40. Adquirido em/de: Wine Premium (subsidiária da Expand).
No visual, amarelo-palha de boa intensidade. Ao olfato, típico mineral, secundado por floral intenso, maçã verde, pêra e mel. Ao paladar, apresenta-se pleno de boca, muito boa acidez, persistência média. Toques amendoados no retrogosto.
Nota do comentarista: 86
Média do grupo: 86

 

 

 

9. Château Ksara Blanc de Blancs 2004 (Líbano – Valle do Bekaa). Uvas: Sauvignon, Sémillon and Chardonnay. Álcool: 13%. Preço Médio: R$64,90. Adquirido em/de: Maxifour.
No visual, dourado intenso, límpido. Ao olfato, o confrade Lucas detectou um peculiaríssimo aroma de caldo de feijão. Inicialmente, achei estranhíssimo, mas todos os presentes confirmaram. Esse aroma é secundado por maracujá, notas adocicadas e madeira bem presente. Ao paladar, um vinho equilibradíssimo, untuoso, refrescante. Final prolongado.
Nota do comentarista: 89
Média do grupo: 88

 

 

10. Cave de Tain l’Hermitage Marsanne Blanc 2003 (França – Crozes-Hermitage, Vale do Rhône). Uvas: Marsanne (100%). Álcool: 12%. Preço Médio: R$9,90. Adquirido em/de: Rei dos Whiskies.
No visual, amarelo dourado intenso. Ao olfato, curioso toque de fortificação (aparentado a um Porto branco). Notas cítricas, flores brancas. Ao paladar, um vinho de excelente corpo e, na definição do confrade Alexandre Furniel, “um vinho gastronômico”. Frutas brancas (pêra e pêssego) no retrogosto. Excelente relação custo x benefício.
Nota do comentarista: 88,5
Média do grupo: 86,5

 

 

 

11. Bolla Soave Classico 2005 (Itália – Veneto). Uvas: Garganega (predominante). Álcool: 12,5%. Preço Médio: R$34,90. Adquirido em/de: Carrefour.
Coloração dourada bastante evoluída. Interessante nariz amendoado, com ligieiro toque floral e notas doces. Pleno de boca, elegante, boa concentração. Acidez bastante agradável, e final prolongado. Detalhe interessante: o contra-rótulo exalta a parte artística do rótulo (além do marketing), não apresentando nenhuma informação sobre o vinho.
Nota do comentarista: 84
Média do grupo: 84

 

Ao final da degustação, os campeões foram os seguintes vinhos:

1º Château Ksara Blanc de Blancs 2004
2º Basa 2004
3º Trapiche Torrontés 2006 (no desempate com o Cave de Tain l’Hermitage Marsanne Blanc 2003)

Foi uma grata surpresa termos um vinho libanês em primeiro lugar, ombreando com belíssimos exemplares do Novo Mundo e do Velho Mundo, em uma degustação marcada sobretudo pela diversidade.

Para encerrar os trabalhos, a Vittoria Pastas e Risottos nos brindou com um menu de altíssimo nível, completamente harmonizado com a proposta da degustação.

Como entrada, apreciamos um carpaccio de meca (peixe de água salgada) finíssimo, ao molho de mostarda, limão, alcaparras e azeite extra-virgem, acompanhado por uma salada de rúcula e alface. Uma das combinações de sabores mais ricas que já tive oportunidade de apreciar.

O prato principal escolhido pela maioria dos confrades foi um linguado recheado com salmão, acompanhado por um risoto de alcachofra. Um prato gastronomicamente perfeito, com grande contraste de paladares, que se harmonizou muito bem principalmente com os três vinhos campeões da degustação. Destaque para o Trapiche Torrontés 2006, cujo amargor foi neutralizado pelos componentes do prato.

Para encerrar, a sobremesa servida foi um crêpe de sorvete de creme com calda de maracujá. Seguramente uma sobremesa que recomendo a todos! Deliciosa!

Parabéns mais uma vez à Vittoria Pastas e Risottos pelo excelente serviço do vinho e pela altíssima qualidade culinária dos pratos!

Texto de autoria de André Schmid

Esvaziando a Adega 1ª. edição: Syrah pelo mundo

Salve, povo do vinho!

Com uma semana de atraso (pra variar), público agora o comentário sobre a primeira degustação “Esvaziando a Adega”, idealizada pelo nosso amigo e confrade Jeriel e apoiada e aplaudida pela dileta confraria.
O tema inaugural foi “Syrah/Shiraz pelo Mundo”. Foram degustadas 10 amostras de vinhos produzidos com a uva Syrah/Shiraz, provenientes dos seguintes países: Chile (5), Estados Unidos (2), África do Sul (1), Argentina (1) e Austrália (1). Das 10 garrafas, foram pontuadas apenas 8, pois duas infelizmente apresentaram-se bouchonées.

 

A reunião foi realizada no sábado, 30 de agosto de 2008, na Vittoria Pastas e Risottos (11 3721-1124), restaurante de elegante concepção arquitetônica rústica, localizado no complexo gastronômico “Vila do Jardineiro” (Av. Eliseu de Almeida, 1077 – Butantã – São Paulo SP), com a presença dos confrades Jeriel, Eu (vosso humilde eno-escriba blogueiro), José Luiz Garaldi, Lucas Garaldi e Clóvis Pavan.

Merecem menção especialíssima o atendimento e a recepção de primeiríssimo nível que a Risoteria Vittoria nos dispensou, com o serviço do vinho realizado com extrema competência pelo simpático Pereira.

 

Sem mais delongas, vamos aos comentários sobre cada um dos Syrah/Shiraz que tivemos o prazer de degustar e avaliar. Ao final, apresentarei a classificação final.

 

1. Kingfish Shiraz 2004 (EUA – Califórnia) – Delicato Vineyards. Álcool 13,5%. Preço Médio: R$20,00. Adquirido em: Wal Mart.

No visual, coloração violácea de média concentração, ligeira turbidez. Ao olfato, ataque com certa redução, mas revela rapidamente notas de groselha compotada, mirtilo, ameixa, e ligeiro toque defumado. Ao paladar, boa acidez, álcool equilibrado e taninos macios. Com o tempo na taça, evolui para aromas adocicados. Média persistência.

Nota do comentarista: 84,5 pontos
Média do grupo: 82 pontos

 

2. Omnium Syrah 2002 (Argentina – Mendoza, Lujan de Cuyo) – Viniterra. Álcool 13,0%. Preço Médio: R$20,00. Adquirido em: Big Interlagos (encerrado).

No visual, apresenta nítida coloração grená, média concentração, brilhante. Ao olfato, o vinho apresentou-se um tanto prejudicado, predominando os aromas químicos (acetona) e certa resina. Ao paladar, praticamente não revelou notas frutadas, destacando-se uma acidez exacerbada, sobrepujando a percepção de outros aspectos. Vinho insatisfatório em nossa degustação.

Nota do comentarista: 64 pontos
Média do grupo: 66 pontos

 

3. Gracia de Chile Syrah Selección Limitada 2002 (Chile – Valle del Aconcagua) – Gracia de Chile. Álcool 13,0%. Adquirido em: Grand Vin (atual Zahil).

No visual, apresenta coloração rubi, ligeira evolução, média concentração de cor, brilhante. Ao olfato, o ataque mostrou pouca tipicidade, com notas de goiaba branca. Depois de algum tempo, notas de cereja, alcaçuz e especiaria. Ao paladar, demonstrou bom corpo, acidez correta, certa untuosidade, taninos presentes, mas finos, e persistência prolongada.

Nota do comentarista: 85 pontos
Média do grupo: 84 pontos

 

4. Cremaschi Furlotti Syrah Reserva 2003 (Chile – Valle del Maule) – Cremaschi Furlotti. Álcool 13,0%. Preço Médio: R$30,00. Adquirido em: Carrefour (safra atual 2006).

No visual, apresenta coloração rubi, com nítidas nuanças de evolução, média concentração de cor, brilhante. Ao olfato, grande tipicidade. Os aromas secundários (coco, baunilha, pimenta-do-reino) predominam ao ataque, secundados por frutas maduras (figo, cereja). Ao paladar, madeira bem integrada, excelente equilíbrio entre álcool e acidez, final longo, e ausência de amargor.

Nota do comentarista: 88 pontos
Média do grupo: 87 pontos

 

 

5. Two Oceans Shiraz 2003 (África do Sul – Western Cape) – Two Oceans. Álcool 14,5%. Preço Médio: R$25,00. Adquirido em: Pão de Açúcar.
No visual, apresenta coloração violácia de média concentração, com certa transparência, e brilhante. Ao olfato, percebe-se ataque alcoólico, secundado por uma nota bastante incomum a um tinto: manga madura! Depois de alguns minutos, surgem cassis, groselha e especiaria. Ao paladar, muita elegância. Pleno de boca, “carnudo”, taninos presentes, mas não desagradáveis, acidez correta. Ligeiro amargor final. Resina no retrogosto. O vinho saiu-se melhor na boca que ao nariz.

Nota do comentarista: 87 pontos
Média do grupo: 85,5 pontos

 

6. Ventisquero Clásico Syrah 2005 (Chile – Valle del Colchagua) – Viña Ventisquero. Álcool 13,5%. Adquirido em: Cantú.

No visual, ainda violáceo, mas apresenta certa evolução. Média concentração de cor, brilhante. Ao olfato, o ataque apresentou uma nota inicialmente definida como “semelhante à carne”, mas nosso confrade Clóvis Pavan descreveu-a de maneira incomum, mas com absoluta perfeição olfativa, frango cozido. O vinho tropeça um pouco no quesito ‘tipicidade’, mas não compromete. Notas de cedro, amora negra e violeta. Ao paladar, mostra-se aveludado, com acidez marcante. Bom corpo e bastante equilíbrio. Persistência média

Nota do comentarista: 86 pontos
Média do grupo: 85 pontos

 

7. Casillero del Diablo Syrah 2003 (Chile – Valle Central) – Concha y Toro. Álcool 14,5%. Adquirido em: Pernod Ricard.

No visual, violáceo retinto, brilhante. Ao olfato, apresentou-se fechado inicialmente, sous bois, notas vegetais (grama) nítidas. Contudo, apresenta-se moncromático. Ao paladar, amargor destacado, acidez correta. Seus elementos não se entrosaram bem (com destaque para a madeira).

Nota do comentarista: 83,5 pontos
Média do grupo: 80 pontos

 

8. Emiliana Syrah 2002 (Chile – Valle del Rapel) – Viñedos Emiliana. Álcool 13,0%. Preço Médio: R$20,00. Adquirido em: Toque de Vinho.

No visual, apresentou concentração média, com halo de evolução tendendo ao grená. Ao olfato, toques animais, especiaria, groselha preta. Bastante elegância. Ao paladar, acidez adequada, aveludado e persistente. Saiu-se melhor na boca que no nariz.

Nota do comentarista: 86 pontos
Média do grupo: 85 pontos

 

Como mencionei no início, dois vinhos foram desclassificados por estarem infelizmente bouchonées:

Lindemans Cawarra Shiraz/Cabernet 2001 (Austrália – South Eastern
Austrália) – Lindemans. Álcool 13,0%. Importadora EXPAND. Adquirido em: Carrefour (Safra atual 2006).

Delicato Shiraz 2001 (Estados Unidos – Califórnia) – Delicato Family
Vineyards. Álcool 13,5%. Importadora La Pastina.

Foi realmente uma fatalidade que essas duas garrafas estivessem corked, pois são vinhos que já provei em outras ocasiões, e se saíram muito bem na avaliação.

Após a degustação, a classificação final foi a seguinte (com um empate no 3º lugar):

 

1º Cremaschi Furlotti Syrah Reserva 2003
2º Two Oceans Shiraz 2003
3º Ventisquero Clásico Syrah 2005
3º Emiliana Syrah 2002

5º Gracia de Chile Syrah Selección Limitada 2002
6º Kingfish Shiraz 2004
7º Casillero del Diablo Syrah 2003
8º Omnium Syrah 2002

Ao final da avaliação, demos ao dente (como dizem nossos patrícios d’além mar). Fomos brindados pela Risoteria Vittoria com um menu de altíssima qualidade. Uma nota bastante pitoresca: até o pão francês servido no couvert durante a degustação, algo a que ninguém normalmente presta muita atenção, estava delicioso.

Couvert

- Azeite com Ervas
- Bastonetes de Pepino e Cenoura
- Torrada de Parmesão
- Grissini
- Pastas

Salada
- Bouquet verde com tomate, cenoura ralada ao molho mostarda

Prato Intermediário
- Ravioli de mussarela ao pomodoro (nota do comentarista: um dos melhores molhos de tomate para ‘pasta’ que já provei. Harmonizou-se perfeitamente aos vinhos)

Prato Principal
- Medalhão de filé ao molho madeira e champignon; Risoto de rúcula (nota do comentarista: difícil encontrar no mundo gastronômico paulistano um risoto tão bem executado quanto este. Também proporcionou uma experiência enogastronômica única)

Sobremesa
- Banana Flambada com Sorvete de Creme (nota do comentarista: acompanhando a sobremesa, um Porto Real Companhia Velha Tawny, bastante agradável)

Enfim, uma reunião agradabilíssima. Recomendo a todos os visitantes que confiram de perto a altíssima competência culinária e o ambiente descontraído da Risoteria Vittoria.

Cheers!

Texto de André Schmid