Saindo de Santana do Livramento (530 km de Porto Alegre) na manhã de 7 de março, os blogueiros e jornalistas de diversos Estados do Brasil (Recife, Fortaleza, Salvador, Espírito Santo e São Paulo) conduzidos pelos jornalistas Orestes de Andrade Júnior e Martha Caus, se dirigiram até a cidade de Itaqui (638 km de Porto Alegre), numa viagem de cerca de 4 horas num micro-ônibus fretado pelo IBRAVIN. Lá chegando, o grupo foi efusivamente recebido pelos proprietários da Vinícola Corte de Cima, José Ayub e Hortência Ravache Brandão Ayub; por sua filha Vanessa e pelo enólogo português Nuno Duarte. Essa vinícola conta com assessoria enológica do experiente Mario Geisse para elaboração de seus espumantes, que são apontados (corretamente) por alguns críticos como um dos melhores produzidos no Brasil atualmente. A vinícola também produz brancos e tintos. Apenas a título de esclarecimento, a longínqua Itaqui fica no Sudoeste do Estado do RS (divisa com a Argentina) e se destaca no cultivo de arroz, na pecuária e na criação de ovinos. Agora, como veremos adiante, constatamos que também se destaca na vinicultura.

O Espumante Campos de Cima Brut foi apontado como um dos três melhores espumantes do Brasil na Expovinis 2012 – 16º Salão Internacional do Vinho e também obteve medalhas de ouro no V Concurso Internacional de Vinhos do Brasil e no VII Concurso do Espumante Brasileiro
Os vinhedos
Os vinhedos da Campos de Cima foram plantados de 2002 a 2004, tendo a primeira safra em 2006. As uvas são cultivadas nos 15 hectares de vinhedos da empresa, localizados em Maçambará, a cerca de 100 Km de Itaqui – Extremo Leste do RS, na fronteira com a Argentina. Ainda serão processadas na cantina de Itaqui as uvas Merlot, Tannat, Shiraz e Cabernet Sauvignon. Os espumantes continuarão sendo elaborados em parceria com a Vinícola Geisse, em Pinto Bandeira (RS), e as uvas Ruby Cabernet e Viognier serão vinificadas na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves (RS). “Estamos diante de uma das vinícolas mais modernas do Sul do Brasil e do maior empreendimento concretizado pela Campos de Cima”, comemora o diretor comercial da empresa, Pedro Candelária. “O novo prédio para a vinificação de nossa produção é um projeto ousado e necessário para a expansão de um negócio promissor. Atualmente, somos responsáveis pela elaboração de vinhos ímpares no país. Bebidas que expressam o alto nível de qualidade do mais novo terroir do Sul do Brasil”, observa Candelária.
A nova vinícola Campos de Cima
A construção da nova vinícola obteve o apoio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A instituição concedeu um financiamento de R$ 595 mil para a execução da nova planta. O resultado, que poderá ser conferido em breve, é a contemplação de um sonho que se torna realidade: uma área construída de 1.161 metros quadrados, que contará com adega, área de recepção das uvas, área industrial, área de recepção de visitantes, uma loja para venda direta ao público e um escritório da empresa. “Será um espaço equipado para multiplicar nossa capacidade de produção e permitir a manutenção do alto nível de qualidade de nossos vinhos”, explica o executivo.
O projeto da nova vinícola foi idealizado e monitorado pela arquiteta Manuela Brandão Ayub Candelária, que é uma das proprietárias da Campos de Cima. Ela possui curso de Pós Graduação na Universidade Autónoma de Barcelona e de Master na Universidad de Barcelona, instituições com alto prestígio internacional. Para criar a estrutura da nova vinícola, Manuela se dedicou a captar os elementos mais relevantes da cultura gaúcha e da Região da Campanha e dar-lhes, ao mesmo tempo, um tratamento moderno e arrojado no novo prédio. “O uso de acabamentos locais e a implantação de um processo produtivo prático foram a tônica dessa obra”, descreve. Referência: portal da vinícola.
Espumante Campos de Cima Brut
“Elaborado com uvas Chardonnay e Pinot Noir por meio do método tradicional (champenoise), o Campos de Cima Brut é um espumante fino, elegante e harmônico, tendo ao mesmo tempo alta tipicidade e forte personalidade. Nele predominam os aromas cítricos, mesclados ao néctar e tâmaras, com leve fundo de ervas de quintal (alecrim, sálvia). Em boca, se apresenta como um vinho agradável e persistente, características singulares e marcantes”. A descrição retro é de Jorge Lucki que o incluiu na sua lista dos melhores vinhos degustados em 2012.
Pedro Candelária também destaca que a Campos de Cima elabora 10 mil garrafas de espumantes por ano e comercializa dois rótulos: o Campos de Cima Brut e o Campos de Cima Extra Brut, vinho que foi lançado na Expovinis 2012. “O sucesso do primeiro inspirou a criação do segundo, pois as uvas cultivadas na Campanha Gaúcha apresentam um grau diferenciado de maturidade, próprios para elaboração de espumantes de grande personalidade”, observa. “Utilizamos o melhor que a natureza nos oferece para apresentar ao mercado vinhos de alta qualidade a um preço acessível e, assim, agradar nossos consumidores em todos os sentidos”, registra o executivo.
A seguir a relação dos vinhos degustados:
Espumante Campos de Cima Brut – uvas: Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%)
Espumante Campos de Cima Extra Brut 2011 -
Campos de Cima Viognier 2011
Campos de Cima Tannat 2006
Campos de Cima Tannat 2008
Campos de Cima Tannat 2011
A seguir a descrição e avaliação dos vinhos degustados:
Campos de Cima Viognier 2011 – álcool: 12% – com 5% de Chardonnay, este Viognier não estagiou em madeira. Análise organoléptica: palha claro brilhante. Aberto nos aromas, com notas florais típicas da casta e de frutas tropicais de polpa branca. Na boca surpreende por sua potência aliada ao bom frescor resultando num vinho de nítida feição gastronômica. Cresceu à mesa como acompanhamento da deliciosa e inesquecível Paella Campera preparada sob as bençãos de Hortência Ayub. Avaliação: 87/100 pts.
Diversas interpretações da Tannat sob a perspectiva do tempo – Vertical das safras 2006, 2008 e 2011:
2006 – 14% álcool - elaborado nas dependências da Embrapa para a vinícola Campos de Cima, amadureceu em barricas de carvalho americano novas por 4 meses. Análise organoléptica: exibiu cor rubi acastanhado. Aromas com notas de bala toffee, chocolate amargo sobre um fundo vegetal. Na boca leve sobra de álcool, taninos macios e um toque de frutas negras num final intenso e marcante, com a rusticidade característica da cepa. Avaliação: 85/100 pts.
2008 - Sem passagem por madeira, exibiu cor mais jovem do que o vinho anterior. No nariz frutas negras (figo e ameixa em calda) sobre toques animais (couro). Na boca taninos presentes de ótima qualidade contrabalançados por boa acidez consolidando o perfil de um Tannat tradicional, de sólida estrutura e que deve crescer à mesa. Avaliação: 87/100 pts.
2011 - Encontra-se em afinamento na adega da vinícola, mas sua produção é bem diferente da dos demais, eis que amadureceu 14 meses em barrica de carvalho francês novo. Análise organoléptica: vermelho rubi profundo e intenso. Nos aromas notas de rapadura, melaço sobre mentol. Na boca a força de seus taninos aguerridos acaba por chamar atenção, eis que sinalizam um vinho que ainda não está pronto. No entanto, sua concentração e profundidade gustativa indicam que tem grande estrutura e largueza no paladar. Um vinho surpreendente que necessita de tempo, no mínimo de 6 a 9 meses para ser lançado.
Espumante Campos de Cima Brut – uvas: Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%) – Elaborado pelo método tradicional (champenoise), o Campos de Cima Brut exibiu na flûte perlage fina e abundante. Aromas de frutas secas, frutas tropicais maduras e discreta mineralidade sobre uma pontinha de mel. Na boca sua entrada revela um espumante solidamente estruturado mas com delicadeza, elegância e finesse de sobra. Destaca-se por sua harmonia. Verdadeiramente delicioso, é do tipo de inunda o paladar ao provocar intensa salivação. Seu final é longo, marcado pelo acento cítrico e mineral. Na sua faixa de preço é um verdadeiro “Ex-Libris”. Extremamente sofisticado para um borbulhante de menos de R$ 40, cheio de virtudes e qualidades, é impossível adquirir uma garrafa só. Para ser comprado de caixa! Polivalente, ideal para abrir qualquer grande refeição ou para ser desfrutado sozinho mesmo. Avaliação: 90,5/100 pts.
Espumante Campos de Cima Extra Brut - uvas: Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%) - Intenso na cor dourada com reflexo esverdeado. Perlage finíssima e abundante. Um verdadeiro caleidoscópio de aromas exalam da flûte com toques de pão fresco, frutas de polpa branca como pêra e maçã verde secundadas por frutas secas. Completa o conjunto um gostoso toque cítrico. Na boca tivemos a plena subscrição das sensações olfativas com excelente acidez contrabalanceada por elegante frescor resultando num espumante elegante, sofisticado e prazeroso. O final é longo, profundo, marcado pela fruta fresca e pela sensação de “quero mais”. Avaliação: 90/100 pts.

















































































































