Category Archives: Luiz Gastão Bolonhez

colunista

Merlot, uma grande casta

A Merlot é uma casta controversa, pois dependendo de como é cultivada pode produzir desde vinhos simples e ralos, até verdadeiros monumentos. De origem francesa e plantada nos quatro cantos do mundo é uma casta muito utilizada para elaborar vinhos de corte, bem como produzindo vinhos varietais. Nos vinhos de corte é presença garantida em quase todos os grandes vinhos de Bordeaux, mais notadamente nos vinhos do Medoc e Graves. Todos os Premieur Grand Classé da classificação de 1885 tem em seu blend a Merlot. Sem duvida nessas duas regiões a Merlot é sempre a coadjuvante ao lado da Cabernet Franc e Petit Verdot  (as vezes Malbec), onde a Cabernet Sauvignon reina absoluita e é a casta principal. No Medoc onde está incrustada Appelation D’Origine Controlée (AOC) de Paulliac, a Meca do Vinho, os clássicos Premieur Grand Classé como o Chateau Latour, Chateau Mouton e Lafite Rothschild tem a Merlot em seu blend. Medoc e Graves são denominadas regiões vitivinicolas da Margem esquerda do Rio Gironde. Poucos quilômetros Rio Gironde abaixo, para dentro do continente, esse Rio se divide em dois, o Garonne e o Dordogne. Logo após a cidade de Libourne temos na, Margem Direita do Dordogne, duas AOC’s onde a Merlot é mais presente, são elas Saint Emilion e Pomerol.

Em Saint Emilion faz parceria com a Cabernet Franc e em Pomerol, reina absoluta, sendo utilizada na maioria das vezes como a casta predominante. Além dessas duas AOC’s e seus satélites, a Merlot predomina em Bordeaux nas AOC’s de Fronsac, Bourg e Blaye. De acordo com o senso de 1988 na região de Bordeaux a Merlot tinha metade da plantação dentre as castas tintas. A 2ª Casta mais plantada na região com 28% na ocasião era a Cabernet Sauvignon. Especificamente no Médoc de cada duas vinhas plantadas uma era Cabernet Sauvignon, enquanto que em Saint Emilion e Pomerol tinhamos 2 videiras de Merlot em cada 3 plantadas. Essa tendência sofreu algumas mudanças nos últimos anos com um maior foco no aumento da plantação da Cabernet Sauvignon, principalmente no Médoc, mas sem muitas mudanças de maneira geral, sendo ainda a Merlot a casta tinta mais plantada em toda Bordeaux. O vinho de Bordeaux mais caro e disputado do Planeta é um Merlot Puro, o famosíssimo Petrus. De maneira geral o Petrus é um vinho que precisa de muitos anos em garrafa para mostrar todas as suas qualidades.

A Merlot, sua origem, características, solo e clima ideal

Ainda não existem comprovações que confirmam em 100% a origem da casta, mas é claro o reconhecimento de que a mesma é de origem Bordolesa. Uma das primeiras menções da Merlot data de 1784 onde um oficial local chamado Faurveau destacou a Merlot como uma das melhores castas da Região de Liborunais, na margem direita do Dordogne. Poucos anos antes ,em 1868, A. Petit Lafite classificou a casta como a principal para ser blended com a Cabernet Sauvignon. A plantação mais consistente da Merlot na margem esquerda se iniciou em meados do século XIX. Por volta desse mesmo período do século XIX a casta também começou a ser plantada na região do Veneto na Itália, de onde o primeiro registro data de 1855. No inicio do século XX a casta chegou ao Cantão de Ticino na Suiça. Seu nome deriva segundo alguns estudos de um pássaro negro chamado Merle (Black BirdTurdus merula), cujo dinimutivo é Merlot, talvez pela sua cor muito escura. Ainda existem registros de que o pássaro em questão aprecia frutas doces de maturação avançada, como um bago de Merlot maduro.

A Merlot é uma variedade que possue uma casca mais fica se comparada com a Cabernet Sauvignon, é menos resistente a solos frios e normalmente amadurece algumas semanas (normalmente 2 semanas) antes que a Cabernet Sauvignon. Por essa razão se adéqua de maneira destacada em solos com maior quantidade de Argila, como os de Libournais, onde a argila é predominante no solo. De maneira geral a região de Libournais, Margem Direita, é mais quente que o Médoc, do lado esquerdo. É uma casta mais sensível a doenças como Coulure e podridão e finalmente é mais sensível a geadas mais fortes.

Normalmente, dependendo de como é cultivida, a Merlot produz vinhos com taninos de média intensidade. Sempre concede carga de frutas vermelhas e negras. Quando é cultivada em climas mais quentes concede aos seus vinhos a fruta negra mais intensa e toques de chocolate. Se não manuseada adequadamente e pricnipalmente quando é colhida antes de sua plena maturação, concede tons muito herbáceos, verdes, a seus vinhos.

Os Grandes Merlot de Pomerol e Saint Emilion

De Pomerol temos os excepcionais tintos: Chateau Le Bon Pasteur, Certain de May, Clinet, L’Egilse Clinet, L’Evangile, La Fleur-Petrus, Lafleur, Le Gay, Le Pin, La Tour-à-Pomerol, Trotanoy e Vieux Chateau Certain, todos com a Merlot predominante, com a porcentagem variando entre 60% e 90%. O corte mais comum nesses vinhos é 80% de Merlot com 20% de Cabernet Franc. Alguns levam um toque de Cabernet Sauvignon, nunca ultrapassando mais de 10%. Nenhum desses vinhos é um Merlot puro. Os Merlot puros mais reluzentes dessa AOC são o já mencionado Petrus e o sensacional La Fleur de Gay. Anos atrás o Petrus tinha em seu corte um pouco de Cabernet Franc, mas já alguns anos é produzido com 100% de Merlot.  De Saint Emilion temos grandes vinhos com a Merlot como base, mas em quantidades menores, na maioria dos casos em se comparando com os tintos de Pomerol. Duas das mais espetaculares estrelas de Saint Emilion, ao lado do Cheval Blanc (Cabernet Franc predominante), o Chateau Ausone e o Chateau L’Angelus tem em seu blend cerca de 50% de Merlot. Os clássicos e sensacionais Chateau Beau-Séjour Bécot e Béauséjour Duffau Lagarosse são Merlot predominante (~70%). Canon, Canon-La-Gafelière, Clos Fourtet, Clos L’Oratoire, Couvent des Jacobins, La Dominique, La Mondotte, Pavie, Pavie-Decesse, Pavie-Macquin, Quinault-L’Enclos, Tertre-Roteboeuf, Troplong Mondot e Valandraud, são todos tintos de classe mundial que tem em sua alma a Merlot, sempre como casta predominante.De Saint Emilion o mais destacado Merlot puro é renomado e raro La Gomerie.

A Merlot no restante da França

Fora de seu berço, Bordeaux, a Merlot que é 3ª mais plantada casta vinífera no País, somente atrás da Carignan e da Grenache, brilha no Languedoc Roussillon e Bergerac.  Para se ter uma idéia, no mesmo senso de 1988, citado acima, tínhamos cerca de 60.000 hectáres de Merlot plantados contra apenas 36.500 de Cabernet Sauvignon. Ao lado da Syrah, a Merlot tem sido a casta mais plantada no Midi. São cerca de 5.000 hectares plantados no departamento de Aude e L’Herault, onde a casta é parte integrante da maioria dos blends dos grandes vinhos.

A Merlot na Itália

Quando saímos da França, é da vizinha Italia, que podemos encontrar grandes vinhos a base da casta Merlot e, ainda mais, podemos afirmar que hoje os melhores Merlot in purezza do mundo são mesmo desse país, principalmente se não compararmos com o citado Petrus e levando em consideração, que a maioria dos grandes vinhos de Pomerol e Saint Emilion são, sempre Merlot predominante, mas raramente puros. A Merlot na Itália é muito difundida no Veneto, mas na maioria das vezes nessa região, produz vinhos de volume, sem muita expressão. Na região vizinha do Friuli Venezia Giulia a coisa é bem diferente. Temos nessa região tintos a Base de Merlot e, muitos in purezza, absolutamente sensacionais. Os produtores Miani, Villa Russiz, Volpe Pasini, Livio Feluga e Vie de Romans, por exemplo, produzem vinhos de classe mundial com a Merlot “Friulana”. Partindo do norte para o sul, mais especificamente na Toscana, encontramos os mais badalados Merlot do mundo, sem duvida nenhuma. O mais interessante é que temos Merlot de exceção tanto no centro da Toscana, quanto na costa. Não há como negar que é na costa da Toscana, em Maremma e Bolgheri, que temos a mais importante plantação de castas bordolesas fora da França. Na costa da Toscasna brilham sobremaneira a Cabernet Sauvignon, a Merlot, a Cabernet Franc e a Petit Verdot.

Do centro da Toscana um dos mais renomados produtores de vinhos da região do Chianti ,de alta gama, o Castello Di Ama, comandado pelo simpático e habitue de nosso país, Marco Pallanti, temos um vinhedo único denominado L’Apparita. Desse vinhedo de Merlot temos todo ano um dos mais renomados Merlot do mundo, o Castello di Ama Vigna L’Apparita, um primor de tinto. Ainda da costa da Toscana temos os mais caros e disputados Merlot puros do planeta (sem considerar Petrus e La Gomerie, por exemplo). Seus preços são mesmo altos, mas se comparados com os vinhos de Pomerol, sinceramente estamos falando de vinhos de muito melhor value for Money. Nessa região temos obras de arte como o Le Macchiolle Messorio, o Tenuta Del’ Ornellaria Masseto e o Tua Rita Redigaffi. Alias foi esse último vinho a inspiração para elaboramos essa matéria dedicada a essa tão especial casta. Ainda na Itália temos grandes Merlot do Lazio e da Campania. No Lazio, o competente enólogo Ricardo Cottarella, produz um grande Merlot chamado Montiano e na Campania ,mais ao sul da Itália, a casa Feudi de San Gregório produz o bombástico Pàtrimo.

A supreendente Merlot do Norte da Espanha

A moderna Bodegas Irius, Somontano, Nordeste da Espanha

Na Espanha ,onde Garnacha e Tempranillo dominam, temos em três regiões, verdadeiros achados quando falamos de proeminetes Merlot. Navarra e Somontano são duas dessas regiões. A segunda ao pé dos Pinineus tem uma impressionante plantação da casta e produz vinhos de diversos níveis, mais não tem muitos Merlot predominantes ou puros. Do Somontano os mais destacados são O Merlot Merlot da Enate e o Absum Collection da Bodega Irius.

Já em Navarra onde temos poucos hectares plantados, temos dois produtores, que dedicam um carinho especial a Merlot. A Casa Julian Chivite, a mais badalada da região, produz um delicioso Merlot, com cultivo biológico. A vizinha Viña Magaña produz um superlativo Merlot, que foi também uma grata surpresa em nossa degustação as cegas. Um grande vinho. A terceira região que tem muitos hectares plantados da Merlot é o Penèdes que tem bons Merlot puros, com destaque para o Atrium Merlot da família Torres, que é um bom custo beneficio. O grande Merlot do Penèdes é o extraordianrio Caus Lubis do produtor Can Rafols dels Caus. Um tinto sensacional que pode evoluir por muitos anos na garrafa.

A Merlot nas Américas

Campos de Lavanda na Matanzas Creek em Sonoma, California, EUA

A casta Merlot tem importante presença nos Estados Unidos. É muito difundidada na Califórnia, com destaque para o Napa Valley, onde temos excepcionais exemplares. Mais ao norte do país no estado de Washington, mais especificamente no Columbia Valley, podemos encontra preciosidades. Temos ainda a casta plantada em um sem numero de outros estados. Se você tiver viagem marcada para a América e quiser trazer umas garrafas de excepcionais Merlot, tente Duckhorn, Pahlmeyer, Paloma, Matanzas Creek e Beringer, do Napa Valley, e Leonetti e Quilceda Creek, do Estado de Washington.

Dos grandes Merlot da California provados os mais especiais são o Duckhorn Three Palms, o Beringer Howell Montain e o Matanzas Creek Journey, sendo esses 2 últimos produzidos em vinícolas sensacionais. A Beringer esta localizada nas cecarnias de Santa Helena, no Napa, já a segunda, incrustada no coração de Sonoma, em meio a uma espécie de Jardim Botânico, repleto de flores. É endereço certo para os amantes do vinho e da beleza natural. Um must para quem visitar a mais customer driven wine region do planeta, a Califórnia.

Na América do Sul temos a Merlot plantada em diversos países. Na Argentina tem papel importante, mas como por lá só dá Malbec, a Merlot ficou um pouco no esquecimento. O interessante é que além de termos a Merlot presente em Mendoza, a casta vem ganhando espaço no Sul, mais especificamente na Patagonia, de onde estão surgindo destacados tintos. No Chile tem presença marcante, mas com o advento da “confusão” local entre Merlot e Carmènere, a Merlot perdeu um pouco de seu brilho, mas temos grandes exemplares de Merlot da terra de Pablo Neruda. Tem importante presença em vários vales do país desde o Limarí até o Maule.

Grandes nomes do Chile como a Casa Lapostolle produzem excelentes Merlot, com destaque para o Cuvée Alexandre, um dos melhores do país. Além desse tinto temos excelentes exemplares de produtores como Viña Santa Rita, Gillmore, Calina, Veramonte e Viña Casablanca. Finalmente no Uruguai temos uma importante quantidade de hectares plantados, mas nesse nosso viznho quem dita o ritmo é a Tannat.

A Merlot no Brasil

Em solo brasileiro a casta tem suma importância produzindo tintos de diversas categorias. Se formos a fundo, a Merlot,  disputa com a Cabernet Sauvignon, a posicão de casta tinta mais importante do Brasil. Os melhores Merlot de nosso país são provenientes do Rio Grande do Sul. Miolo e Valduga, por exemplo, produzem vinhos à base da casta com marcante destaque. O vinho TOP ou Flagship tanto de Valduga quanto de Miolo, é a base da Merlot, da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos. São eles o Storia da Casa Valduga e o Merlot Terroir da Miolo.

A Merlot no Resto do Mundo

A Merlot se destaca ainda em três importantes países, são eles a Australia, a Nova Zelândia e a África do Sul. Na Austrália a casta brilha em varias regiões desse imesno país. Podemos encontrá-la com mais freqüência em cortes do que em varietais, mas mesmo assim podemos disfrutar de bons Merlot puros. Os produtores de maior destaque são Capel Vale, Clarendon Hills, Pepper Tree, Petaluma, Tatachilla e Yarra Yering. Na Nova Zelândia tem presença nas Ilhas Norte e Sul. Os produtores de destaque no cultivo e produção de bons Merlot são Brookfileds, Kim Crawford, Goldwater e Sileni. Na África do Sul a casta tem resultados surpreendentes em Stellenbosch e Paarl. Boekenhoutskloof, Morgenhof, Saxenburg, Spice Route, Thelema, Vergelegen e Veenwouden, são os que mais brilham com seus Merlot. Esse último produziu excepcionais Merlot puros, que podem estar entre os grandes Merlot do mundo. Infelizmente seu proprietário faleceu anos atrás e nunca mais tivemos o brilho de antes.

Matéria de autoria do colaborador Luiz Gastão Bolonhez, originariamente publicada no portal ppow.com.br

Sagrantino di Montefalco, casta italiana excelente para o coração

Os vinhos de Arnaldo Caprai são os mais prestigiados da Umbria e estão sempre, sai ano entra ano, entre os melhores de todo o país. Cappuccio é mais um representante de um importante produtor de vinhos internacional interessado em entender melhor nosso mercado, com vistas a fazer as vendas crescerem por aqui. Os vinhos produzidos pela casa são mesmo sensacionais e para a felicidade de Cappuccio com um enorme potencial de crescimento, pois são quase ou totalmente desconhecidos por aqui. Quem prova um bom Sagrantino di Montefalco, por exemplo, não esquece. Nesse momento vale ressaltar que a Itália é muito mais que seus Barolo e Brunelllo, que são sem duvidas os maiores flagships do país, quando o assunto são os grandes tintos, mas não são os únicos. 

Uvas Sagrantino, rica em polifenóis

Itália, um gama sem fim de uvas indígenas

Único país do mundo a produzir vinhos em todas as regiões. A Itália oferece uma infinidade de uvas autóctones que vão desde o Norte até o Sul, do leste ao oeste, do arquipélago da Sicilia e da Ilha da Sardenha. É impressionante como são únicas e com tipicidade. Na maioria das vezes essas castas representam uma região ou uma denominação de origem. Hoje vamos abordar uma casta que reina absoluta em Montefalco, na Úmbria, na produção de tintos de exceção.

A Sagrantino di Montefalco

Os Umbros costumam se orgulhar ao extremo, pois dizem de boca cheia, que é a Uva Sagrantino a que mais polifenois contém, ou seja, é a casta que produz vinhos, que mais fazem bem para o sistema cardiovascular. Os polifenóis são os responsáveis por um sem fim de benesses ao coração do ser humano. De todos os polifenóis hoje temos um que está em destaque, o Resveratrol, que tem ação antiinflamatória, anticancerígena e é responsável pela diminuição dos níveis de açúcar no sangue.

Assunto controverso, pois freqüentemente outros estudos trazem que uma outra uva tem mais dessas substâncias. Se não for a número um está entre as mais ricas com relação a substâncias antioxidantes como os já citados polifenois, poliflavonóides, etc. A maioria dos tintos produzidos a partir dessa casta são retintos, escuros, com impressionantes taninos e uma personalidade incomum. Podemos ter também vinhos doces à base dessa uva, mas são os secos, que vem conquistando dia-a-dia mais adeptos por serem repletos de opulência, corpo e intensidade. 

4 vinhos, 2 maravilhosos Sangrantino in purezza

Cappuccio e seu importador me convidaram para um almoço exclusivo, onde apresentaram 4 vinhos, todos tintos. Os dois primeiros vinhos foram o Anima Umbra Rosso 2006 e o Montefalco Rosso 2005. Esses dois tintos, não são Sagrantino predominantes. O primeiro, o entry-level da casa, é elaborado a partir de Sangiovese (85%) e Canaiolo (15%). Um vinho de médio corpo correto e que pode competir sem problemas com muitos Chianti da vizinha Toscana. O Montefalco Rosso 2005 também tem predominância da Sangiovese (70%) com Merlot (15%) e o restante de Sagrantino. Um tinto de cor rubi intenso e brilhante. A fruta madura é presente com toques de leves de baunilha. Em boca apresenta bom corpo. Gostoso, firme e muito agradável. Excelente final de boca. 

Os dois últimos tintos foram o Sagrantino di Montefalco Collepiano e o Sagrantino di Montefalco 25 annni, ambos da excelente safra de 2004 e produzidos a partir de 100% Sagrantino. Dois vinhos muito exuberantes e excepcionais. O Collepiano é impressionante na cor. Retinto. A primeira impressão no nariz é fabulosa. Muita cereja negra madura seguida de deliciosa madeira e nuances de baunilha, com um final selvagem e fresco. A marca do conjunto aromático é o equilíbrio.

No palato, é fantástico aliando sensualidade, força e muita personalidade. Um vinhaço, que está muito perto de seu irmão no topo de gama da casa, o Sagrantino 25 anni. Foi degustado há exatos 2 anos atrás. Nesse período melhorou muito, mas continua sendo um vinho de guarda. Melhorará na garrafa pelos próximos 5/8 anos.

Por último chegamos ao Sagrantino di Montefalco 25 anni, um vinho só produzido em safras excepcionais.

Fez seu debut com esse nome com a safra de 1993. Esse extraordinário tinto confirma a qualidade da safra 2004 na Úmbria. Esse Sagrantino in purezza pode ser considerado quase um remédio para nosso sistema vascular tamanha quantidade de polifenois. É também retinto. Ainda mais intenso na cor se comparado com o “irmão” Collepiano. Muito denso e viscoso. Conjunto aromático bombástico, mesmo estando ainda em sua pré-juventude. Muita fruta negra de boa qualidade, madeira e baunilha bem presentes (provenientes de 24 meses de estágio em barricas de carvalho francês), seguidos de um final mineral de dar água na boca. Conjunto de boca fenomenal, pois é um vinho muito cheio, vivo e rico. Os taninos ricos em poliflavonóides são de imensa profundidade. Vinho colecionável, apesar de estar delicioso hoje, deve permanecer na adega por mais alguns anos para atingir sua maturidade, que deve acontecer com mais 3/4 anos. Depois desse período continuara evoluindo em garrafa por mais 15 anos. Também foi degustado em 2009 e melhorou sobremaneira nesses 2 anos. Suas avaliações são consistentes.

Matéria de autoria do colaborador Luiz Gastão Bolonhez, originariamente publicada no por ppow.com.br

Merlot in “purezza”, um dos tesouros da Itália

No 2º semestre de 2011 publicamos nessa seção uma matéria denominada  “Degustação às cegas: um exercício de humildade”. Todos nós, apreciadores e apaixonados por vinhos, temos que ter nossos guias e referências, mas o mais importante é conhecermos nosso gosto, independentemente de qualquer influência. Beber um vinho com o rótulo a vista é bom demais, principalmente quando realizamos um desejo. É muito bom degustar um Chateau Latour. É uma experiência incrível, que enche nossa alma de alegria, pois estamos à frente de um vinho dos sonhos, histórico e que na maioria massiva das vezes é sempre divino, marcante e inesquecível. Por exemplo, já degustei esse vinho de diversas safras, incluindo safras muito difíceis, e mesmo assim o vinho estava sublime. Talvez esse seja um dos vinhos especiais e mais regulares do planeta.

Mas, quando queremos mesmo entender e desafiar a mística do rótulo, é indicado realizar degustações às cegas, principalmente com temas mais específicos. Realizar uma degustação às cegas de, por exemplo, tintos e tão somente tintos “misturando” um delicado Pinot Noir da Borgonha, com um blockbuster Malbec Argentino e com um Cabernet Sauvignon Sul Africano, por exemplo, é tarefa complexa e pode desvirtuar o objetivo principal, que é a comparação.

Vista aerea da Azienda Agricola Tua Rita em Suvereto

No ano passado nossa matéria em questão abordou uma vertical, ou seja, degustamos o mesmo vinho de diversas safras. Foi uma experiência incrível. As verticais servem muito para compreender o significado de um safra em relação a outra. Nesse ano, os mesmos “loucos” por vinhos, depois de muitos estudos decidiram fazer um tema mais profundo e complexo. O tema “Merlot in purezza”, ou seja, escolher Merlot puros da Itália. Importante ressaltar aqui que a Merlot é uma casta de origem francesa e que na sua origem, em Bordeaux, dificilmente é encontrada em vinhos varietais, ou seja, 100% Merlot. O Mais famoso Merlot puro do mundo hoje é o Petrus de Pomerol, uma apelação controlada da grande Bordeaux. Em Pomerol, berço da Merlot, é muito difícil encontrar além do Petrus, varietais da casta em questão. Em contrapartida na Itália onde a casta é muito difundida, podemos encontrar Merlot puros do Sul ao Norte. No sul, mais especificamente na Campania, temos alguns bons exemplares, na Costa Toscana e na Toscana Central, encontramos os mais requintados, caros e raros Merlot da bota e por último, temos no Friuli uma importante plantação de Merlot (há também boa presença da casta no Veneto, mas com vinhos menos expressivos).

Pois bem o decano de nossa confraria, um fã confesso de vinhos italianos, escolheu a dedo 4 dos mais destacados Merlot da Itália, todos de importantes/destacadas safras, são eles: O disputadíssimo e adorado na América do Norte Masseto 2004 da Tenuta Dell’Ornellaia, o sensacional e marcante Messorio 1999 da casa Le Macchiole, o exuberante e riquíssimo Redigaffi 2001 da Azienda Agricola Tua Rita e ,por último, o Vigna L’Apparita 1997 do Castello di Ama. Os três primeiros vinhos são da Costa Toscana e o último, da Toscana Central (Chianti).

Esses 4 vinhos são talvez os mais disputados e caros dentre todos os Super Toscanos, com seus preços variando aqui no Brasil de 700 a 2.000 reais a garrafa de 750 ml. Relativamente às safras, sem dúvida, são essas safras as mais importantes da Toscana nos últimos vinte anos (aqui não levamos em consideração as safras mais recentes como 2006, 2007 e 2008, por considerarmos que os vinhos ainda estão muito jovens para uma disputa como essa). Depois dessa escolha que sem duvida colocava na mesa os Melhores Merlot puro da Itália e quiçá do mundo, decidimos colocar um outsider, obviamente também italiano, à mesa. O escolhido para representar a região do Friuli-Venezia-Giulia foi o Focus Zuc di Volpe 2004 do renomado produtor Volpe Pasini.

Vale aqui ressaltar um ponto sobre as safras. Decidimos mesmo por safras dispares, pois queríamos também nessa degustação tirar algumas dúvidas sobre esses espetaculares anos na Toscana (1997, 1999, 2001 e 2004). Quanto a safra 2004 no Friuli, também tivemos um excelente ano para tintos.

Tudo pronto e estávamos lá, preparados com todos os vinhos servidos em taças numeradas de 1 a 5. Éramos sete enófilos inveterados e ávidos para poder degustar esses cinco grandes tintos. Somente um, no caso seu colunista, sabia da ordem dos vinhos servidos, e por isso fiquei fora da votação e eleição final dos melhores da noite.

As amostras foram por mim organizadas de maneira aleatória, com o objetivo de não deixar muitas pistas. A primeira amostra foi a que menos brilhou e a conclusão que chegamos foi que o vinho tinha algum problema e por isso ficou fora da avaliação final. Foi mesmo um azar, pois estávamos a frente do Castelo di Ama Vigna L’Apparita 1997. Um vinho que degustei diversas vezes, sendo a última vez aqui em São Paulo, ano passado, com o proprietário da casa, o simpático e competente Marco Pallanti. Vale ressaltar que a safra de 1997 na Toscana foi considerada no final do século passado como a safra do século na região. No ano 2000 a renomada revista americana Wine Spectator elegia pela 1ª vez um vinho Italiano como o Wine of the Year. O eleito foi um Toscano da safra 1997, o Solaia, da Tenute Antinori. Na taça numero 2 tínhamos o Tua Rita Redigaffi 2001.  Um vinho muito potente, que disputou o titulo de mais encopado com a amostra numero 5, que vamos abordar a seguir. Seus aromas eram muito marcantes com a fruta negra madura exuberante, seguido de tons especiados e boa presença de carvalho novo.

Um grande vinho, que tem estrutura para evoluir por mais 10 anos seguramente. Foi meu medalha de bronze. A amostra numero 3 foi a que menos de menos densidade e viscosidade mostrou dentre todos. Mais fino na acepção da palavra e coincidentemente menos potente em boca, apesar de apresentar uma boa carga de madeira, fruta abundante e um final muito saboroso. Estávamos a frente do Volpe Pasini Zuc di Volpi Focus 2004. Esse foi meu 2º lugar, levando a medalha de prata. Um tinto realmente delicioso, que está mais acessível hoje que todos do painel, com exceção do numero 4 (também muito pronto), mas que ainda tem bom tempo de evolução em garrafa.

A 4ª amostra era um vinho reluzente, inebriante, com taninos finos e de extrema elegância. Sua complexidade e profundidade aromática marcaram muito. Realmente sublime no conjunto aromático. Inesquecível. Como para mim a degustação não foi às cegas, foi meu favorito, e medalha de ouro de todo painel. Estamos falando do sensacional Messorio 1999, elaborado pelo Genial enólogo Carlo Ferrini, um dos maiores especialistas de toda a Itália e sem duvida o enólogo de mais prestigio em toda Toscana. A última amostra era o vinho mais blockbuster desse painel. Todos seus quesitos como madeira, fruta, álcool e densidade, estavam no “patamar superior”. Para quem aprecia vinhos com muito corpo é uma excelente pedida. Ficou um tanto quanto fora do painel, pois realmente foi de maneira quase unanime eleito com o mais “pesado” vinho da noite.

Panorâmica da Azienda Volpe Pasini no Friuli

O resultado depois da apuração consolidando os 6 “jurados” foi:

Amostra Numero 1

Castello di Ama Vigna L’Apparita 1997

Ficou fora da avaliação.

Amostra Numero 2

Tua Rita Redigaffi 2001

Um 1º, dois 2ºs e três 3ºs.

Amostra Numero 3

Volpe Pasini Zuc di Volpi Focus 2004

Três 1ºs, um 2º e um 3ºs.

Amostra Numero 4

Le Macchiole Messorio 1999

Dois 1ºs, dois 2ºs e dois 3ºs.

Amostra Numero 5

Tenuta Dell’Ornellaia Masseto 2004

Um 2º lugar.

Vale ressaltar que meus votos não foram considerados nessa contagem.

Conclusões:

São muitas, mas de maneira simples podemos “Dizer” que o vinho mais Caro, o Masseto 2004, foi uma grande decepção e o Focus 2004 a grata e especial surpresa.

Resultado Final da degustação às cegas de Merlot in purezza:

Medalha de Ouro – Volpe Pasini Zuc di Volpi Focus 2004

Medalha de Prata – Tua Rita Redigaffi 2001

Medalha de Bronze – Le Macchiole Messorio 1999

Texto de autoria do colaborador Luiz Gastão Bolonhez, originariamente publicado no portal ppow.com.br

O velho mundo traz outros sonhos além dos cobiçados “franceses”

A seguir mais um artigo do colaborador Luiz Gastão Bolonhez:

 

Vinhedos de Barbaresco no Piemonte

 

Itália – Muito requinte

Na Itália a briga para ser um “Bugatti” ou um “Ferrari” acontece também como na França, pois a disputa para ser reconhecida como a região que melhores vinhos produz fica mais acirrada entre duas regiões .  Mas mesmo assim vamos falar de 3 regiões que produzem os vinhos mais desejados e sonhados de todo o País.

O Piemonte com seus Barolos e Barbarescos e a Toscana com seus Super Toscanos e Brunellos. A 3ª região, que pode ser considerada por muitos como outsider, na produção de grandes vinhos, é o Vêneto, localizada nas cercanias de Verona. Nessa região temos como destaque os grandes Amarones e alguns tintos espetaculares, que podem ser considerados verdadeiras jóias.

O piemontês Ângelo Gaja tem o reconhecimento da maioria dos produtores de todo país por ter sido o peregrino que fez do vinho italiano um objeto de desejo, mas foi o Sassicaia da Toscana que começou a colocar o vinho italiano no topo do mundo. Foi o Barão Mario Incisa della Rocchetta, também um dos mais importantes criadores de cavalos puro sangue inglês (cavalos como Ribot e Nearco nasceram nas terras do Barão, que era sócio do Mago Federico Tesio, o maior criador de puro sangue inglês de todos os tempos), quem criou esse ícone italiano. Ele deu origem aos Super Toscanos, sucesso pelo mundo, principalmente nas últimas duas décadas.

Mario Incisa era amigo particular do Barão Philippe de Rosthschild, do Chateau Mouton Rothschild, com quem dividia o sucesso de seus cavalos em meados do século passado. Pois bem, o barão francês, influenciou de tal maneira Mario que esse colocou mais ênfase nas castas “francesas”, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, plantadas no século XIX em plena Toscana (Bolgheri). Della Roccheta iniciou produzindo vinhos, na época, para consumo próprio (claro que os amigos degustavam também seu poderoso tinto). O 1º Sassicaia lançado comercialmente no início da década de 70 foi o 1968.

Infelizmente as safras desse novo milênio deixaram a desejar, mas com o 2004 veio para mostrar que a casa quer estar novamente entre as mais renomadas do mundo, quando o assunto são vinhos superlativos. Além do 2004 os destaques dos Sassicaia recentes são os espetaculares 1997, 1998 e 1999, um trio que pode ser considerado sem nenhuma duvida, sonhos de muito enófilos.

Angelo Gaja, o peregrino italiano, produz uma série de vinhos, mas são seus vinhos de vinhedos únicos Sori Tildin, Sori San Lorenzo, Costa Russi e Sperss, que alcançam as maiores pontuações em várias publicações sobre vinhos no mundo. O Sori Tildin 1982 é um dos maiores monumentos que já degustei da Itália. Recentemente degustei o Sori Tildin 1996, que pode ser considerado o sucessor do 1982.

Os Sori San Lorenzo e Sperss 1990 são afamados e desejados por muitos enófilos. O Costa Russi 1988 é tão maravilhoso quanto surpreendente. Dos Sassicaia o 1985 é hoje o vinho mais procurado e caro na Itália, talvez um dos maiores sonhos quando falamos de vinhos Italianos. Uma garrafa já chegou a custar mais de US$ 5 mil.

Roberto Voerzio do Piemonte com seus Barolos e Gianfranco Soldera da Toscana com seus extraordinários Brunellos são talvez as novas sensações de maior destaque nos últimos 15 anos na Itália. Os grandes destaques desses dois produtores, degustados nos últimos meses são, os profundos Roberto Voerzio Barolo Cerequio 2001 e 1999, e o extraordinário Brunello di Montalcino Intistieti 1995, sem duvida, sonhos para qualquer enófilo. Mas vem do Veneto o mais artesanal de todos os produtores italianos no momento.

 

Trata-se de Giuseppe Quintarelli, um mago que produz o Amarone mais espetacular dentre todos. Não contente somente com seu Amarone, que custa aqui no Brasil mais de 900 dólares a garrafa, Quintarelli produz o ícone dos ícones da Itália. O vinho chama-se Alzero e é produzido, quase sempre, em partes iguais de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Esse vinho é extraordinário e sua resistência quase infinita.

Seus taninos são de uma solidez incrível. Um vinho que pode evoluir por décadas. Especificamente provei o Alzero 1996 quando visitei o senhor Beppe (como carinhosamente é chamado Giuseppe Quintarelli) em Negrar, na grande Verona. Um vinho inesquecível que digo tranquilamente que foi um sonho de enófilo realizado.

 

O último sonho italiano pode ser considerado uma verdadeira surpresa. É Toscano e elaborado a partir de 100% da casta Sangiovese. Só que não é um Brunello di Montalcino, não é um Chianti e também não é um Super Toscano.

Estamos falando de um Vinho Doce, de viscosidade incrível e doçura profunda, o fabuloso Vin Santo Occhio di Pernice do Produtor Avignonesi. Provei há cerca de dois meses o 1997.

Sem dúvida uma obra de arte e mais um sonho realizado. Um vinho raríssimo, muito difícil de ser encontrado, que qualquer enófilo de carteirinha merece provar um dia. Estamos falando de um vinho completamente diferente de tudo. É um vinho único. Inesquecível.

 

 

 

Um sonho chamado Vin Santo di Montepulciano Occhio di Pernice do Produtor Avignonesi

Península Ibérica – A todo dia mais sonhos nascem

 

 

O mítico, esplendoroso e longevo, Vega Sicilia Unico

Da Espanha não há como negar a tradição do Vega Sicília, da Ribera Del Duero. São dessa propriedade que saem os melhores vinhos do Reino de Juan Carlos. A propósito a propriedade em questão produz 3 vinhos: o Vega Sicilia Único, o Vega Sicilia Valbuena 5º año e o não safrado Vega Sicilia Reserva Especial. Estamos falando de vinhos que tem a uva Tinta del Pais (como a Tempranillo é chamada na Ribera del Duero) como espinha dorsal.

Aqui podemos fazer uma pequena comparação do Único, o Top dos Vegas, com o Petrus, pois ao lado desse, talvez estejamos falando dos dois mais longevos vinhos disponíveis no mercado mundial. São vinhos que não só resistem ao tempo, mas que com o passar dos anos melhoram de maneira impressionante.

 

Garrafa do Reluzente Syrah Pago Garduña da Abadia Retuerta

Alguns vinhos na Espanha despontam como ícones e são sonhos de muitos, são eles: o Cirsion produzido pela Bodegas Roda na Rioja, o Alvaro Palacios L’Ermita do Priorato, o Abadia Retuerta Pago Garduña Syrah de Sardon del Duero e o caríssimo Pingus da Ribera del Duero, esse último hoje o vinho mais caro da Espanha, superando em muito o próprio Vega Sicilia. Recentemente o Bodegas Hermanos Sastre Pesus, também da Ribera del Duero, tem alcançado preços estratosféricos e já virou um grande sonho.

Desses vinhos os destaques e candidatos a sonhos de enófilos são: os Vega Sicilia Único 1990, 1994 e 1996, o Cirsion 1999, O L’Ermita 2001, o Pago Garduña 2004, o Pingus 1999 e o extraordinário Pesus 2005, talvez um dos mais profundos vinhos degustados em 2011. Um vinho com uma estrutura fabulosa e que seguramente continuará evoluindo em garrafa por mais 30/40 anos.

 

Garrafa do maior sonho Espanhol do Momento, o Viña Sastre Pesus

 

O dinamarquês Peter Sisseck, responsável pelo vinho espanhol mais caro do Momento, o Pingus

Em Portugal as jóias mais procuradas são os vinhos do Porto. As Casas Taylor’s e Graham’s produzem os mais sofisticados vinhos do Porto, só superadas por uma verdadeira preciosidade chamada Quinta do Noval Nacional.

O Porto Noval Nacional 1963 é vendido hoje em Lisboa por mais de 5 mil euros a garrafa.

O Nacional 1931 é o maior de todos os tempos e seu valor hoje é incalculável, pois existem pouquíssimas garrafas ainda disponíveis no mercado.

Tanto o Nacional 1931 quanto o 1963 são muito disputados nos leilões internacionais. Dos mais recentes o sucessor da dupla 1931 e 1963, é o Noval Nacional 1994.

 

O sucessor do Quinta Noval Nacional 1931, o 1994

Da Casa Taylor’s os destaques são também os Vintage 1994, além do 1992 e 2000.

Dos vinhos de mesa a tradição portuguesa vem do Barca Velha que ficou nos últimos anos no anonimato e ainda precisa mostrar o que foi, pois os Barca Velha safras 1964, 1965 e 1966 são, além de excepcionais, muito procurados e cada vez mais raros.

Dos Barca Velha mais recentes o grande candidato a sonho de enófilo é o 1999.Para enófilos não tão exigentes e que podem gastar quantias menos absurdas, Portugal, mais especificamente o Douro, tem trazido ao mercado vinhos que em curto espaço de tempo serão muito desejados mundo afora.

São eles o Quinta do Crasto Maria Teresa e Vinha da Ponte, Quinta Vale Meão, Vallado Adelaide e Reserva Field Blend, Lemos & Van Zeller Curriculum Vitae e Niepoort Charme.

Todos esses são vinhos que já podem ser considerados sonhos de muitos enófilos, principalmente para os brasileiros, que tem um carinho especial por vinhos produzidos na terrinha.

Os destaques desses vinhos, todos vinhos recentes (não temos safras antigas) são: Crasto Maria Teresa 2003 e 2005, Crasto Vinha da Ponte 2000 e 2007, Vallado Adelaide 2005 e Field Blend 2007, Vale Meão 2003 e 2004 , Curriculum Vitae 2004 e 2008 e, por útlimo, o Charme 2005.

 

Degustação de grandes barolos, por Luiz Gastão Bolonhez

Mais uma vez tive a oportunidade de coordenar uma especial degustação às cegas. Nessa ocasião, foram degustados 4 grandes Barolo de safras especialíssimas. Como já falamos, o Barolo é um vinho produzido no norte da Itália, na região do Piemonte, a partir de 100% da casta Nebbiolo.

Ampelografistas, botânicos especialistas em videiras e parreiras, acreditam que a Nebbiolo é uma uva vinífera autóctone do próprio Piemonte, contudo evidências sugerem que a casta em questão pode ter origem também na Lombardia, portanto não há exatidão com relação a sua origem. A primeira citação explícita da Nebbiolo na região do Piemonte data do ano de 1.268.

Cacho maduro de Nebbiolo

Barolo: o Melhor da Nebbiolo     

Esse tinto é conhecido como o Vinho do Rei ou o Rei dos Vinhos, eram os Barolo os vinhos preferidos do Rei Vittorio Emanuele II, o primeiro Rei da Itália após a unificação do País em 1861.

É no Piemonte, ao lado da Borgonha, mais especificamente nos arredores de duas pequenas cidades, Barolo e Barbaresco, que estão um dos mais expressivos números de vinhos de vinhedo único no planeta. É de se deleitar poder apreciar o mapa dessas duas pequenas regiões produtoras de vinhos e notar a tamanha diversidade entre vinhos produzidos pela excepcional Casta Nebbiolo. Os Barolo que são os vinhos mais ricos e profundos produzidos na Itália são divididos em 5 grandes áreas: Barolo, Castiglione Falleto, Monforte D’Alba, La Morra eSerralunga D’Alba.

De Barolo vêm inúmeros vinhos de vinhedos únicos, tais como Brunate e Cannubi. De Castiglione Falleto, os incríveis Bric Del Fiasc, Monprivato, Rocche e Villero, dentre outros. Monforte D’Alba apresenta os fascinantes Bussia, Gran Bussia, Santo Stefano di Perno e Ginestra. La Morra tem os presentes Cerequio, Marcenasco e Brunate (vinha que tem parcelas tanto em La Morra quanto em Barolo) e de Serralunga D’Alba vem os expressivos Francia, Lazzarito, Monfortino e Ornato.

O Grande Tasting

Nossa estratégia era comparar além dos vinhos e seus estilos, suas safras. O Barolo é um vinho que outrora precisava de muitos anos para ser apreciado. Cerca de 20 anos atrás uma ala modernista de produtores de Barolo decidiu produzir vinhos mais acessíveis quando jovens. Escolhemos a dedo 4 Barolo dentre os melhores e das melhores safras dos últimos anos. Por falar em safra a região do Piemonte vem sendo abençoada, pois tivemos de 1995 a 2001 sete excelentes safras, interrompidos pelo ano de 2002, que foi desastroso com uma chuva de granizo que devastou muitos vinhedos. Em 2003 tivemos uma boa safra, com vinhos mais maduros que o normal. De 2004 até 2010 tivemos mais 7 grandes safras.

Os Barolos escolhidos foram:

Paolo Scavino Bric del Fiasc 1997 – representando Castiglione Falleto

Ceretto Bricco Rocche Brunate 2000 – representando La Morra

Giacomo Conterno Monfortino 2001- representando Serralunga D’Alba

Vietti Villero Riserva 2001 – representando Castiglione Falleto

A ordem dos vinhos foi meticulosamente escolhida para não dar pistas aos sete enófilos que se sentaram para degustar esses grandes vinhos (eu era o 8º da mesa, sem direito a voto).

A amostra 1 estava firme e alegre. Um tinto vigoroso, cheio de vida e com boa evolução. A maioria dos presentes não concluiu que esse era o mais velho vinho da mesa. Na taça 2 tínhamos um vinho sóbrio, diferente dos demais. Faltava-lhe alegria e se mostrava muito duro. Claramente foi melhorando com o passar do tempo. O vinho da taça 3 era pura fruta madura entrelaçada com uma madeira presente. As nuances florais e minerais complementavam o delicioso buquê. O conjunto aromático estava inebriante. Um tinto completo e repleto de vida. Em boca foi confirmada a potência e a força, aliada a uma elegância que um bom Barolo tem que apresentar.  Na taça 4 estava talvez o mais maduro e pronto de todos os vinhos à mesa. Um tinto moderno com muita força e presença.

Resultado Final (incluindo os 7 degustadores, sem contar meu voto):

Vietti Villero Riserva 2001 – representando Castiglione Falleto (amostra 3)

5 primeiros e 2 segundos lugares – Grande campeão e Medalha de Ouro.

Cereto Bricco Rocche Brunate 2000 – representando La Morra (amostra 4)

2 primeiros, 3 segundos lugares e um terceiro lugar– Medalha de Prata

Paolo Scavino Bric del Fiasc 1997 – representando Castiglione Falleto (amostra 1)

1 segundo lugar e 6 terceiros lugares – Medalha de Bronze

Giacomo Conterno Monfortino 2001- representando Serralunga D’Alba (amostra 2)

1 segundo lugar

Conclusões:

Todos os vinhos estavam excelentes, sem nenhum receber uma pontuação de seu colunista menor que 92 pontos, ou seja, a barra de nossa degustação estava bem alta.

O Villero Riserva 2001 produzido pela família Vietti é um dos mais perfumados e deliciosos Barolo já degustados. Não foi a toa que se destacou dos outros com um resultado quase unânime. A degustação alcançou resultados tão especiais, que o decano de nossa confraria abriu outro Vietti Villero, o 1997, para comparamos com o grande campeão. Estava excelente, mas não tinha a mesma força e principalmente a mesma alegria que o irmão mais novo. O Vietti Villero Riserva 2001 é uma obra de arte. Um tinto colecionável.

O Ceretto Bricco Rocche Brunate 2000 é maravilhoso e suculento. Vale ressaltar que esse vinho não é o TOP da casa. O top é o Ceretto Bricco Rocche Bricco Rocche. Imagine se o top de Ceretto estivesse na degustação…..

O Paolo Scavino Bric del Fiasc 1997 teve uma excelente performance e mostrou que ainda tem vida pela frente. Sempre muito apetitoso e suculento. Um grande e moderno Barolo.

Barolo Monfortino – vinho mais caro da Itália

O vinho mais caro da Itália é o Giacomo Conterno Monfortino. Um vinho raríssimo, quase impossível de achar. Um tinto que brilha em leilões mundo afora. Tem um estilo muito clássico, um Barolo tradicional produzido a partir de longa maceração. Um tinto para evoluir em garrafa por muitos anos. Pessoalmente para mim é um mito, que mesmo evoluído (já provei algumas safras com mais de 20 anos) não brilha, apesar de ser um excelente vinho. Falta-lhe alegria, força e charme. Nessa degustação, esse 2001 não foi diferente e o mais incrível foi que não agradou quase ninguém (só teve um voto de 2º lugar dentre os 7 votantes, sendo o quarto e último colocado dos outros 6 votantes).

Com isso enterramos um mito chamado Barolo Monfortino, que é um grande vinho, mas que não é toda essa “Ferrari” que apregoam ser. Que venham mais degustações às cegas para podermos ter bastante assunto para debater. gustibus non disputandum est  (gosto não se discute). Saúde!

Texto de Luiz Gastão Bolonhez, publicado originariamente no portal PPOW.com.br

Luiz Gastão Bolonhez

Debutantes da Toscana – Supertoscanos de 1997, por Luiz Gastão Bolonhez

Mapa da Toscana – crédito da imagem Revista Adega

Em 1997 os toscanos celebraram a natureza, pois o clima propiciou condições espetaculares para o cultivo das uvas viníferas. Logo nos anos seguintes os vinhos, dessa reluzente safra, começaram a chegar ao mercado e foram despontando em qualidade, com os vinhos mais básicos, como os Chianti Classico. Os vinhos mais especiais e de maior potencial de guarda chegaram ao mercado no final de 1999 e, a grande maioria, chegou no ano 2000. Nesse caso estamos falando dos Chianti Riserva e dos Super Toscanos. Esses últimos já eram uma febre naquela ocasião, principalmente no mercado americano. Os Brunello e os Brunello Riserva chegaram nos anos seguintes (2002, 2003 e 2004) desse novo século. Em minhas visitas a Toscana e encontro com os produtores da região em diversas feiras, a safra não tem tanta badalação como a mídia publicou, mas todos confirmam que os resultados foram de muito bons a excelentes. De qualquer maneira o marketing que foi massificadamente realizado ajudou para a popularização da safra 1997 como a safra do século na Toscana.

Controvérsias a parte venho degustando vinhos dessa região e safra desde o seu lançamento e posso afirmar que tivemos realmente vinhos extraordinários, em todos os níveis de preço. Lembro-me bem do Chianti Classico Felsina Berardenga 1997, degustado em 1999. Estava excelente na ocasião e fui degustando uma garrafa por ano desde então… Minha última garrafa foi degustada em 2008. O vinho ainda estava integro e delicioso. Isso é para dar agua na boca, pois também degustei de 2000 em diante os grandes tintos tanto da Toscana Central, tanto quanto da Costa Toscana quanto de Montalcino. No ano 2001 realizamos varias degustações com os Super Toscanos 1997. O vinho mais impactante de todos foi o Siepi da casa Mazzei, em mais de uma ocasião. Esse inebriante tinto por ser um corte de Merlot com Sangiovese em partes iguais, estava sempre mais forwardque seus rivais com predominância de Cabernet Sauvignon e/ou Sangiovese.

 

Os Supertoscanos com Cabernet Sauvignon predominante, na sua maioria, estavam muito duros no começo do milênio. Os anos foram passando e algumas conclusões foram aparecendo. Dois anos atrás provei novamente o Siepi 1997. Os anos lhe fizeram bem, mas sua estrutura começou a ficar “cansada”, indicando a teoria da influência do Merlot toscano, que concede “redondeza” e ao mesmo tempo mais prontidão para o consumo. Um grande vinho, mas que já estava passando de seu pico de maturidade. Ano passado provei o Flaccianello dela Pieve 1997 da casa Fontodi, com um dos confrades. Por ser um sangiovese in purezza mostrou força e a vida. Estava excelente. Tanto eu, como o confrade, avaliamos essa preciosidade com 94 pontos. Foi esse vinho que nos inspirou a revisitar os grandes tintos da safra 1997 da Toscana, no ano em que completam 15 anos.

Depois de muito estudo decidimos que teríamos seis vinhos, que necessariamente abrangessem as três macro regiões da Toscana (Toscana Central, Costa e Montalcino) e também vinhos sangiovese puros (in purezza) e outros cortes com Cabernet Sauvignon, majoritariamente.

Os tintos toscanos 1997 escolhidos foram quatro da Toscana Central, um da Costa ((Bolgheri) e um de Montalcino, são eles:

Toscana Central

Fontodi Flaccianello della Pieve – Sangiovese in purezza

Antinori Tignanello – 80% Sangiovese e 20% Cabernet Sauvignon

Antinori Solaia – 80% Cabernet Sauvignon e 20% de Sangiovese

Jacopo Biondi Santi – Sangiovese in purezza

Bolgheri

Le Macchiole Paleo Rosso – 80% Cabernet Sauvignon, 15% Sangiovese e 5% Cabernet Franc

Montalcino

Altesino Brunello di Montalcino Montosoli – Sangiovese Grosso in purezza

Como de praxe os vinhos foram servidos pelo seu colunista para sete enófilos, todos grandes e exímios degustadores. Como sempre escolhi uma ordem que não pudesse deixar muitas pistas aos presentes à mesa. A primeira e agradável noticia é que todos os vinhos estavam impecáveis e sem nenhum defeito. As rolhas causaram impacto, pois todas estavam integras e em perfeito estado de conservação. A 2ª e mais especial notícia, depois do primeiro acesso, exclusivamente realizado por mim, foi que todos os vinhos estavam em altíssimo patamar, todos excelentes.

 

O Blind Tasting

 

Após todos estarem servidos, começamos as analises. Depois de alguns minutos para que todos pudessem fazer a 1ª fase da avaliação, começamos com os comentários relativos à parte olfativa, não esquecendo também uma breve analise sobre a cor dos vinhos. Os dois primeiros comentários foram o que todos queríamos ouvir, com uma quase total unanimidade que todos os vinhos estavam de muito bom para excelentes. O destaque negativo foi a relativo a amostra numero 4, que sem duvida se destacava por estar mais turva que as outras amostras. Apresentava mesmo uma grande quantidade de partículas em suspensão. Dois dos degustadores já classificaram essa amostra como o “judas” da mesa, ou seja, o vinho que se destacava para o lado negativo, o que menos os agradou. Por pura ironia do destino a amostra numero 4 era a nossa fonte de inspiração, o Fontodi Flaccianello dela Pieve 1997. Uma pena, pois o fato de estar turvo, o prejudicou na avaliação final. Outra observação importante foi a percepção de doçura mais pronunciada na amostra numero 1, principalmente se comparada com os outros vinhos da mesa. Logo na sequencia os mais eloquentes começaram a eleger seus favoritos. Depois de mais alguns minutos comentamos com mais ênfase as amostras numero 5 e 6, que se destacaram como os mais apreciados pelo grupo. Foram realizadas também revisitações a algumas outras amostras. A mais falada foi novamente a amostra numero 1. Esse tinto confirmou em boca o que havia sido detectado nos aromas. Era mesmo o mais “doce” da mesa, o mais moderno. Um tinto alegre, repleto de vida. Muito prazeroso.

 

Estamos falando do Le Macchiole Paleo Rosso 1997. A disputa para levar a medalha de ouro foi emocionante e depois da apuração chegamos ao pódio final. Em primeiro lugar a amostra 6, em segundo lugar a amostra 5 e em terceiro lugar, a amostra 3. Os votos de seu colunista não foram computados. Nessa ocasião minha avaliação pessoal só se diferenciou do grupo com relação ao primeiro colocado. Meu ouro foi para a amostra 5 e a prata para a amostra 6 (ressalto que fui o único da mesa que fez a prova non blind).

A amostra 5 era um exemplo de um tinto equilibrado, com bom corpo e ao mesmo tempo repleto de finesse, tanto aromaticamente quanto gustativamente.  Seus taninos estavam beirando a perfeição. Um tinto inesquecível, pronto para o consumo. Se tivesse mais algumas garrafas ousaria abri-las até 2018. Esse tinto com alma francesa (80% de Cabernet Sauvignon) e raça italiana é o grandíssimo Antinori Solaia 1997. Afortunadamente tive a oportunidade de provar recentemente mais três Solaia. Foram eles o 2001, 2006 e o 2007 (no final de 2010). Todos grandiosos variando em minhas avaliações entre 94 e 98 pontos. 2001 – 94 pontos, 2006 – 96 pontos e 2007 – 98 pontos. Posso assegurar que esse tinto toscano está entre os mais espetaculares Cabernet Sauvignon predominante de todo o Mundo. Minha avaliação para o Antinori Solaia 1997 foi de 96 pontos. (medalha de ouro em minha avaliação pessoal e medalha de prata do grupo).

Montalcino – Itália

 

A amostra 6 estava realmente fantástica. Um tinto sedutor, com a fruta madura ainda muito viva. As cerejas negras maduras estão deliciosamente em destaque ao lado de nuances de alcaçuz e um hint de tabaco. O carvalho está em total consonância ao lado da fruta, dos tostados e das especiarias. Muito equilibrado. Gustativamente o destaque foram os taninos com excelente formação. Acidez bem marcada. Balanceado e com um final delicioso. Excelente para consumo hoje, mas pode evoluir por mais alguns anos. Particularmente apreciaria essa delicia nos próximos 2/3 anos. Estamos falando do Altesino Brunello di Montalcino Montosoli 1997. Minha avaliação foi de 95 pontos (medalha de ouro do grupo e minha medalha de prata).

 

 

 

A amostra 3 tinha como diferencial um estilo mais formal, um vinho de certa maneira mais clássico que os outros da mesa. Estava em perfeito estado e tudo parecia estar milimetricamente projetado para ser degustado naquele exato momento. Mostrou-se um pouco mais fechado no inicio, mas foi melhorando de maneira impressionante. As frutas negras, bem marcadas, estavam perfeitamente integradas ao conjunto de álcool, madeira e acidez. O Antinori Tignanello 1997 estava reluzente e delicioso. Pronto para o consumo. Minha avaliação foi de 93 pontos.

 

 

As minhas avaliações pessoais restantes foram: Fontodi Flaccianello dela Pieve 1997 – 92 pontos, mesmo prejudicado por estar turvo, Le Macchiole Paleo Rosso 1997 – 91 pontos e, por último, o Jacopo Biondi Santi Sassoalloro 1997 – 90 pontos (amostra número 2). Fiz questão de ressaltar por último, para destacar o nível desse blind tasting, com nenhum vinho abaixo de 90 pontos. Tivemos uma noite inesquecível para comprovar a qualidade da soberba safra 1997 da Toscana.

Artigo publicado originariamente no portal PPOW.com.br