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Em Aranda de Duero – Ribera del Duero – vá conhecer os pescados do Restaurante Amando Castro

Um dos mais competente enólogos espanhóis do momento,  Francisco Javier Camarero Bajo (Ribera del Duero), cujos vinhos Paramo de Corcos Barrica e Paramo de Corcos Reserva podem ser adquiridos na importadora Hannover (em SP tel. 011 2638 0881) é também um gourmet refinado. Prova disso, são as imagens que seguem, feitas no excelente restaurante luso-espanhol  ”Amando Castro”, mais conhecido por “El Pescatero”. Localizado na Avenida Portugal 95-A, em Aranda de Duero, Burgos, este restaurante é especializado em peixes e frutos do mar, principalmente os do Norte da Espanha. Se voce estiver na região de Ribera del Duero, não deixe de ir ao Amando de Castro, um restaurante simples, sem sofisticação nenhuma cujos pratos são simplesmente deliciosos! E não esqueça de compatilizá-los com vinhos brancos como o  da foto abaixo ou tinto pouco tânicos.

 

 

Pulpo “a feira”

 

 

 

Excelente Albariño que harmonizou com a maioria dos pratos!

 

 

Rodaballo

 

 

 

Enólogo Fco Javier C. Bajo, José María e Jeriel

Degustação na AALTO – Ribera del Duero – segunda parte

As informações que seguem complemetam nosso primeiro post publicado em dezembro de 2012, quando tivemos oportunidade de visitar a moderna Bodega AALTO na Espanha: ” A bodega, visitada no dia 19.10.2012, fica numa edificação que equivale a um prédio de sete andares. AALTO significa “onda do mar” e foi um arquiteto irlandês do século XIX. Mariano Garcia, diretor do conselho regulador da DO Ribera del Duero, é também um dos proprietários. Além de ter sido enólogo da Veja-Sicilia por 30 anos, concebeu na Espanha as famosas cubas tronco-cônicas, as quais facilitam as remontagens, que duram cerca de 30 minutos e são realizadas em média a cada oito horas. O gás carbônico faz as peles subirem. As piletas de concreto são revestidas de aço inoxidável com controle de temperatura. A fermentação maloláctica se dá nas barricas de carvalho “tonnellerie rousseau”. A bodega possui barrica s francesas (60%) e o restante americanas, num total de aproximadamente 2.000 barricas, utilizadas durante cinco anos nos dois vinhos, AALTO e AALTO PS.As uvas são colhidas em caixas de 15 quilos. Sua produção na maioria atende o mercado externo (70%). A Suíça é o maior mercado, seguida dos EUA. A China será um dos próximos mercados dessa vinícola. Cabe destacar que Hugh Johnson salienta que “a nova propriedade de Mariano Garcia produz dois Tempranillos espetaculares e profusamente concentrados. Ambos envelhecem bem, mas o melhor é o Cuvée OS que custa mais do que o dobro do preço do vinho de entrada”. 

 

Degustação de blends, especialidade da casa que possui apenas três vinhedos próprios. As uvas são compradas em sete municípios da região: Aguillera, Roa, etc..

Moradillo de Roa 2011 – um dos terroirs mais elevados da região de Ribera del Duero, portanto, considerado um dos melhores pela composição de seu solo, inclusive. Os verões são insuportavelmente quentes e os invernos muito severos. O mosto foi transferido para barrica em novembro de 2010 e nela vai permanecer até setembro de 2013, no mínimo. Análise organoléptica: violáceo com reflexo púrpura. Nos aromas notas de violetas, frutas negras sobre uma nota de carvalho. Na boca, taninos aveluda dos, acidez intensa e corpo pleno. De final longo, seu final é intenso, marcado pela sedosidade. A perfeita harmonia entre dois estilos que se opõe: força e elegância.

Aguillera 2011 – aqui o solo tem uma capa arenosa com calcário redondo – Análise organoléptica: cor semelhante a do vinho anterior, só que mais fragrante nos aromas, com muita fruta vermelha e preta. Taninos macios, acidez delicada, corpo delgado, cheio de finesse. Aqui a opção pela elegância é clara.

Em Madrid, não deixe de conhecer o Restaurante Joaquin Felipe, pertinho do Santiago Bernabeu

Localizado pertinho do estádio de futebol Santiago Bernabeu, sito no Paseo de la habana n° 3 – 28036 Madrid, o Restaurante Joaquín Felipe  www.joaquinfelipe.com  Madrid – tel. 914112471, pertence ao premiado chef espanhol Joaquin Felipe Peira.

Sua temática são os seguintes pratos:

Atum: manejo, ronqueo y recetas. Esturión: cortes y recetario. Cerdo ibérico: Cortes embutidos y recetas. O mundo do bacalhau. Setas. Algas e verduras do mar.

O restaurante tem vários menus diários (até vegetariano) com preços à partir de 25 euros (30 euros o menu vegetariano), inclusive menus harmonizados com vinhos servidos em taças. O menu de temporada vale 40 euros (Ensala Cesar, Merluza em Caldeirada e Lagrimas de Ibérico). O principal menu é o Joaquin Felipe, por 60 euros que tivemos oportunidade de degustar:

Entrada: ensalada de endívias com queso fresco y vinegreta de remolacha, naranja y avellanas.

Pratos do menu:

Armonia de atun rojo de Almadraba 2012. King Crac, cangrejos de concha blanda, em tempura como em Nairobi. Chipirones rellenos de espinacas del pastor. Lingote de rabo de Wagyu com celeri. Mojito japonês. Charlotte de tiramisu.

Se a opção for o menu a la carte, há entradas (serve meia porção) à partir de 8 euros (ensalada de endívias) até 18 euros (Wasabi com salsa picante). Depois, há opções de guarnições por 10 euros (Sopas e Pucheritos español e legumbres y verduras) e finalmente os pescados e carnes dividem espaço na mesma carta. Na ala dos pescados o destaque fica para o “Lomo de atún rojo de Almadraba com garum, tomates secos y piparras” por 24 euros. Merluza en Caldeirada (20 euros) e Bacalao com mayonesa de Kumquat Huerto de Elche (24 euros) são duas das seis opções de pescados. Depois, no setor das carnes também há oito opções:

Kiko e Jeriel

Lágrimas de ibérico maceradas em pimentón de la vera com encurtidos – 22 euros

Especial Burger de Wagyu com tomate confitado y patata – 15 euros

Albóndigas morunas de cordero ecológico – 22 euros

Lingote de rabo de Wagyu com Celerí – 22 euros

Solomillo de vacuno Angus negro – 28 euros

Pichón de Navaz com aromas de Asía – 28 euros

Solomillo de jabalí com spatata asada – 22 euros

Lomo de cebón Wagyu, 50 dias de maduración al corte – 250 gramas – 20 euros

O imponente estádio de futebol

As sobremesas (postres) são servidas em potinhos “Los Potitos”:

Éxtasis de Guanaja (base de mouse de chocolate, helado de vainilla e espuma de caramelo) – 6 euros

Pannacotta com chocolate y frutos rojos –

Charlotte de tiramisú

Brownie

Piña Colada

Mojito japonês

Pasión y chocolate blanco

Na carta de vinhos, dois vinhos altamente recomendados são o Verdejo Nix Alba 2011 (13,50 euros) e o Viura Ecológico “Azul y Garanza” DO Navarra (15,30 euros). O tinto altamente recomendável é o Páramo de Corcos Crianza DO Ribera del Duero 2009. Há opções de Cavas, Champagnes e diversos outros brancos e tintos conhecidos dos brasileiros (totalizando 45 opções), inclusive o Porto Noval LBV 2005 é vendido em taça por 3,90 euros.

Mais alguns instantâneos: Porto – arquitetura, história e vinho, a capital do Condado Portucalense

Em novembro de 2012 tivemos oportunidade de conhecer a segunda cidade mais importante de Portugal depois de Lisboa: a cidade do Porto, cujas relações econômicas  com o vale do Douro estão bem documentadas desde a Idade Média. Nozes, frutos secos e azeite sustentaram um próspero comércio entre o Porto e a região. Do Porto, estes produtos eram exportados para mercados externos no  Velho e no Novo Mundo. No entanto, o grande impulso ao desenvolvimento das relações comerciais inter-regionais veio da agro-indústria do Vinho do Porto. Esta atividade desenvolveu decididamente a relação de complementaridade entre o grande centro urbano do litoral e esta região de enorme potencial agrícola, particularmente vocacionada para a produção de vinhos fortificados de grande qualidade. O desenvolvimento do Porto esteve sempre intimamente ligado com a margem sul do Douro, Vila Nova de Gaia, até 1834 parte integrante do seu termo, onde se estabeleceram as caves para envelhecimento dos vinhos finos do Alto Douro. A cidade do Porto também é conhecida como a Cidade Invicta. É a cidade que deu o nome a Portugal – desde muito cedo (c. 200 a.C.), quando se designava de Portus Cale, vindo mais tarde a tornar-se a capital do Condado Portucalense. É ainda uma cidade conhecida mundialmente pelo seu vinho, pelas suas pontes e  arquitetura contemporânea e antiga, o seu centro histórico, classificado como Patrimônio Mundial pela Unesco e por um dos seus clubes de futebol, o Futebol Clube do Porto. Na Rua da Restauração 318, encontra-se a sede da CVRVV – Comissão Vitivinícola da Região dos Vinhos Verdes. Fonte: Wikypedia.  A seguir alguns instantâneos da viagem realizada em novembro último a convite da Egrégia Comissão Vitivinícola da Região dos Vinhos Verdes:

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Matéria completa: Vinhos Biodinâmicos das Bodegas Izquierdo, Ribera del Duero

Mais uma bodega importante visitada no nosso giro pela Espanha em outubro de 2012: Antonino Izquierdo, em Aranda de Duero, famoso por produzir somente vinhos Biodinâmicos, sem utilização de pesticidas, apenas leveduras naturais. Seus vinhos, de produção reduzida, são exportados para China, EUA, Alemanha e na Espanha, Barcelona é a região que mais consome. Antonino Izquierdo é um dos principais enólogos espanhóis da atualidade, assessora cerca de sete bodegas espanholas. No Brasil, seus vinhos já foram importados pela Casa do Porto. Atualmente, Antonino ficaria muito feliz se algum importador sério se dispusesse a importar seus vinhos,  avaliados neste post.

Sobre as Bodegas Izquierdo

Desde 1997, a tarefa de elaboração de vinhos de qualidade esmerada tem recaído sobre o renomado enólogo Antonino Izquierdo, sendo em 2006 o lançamento ao mercado desses vinhos. Vinhedos de mais de 40 anos situados em terrenos pobres, trabalhados de forma biodinâmica, sem tratamentos físicos ou químicos. É apenas o vinho que é feito por si mesmo, por força da larga experiência auferida em mais de 20 anos de atuação em Ribera Del Duero, agora com o beneplácito da crítica. Vinhedos de mais de 40 anos, rendimento: 2.800 – 3.000 Kg/ha, com as seguintes características: o trabalho no vinhedo se realiza unicamente de forma artesanal, coincidindo com os ciclos lunares. Não se utilizam herbicidas, produtos sistêmicos ou adubos químicos. Colheita manual para a produção de uvas de excelente qualidade. Isto se consegue controlando a produção (somente 3 ou 4 cachos por planta) com a utilização de adubos orgânicos de origem animal. Avaliado com 95/100 pts. da Wine Advocate de Robert Parker, o Antonino Izquierdo Vendimia Seleccionada 2006 é composto de Tempranillo (95%) e Cabernet Sauvignon (5%).

A Bodega é verdadeiramente familiar. Destaco porque há bodegas que produzem milhões de garrafas que também se arvoram “familiares”. Pura balela! 

Degustação coordenada pelo próprio Antonino Izquierdo na presença do enólogo Francisco Javier Camarero Bajo:

Antonino Izquierdo – 27 euros – safra 2007 – 10.000 garrafas produzidas – álcool: 13,5% – granada brilhante. Aromas complexos com notas de sous-bois, couro novo, especiarias sobre uma nota defumada. Na boca é um vinho de taninos vivos (polidos), acidez a provocar intensa salivação, toques de baunilha num perfil mastigável e gastronômico. Um vinho que exibe o estilo Antonino Izquierdo, que consegue reproduzir num mesmo vinho matizes distintos sem perder de vista a tipicidade da cepa. Final longo, delicioso, profundo e instigante. Segundo Antonino Izquierdo este vinho vai continuar a evoluir por cerca de 20 anos. Avaliação: 95/100 pts.+

Cubas tronco-cônicas

Safra 2008 – 5.000 garrafas – 13,5% - vermelho rubi com discreto halo granada em formação. Nos aromas frutas negras (ameixa e figo) sobre uma notinha de bala toffee. No paladar taninos aveludados, álcool, acidez, taninos e madeira em plena sintonia. O conjunto é elegante, sofisticado, empolgante e o final remete as sensações iniciais prometendo longa sobrevida na garrafa. Avaliação: 94/100 pts.+

Finalmente, os vinhos. Simplesmente excepcionais, vinhos de autor, vinhos de terroir ou expressão equivalente. O importante é que os vinhos são realmente “increibles”! 

Safra 2009 – álcool: 13,5% - vermelho rubi com reflexo violáceo profundo. Aromas de frutas vermelhas e negras sobre especiarias. Na boca a sua entrada revela um vinho fresco, de taninos macios e a utilização judiciosa da madeira se nota com facilidade, eis que a fruta assume logo o papel de protagonista. Os taninos são finíssimos, a acidez é responsável pelo frescor do vinho e o sabor remete direto aos melhores cânones da casta. Longa vida na garrafa pela frente. Avaliação: 95/100 pts.+

Ninin de Antonino Izquierdo 2009 – álcool: 13,5% – 10 euros – Este 100% Tempranillo exibiu cor vermelho rubi com reflexo púrpura e halo azulado nas bordas. Nos aromas, toques florais, frutas negras, especiarias sobre  notas defumadas e de bala toffee. No paladar, a sua entrada revela um vinho denso, amável, de acidez delicada e com boa  concentração de fruta revelando um vinho com tudo no lugar certo: acidez, alcool e taninos. Faltou-lhe somente um pouco mais de persistência. Avaliação: 89/100 pts.

 

José María, Jeriel e Kiko

A seguir dados da safra 2007, descrição do vinho pelo próprio Antonino Izquierdo – Denominação: D.O. Calificada Ribera del Duero – Tipo de uva: Tempranillo 100% procedente de vinhedos biodinâmicos de mais de 40 anos. Amadurecimento: 13 meses carvalho francês novo de distintas tonelarias artesanais com maloláctica em barrica e battonage. Análise Sensorial - Cor: vermelho cereja, limpo, brilhante com suaves tons telha e reflexo violeta. Aromas: frutas negras e vermelhas silvestres quase compotadas aparecem no princípio, mesclando-se com outros elementos frutais, florais e delicadas notas tostadas de canela, baunilha, caramelo, toffe, chocolate, etc… Sabor: no palato a entrada é aveludada, doce e com muito frescor, apontamentos de amoras, groselhas, morangos, mescladas com canela, baunilha, toffe, cafés, tabaco, etc… Em boca é de alta complexidade, multidimensional com notas de alcaçuz e violetas. Profundo, intenso, persistente, quase interminável. Pontuação: Robert Parker94/100 pts.

Em Toro, visite Valbusenda Bodega & Resort

Em nosso giro pela Espanha no mês de outubro de 2012, visitamos a impressionante bodega Valbusenda, localizada em Zamora, mais precisamente na Carretera de Toro-Peleagonzalo s/n 49.800. Trata-se de um verdeiro complexo enoturístico, eis que a bodega abriga nas suas imponentes e luxuosas instalações um Hotel Resort & Spa. 

Do hotel essa é a vista da propriedade que circunda a bodega

 Sobre a Bodega Valbusenda

Os vinhos de Toro na atualidade estão adaptados aos novos gostos dos consumidores, dando como resultado caldos com equilibrada suavidade mas de cor profunda, cheios de intensidade,  densos, compactos, sérios e apropriados para longo envelhecimento.  A bodega está localizada numa das encostas do Vale Vega de Toro, a poucos metros do Rio Duero. Possui 15 hectares de vinhas próprias e o grande destaque fica para suas vinhas velhas.  

No Brasil os vinhos são importados por Punto Vino (Av. Brig. Luiz Antônio, 3780 – esquina com a Rua Honduras, tel.: (11) 3368-2549), que tem os seguintes rótulos:

Abios Tinta de Toro DOC Toro 2008 – R$ 59

Valbusenda Roble DOC Toro 2011 – R$ 74

Valbusenda Crianza DOC Toro 2007 – R$ 99

Valbusenda Reserva DOC Toro 2004 – R$ 139

Valbusenda Cepas Viejas DOC Toro 2008 – álcool: 15% – preço: R$ 259 - vinho top da Valbusenda cujas uvas são cultivadas em “pé franco”. Cada pé produz em média apenas 125 uvas e cada uva pesa 1,50 gramas. Para cada garrafa são utilizados seis cachos que totalizam 750 uvas, as quais são vinificadas em madeira (barrelbox) e posteriormente é feita a fermentação maloláctica em barrica bordalesa com “batonage” em suas próprias lias durante dezoito meses. O tempo de afinamento em garrafa é uma decisão do consumidor. 

vinhedos de Tinta de Toro

 

 

 

Vista da bodega e hotel Valbusenda

  

 

 

 

Impressionante disposição das barricas na Bodega Valbusenda

  

A premiada linha de vinhos Valbusenda

 

 

 

 

 

Giro pela Espanha, Toro – Covitoro: Cermeño e Cañus Verus Viñas Viejas

No mês de outubro de 2012, visitamos em Zamora (Toro) as Bodegas Covitoro, sita na Carretera Tordesillas 13. Lá fomos gentilmente recebidos Diretor Alfonso Garcés, que nos explicou detalhadamente todo funcionamento da vinícola.

Sobre a Covitoro

É uma cooperativa bem sucedida estabelecida na carretera de Tordesilla 13, 49.800, Toro,  que conseguiu que os seus membros se concentrassem nela. Fundada em 1.974, bem antes da formação da DO, ela agora pode se valer de 1.000 hectares de vinhedos, 400 deles com mais de 50 anos. São produzidas versões modernas de Tinta de Toro. O Marques de La Villa é um reserva tradicional amadurecido em barrica de carvalho americana. O Canus Verus tem um apelo brilhante de uvas tintas, com firme adstringência dos taninos e passa menos tempo nas barricas de carvalho francês e americano.  Fonte: O Grande Livro dos Vinhos – 1a. Edição – Publifolha – agosto de 2012

Sobre a D. O. Toro

Toro é uma histórica área vinícola de Castilla y León que vem regressando com força nos últimos 15 anos com um vinho tinto rico e potente baseado na uva autônoma Tinta de Toro variante local da Tempranillo.

Os vinhos começaram a mostrar seu potencial despois que uma nova geração de enólogos qualificados começou trabalhar na zona, o que somou se as investimentos necesarios em equipamentos de aço inox a partir dos anos 80. Na última década também vem introduzido continuas melhoras nos métodos de vendimia. Fonte: D. O. Toro 

Sala de barricas francesas e americanas

Covitoro é uma cooperativa moderna: alguns vinhos adotam tampa de rosca

Degustação

Covitoro – Viña Cermeño. Detentora de 1500 barricas de carvalho, 60% de origem americana e o restante francesas, a Covitoro é uma cooperativa que existe desde 1928, detentora de 900 hectares de cerca de 200 cooperativados. Os vinhedos mais antigos chegam a alcançar 120 anos. A degustação ocorreu no dia 15 de outubro, conduzida pelo Diretor Alfonso Garcés, que teceu considerações de forma clara sobre os vinhos (todos Tinta de Toro) e respectivos terroirs:

Cermeño Malvasia 2011 – álcool: 13% - palha claro com reflexo esverdeado. Aberto nos aromas com frutas tropicais (melão, manga) sobre uma nota vegetal. Confirmou no paladar o perfil aromático com a fruta a se destacar. Fresco, macio e redondo, exibe com clareza a tipicidade da casta. Final frutado, sem amargor vegetal. Avaliação: 87/100 pts. 

Cermeño Malvasia – boa tipicidade

Cermeño Tinto Vendimia Seleccionada 2009 – álcool: 14,5% – para elaboração deste vinho foram selecionadas as melhores uvas de vinhedos de cerca de 30 anos de idade, recolhidas a mão em seu momento ótimo de madurez, resultando neste vinho de cor profunda, taninos jovens sem agredir o paladar, no qual sua concentração de sabor revelou um vinho amplo, saboroso, profundo e persistente, com aromas de frutas negras e vermelhas  típicas da variedade Tinta de Toro com a qual está elaborado. Muito boa acidez neste vinho bem estruturado, largo cujo final salivante promete crescer à mesa. Avaliação: 88/100 pts. 

Aqui o vinho top “Arco del Reloj”

Gran Cermeño Crianza 2008 – álcool: 14,5% – De cor vermelho rubi intenso com alguma profundidade,  exibiu  um complexidade aromática e taninos redondos e perfeitamente integrados que proporcionam um vinho saboroso e largo no paladar, fruto de sua cuidadosa elaboração e amadurecimento em barrica. Por fim,  Gran Cermeño Crianza é um vinho persistente, glicérico e guloso.  Avaliação: 88/100 pts. 

O contrarrótulo repleto de informações, como convém.

Canus Verus “Viñas Viejas” 2008 – álcool: 14,5% -  procedente de vinhedos de mais de 80 anos, perfeitamente integrado à madeira que lhe aporta suavidade decorrente de seu amadurecimento durante 10-12 meses em barricas de carvalho francês e americano e afinamento de 12 meses na garrafa antes de sua liberação. Análise organoléptica: exibiu cor vermelho intenso, concentrado e profundo. Aberto nos aromas com notas de frutas negras, baunilha, tostado e bala toffee.  Na boca as sensações olfativas foram confirmadas com o frutado evidente se destacando. Taninos presentes de qualidade acima da média. Vinho equilibrado com tudo no lugar certo, sem arestas e com boa presença de fruta sem ser ofuscada pela madeira. Potente do começo ao fim, sem ser agressivo. Um bom exemplar da região de Toro, que esbanja tipicidade. Avaliação: 90/100 pts.++ 

Giro pela Espanha, Castilla-La Mancha, Bodegas Del Muni – Toledo

No nosso giro visitamos pela Espanha em outubro de 2012 visitamos as Bodegas del Muni (sem importador para o Brasil), em Villatobas, província de Toledo (Carretera Lillo, 48, 45310), no centro da Espanha. Lá, fomos recebidos pelo proprietário, Sr.  Jerónimo Perea Contreras  e também por Rafael García Marquina,  Export Manager, que nos conduziu por todas dependências da vinícola, inclusive vinhedos.

Sobre as Bodegas del Muni

Localizada em Villatobas,  um pequeno povoado no centro da Espanha (Villatobas é um município da  província de Toledo, comunidade autônoma de Castilla-La Mancha, de área 181,71 km² com população de 2352 habitantes e densidade populacional de 12,94 hab/km²), as Bodegas del Muni têm a aspiração de se tornar  um verdadeiro ponto de encontro para todos os especialistas, profissionais, amantes e degustadores de vinhos. O seu compromisso com os clientes é claro por que  sua meta é clara: “qualidade”. Qualidade para continuar a melhorar cada dia seus vinhos, que já contam com amplo reconhecimento auferido nos concursos internacionais de vinhos de que participa.  Das diversas uvas cultivadas, principalmente a Tempranillo se destaca, por se tratar de Vinhas Velhas localizadas na propriedade da família que soma 108 hectares de vinhedos. A produção é de pequena quantidade, mas a qualidade é alta.  O tratamento intensivo durante todo o processo permite um amadurecimento perfeito das uvas, uma matéria-prima de amplamente aproveitada. Apenas as melhores safras são selecionadas para produção dos vinhos ”Reserva”.

Degustação

A Bodega Muni produz cerca de 250.000 mil litros de vinhos por ano. Está sediada em Villatobas, Castilla-La Mancha e suas principais linhas de vinhos são: Joven, Crianza e Reserva. Amadurece seus vinhos em barricas francesas de 300 litros. A degustação foi realizada na casa de campo, conduzida pelo proprietário Jerónimo Perea, no Valle Cedron (140 km de Madrid), onde se encontram os vinhedos, numa altitude que varia entre 600 a 700 metros sobre o nível do mar, onde são cultivas as variedades tintas Tempranillo, Garnacha, Syrah, Petit Verdot e brancas Verdejo, Riesling e Sauvignon Blanc.

Vinhedo das Bodegas del Muni na região de Toledo (Villatobas). Os vinhos recebem a denominação “Vinos de La Tierra de Castilla”

Corpus del Muni Semi-Dulce VDLTC 2011 – álcool: 8% – concentração de açúcar: 40 g/litro – variedades: Verdejo (60%) e Riesling (40%) – preço: 21/22 euros – parte do mosto fermenta em barrica francesa – palha claro com reflexo esverdeado. Aberto nos aromas com geléia de damasco, leve balsâmico sobre uma notinha de favo de mel. Na boca é um vinho leve, macio, de bom frescor e razoável presença de fruta. A persistência é boa e o final delicado, limpo, sem arestas. Vinho para aperitivos e sobremesas não muito doces. Avaliação: 89/100 pts.

Corpus del Muni Vendimia Seleccionada Tempranillo 2011Vino de La Tierra de Castilla –  álcool: 14% - vermelho rubi intenso. Aromas frutados. Na boca taninos presentes de boa qualidade. Perfil expansivo, marcante. Acidez na medida. Perfil moderno com a fruta se destacando. Final redondo. Cresceu com tortilla. Avaliação: 87/100 pts.

Corpus del Muni Roble 2011 – Vino de La Tierra de Castilla – uvas: Tempranillo (80%), Syrah, Petit Verdot e Garnacha –  preço na origem: 5 – 6 euros – amadurecido por quatro meses em barrica de carvalho americano e francês. Aromas de frutas maduras,  toques vegetais sobre uma nota tostada. Na boca subimos mais um degrau. Taninos macios, finos, acidez salivante garantidora do ótimo frescor do vinho e de sua fluidez no paladar. Sabor condimentado, levemente picante garantidor da personalidade deste gostoso vinho, de final amplo e frutado. Avaliação: 89/100 pts. 

Este inusitado blend de Tempranillo, Garnacha, Syrah e Petit Verdot 2011 é um vinho fácil de beber, de boa complexidade e que chegará ao Brasil por bom preço!

Corpus del Muni “Lucía Selección” Crianza Tempranillo 2007 VDLTC - álcool: 14,5%  – vinho amadurecido em barrica de carvalho francês e americano durante 12 meses – preço na origem: 9 euros – vermelho rubi intenso com alguma profundidade. No olfato notas de especiarias sobre frutas negras. Na boca a sua entrada revela um vinho de grande expressão, concentrado, potente, de taninos presentes de boa textura, leve sobra álcool e boa integração entre madeira e fruta. Já agrada no momento, mas promete ganhar alguma complexidade na garrafa. Avaliação: 88/100 pts.+

Vinhos brancos das Bodegas del Muni

Corpus del Muni 2009 “Selección Especial” Tempranillo VDLTC – álcool: 14,8% – quase retinto na cor, fechado nos aromas com um leve toque de frutas vermelhas e negras, exibiu no paladar volumoso e concentrado, taninos “nervosos” de qualidade elevada, acidez igualmente presente, fruta perceptível apesar da prevalência da madeira. Álcool generoso sem incomodar. Enfim, um vinho de personalidade que requer algum tempo na garrafa para mostrar todas suas virtudes, que não são poucas. Avaliação: 88/100 pts.+

Muni “amostra de barrica” 2011 – o vinho “top” da bodega, estagiado em barricas francesas novas, exibiu cor retinta, aromas complexos com frutas negras, café torrado sobre uma nota defumada bem definida. Na boca taninos presentes e volumosos de ótima qualidade. Concentrado revelou camadas sobre camadas de fruta e madeira formando um conjunto típico, sofisticado e imponente. Profundo, este vinho, salvo melhor juízo, está praticamente “pronto” para ser engarrafado. Avaliação: 90/100 pts.++

Pontuações:

Corpus del Muni. Roble 2001 88/100 pts. Robert Parker 2003.
Corpus del Muni. Roble 2004 90/100 pts. Robert Parker 2007.
Corpus del Muni. Lucía Selección (crianza) 2001 Gold Bacchus.

Corpus del Muni. Lucía Selección (crianza) 2001

Gold in Concours Mondial de Bruxelles.

Corpus del Muni. Roble 2004 Bronze Baco by Unión de Catadores.
Corpus del Muni. Roble 2001 86 points Guía Peñín
Corpus del Muni. Roble 2004 90/100  pts. Vivir el Vino.
Corpus del Muni. Lucía Selección (crianza) 2004 90/100 pts. Vivir el Vino.

 

Visita aos vinhedos orgânicos Emiliana no Chile

A seguir, fotos enviadas pelo leitor André Alves e esposa que recentemente visitaram a Vinícola Emiliana (mês de novembro de 2012), conheceram os vinhedos, método de produção orgânico e degustaram azeites e  mel orgânicos. Os vinhos degustados são os constantes das fotos a seguir. O importador oficial no Brasil é a La Pastina.

Sobre  a Emiliana

A visita à propriedade de Los Robles da Emiliana Orgánico não serve apenas para degustar vinhos. Ali se encontram animais, assiste-se ao preparo de medicamentos homeopáticos e aproveita-se a vitalidade de tudo. Mas quando você prova os vinhos, dificilmente irá se desapontar: trata-se de uma variedade excelente, desde o Adobe como entrada, passando pelo Novas até o ótimo Coyam e o denso G. Esta filial da vinícola Emiliana (que por sua vez é subsidiária da Concha y Toro) é um grande sucesso desde a inauguração em 1998 e agora conta com mais de 1.000 ha de vinhedos cultivados com métodos orgânicos e biodinâmicos. Fonte – O Grande Livro dos Vinhos – Publifolha – Edição 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conhecendo a região dos Vinhos Verdes – Quinta de Gomariz – segunda parte

A Quinta de Gomariz, sediada em Sequeirô – Santo Tirso, Sub-região do Vale do Ave,  foi a última vinícola a ser visitada no dia 21.11.2012. A seguir a descrição dos vinhos degustados sob a liderança do Gerente de Exportações da vinícola, Vitor Mendes.

Quinta de Gomariz – características do terroir

A região é um vasto anfiteatro que, da orla marítima, se eleva gradualmente para o interior, expondo toda a zona à influência do oceano Atlântico, fenômeno reforçado pela orientação dos vales dos principais rios, que correndo de nascente para poente facilitam a penetração dos ventos marítimos, os quais trazem muita umidade e chuva (até 1.500mm/ano em geral, 800mm/ano na sub-região de Monção). As temperaturas mais altas coincidem, durante o ano, com as precipitações mais baixas – final da primavera e verão quentes e secos – e as temperaturas mais baixas com as precipitações mais altas – invernos frios e chuvosos. Na Quinta de Gomariz o solo granítico, com baixa fertilidade e pouca profundidade. Presença também de pedras roladas. Vinhedo em encosta sul-poente.

 Vinho Verde Branco Quinta de Gomariz Grande Escolha 2011 – álcool: 11,5% – uvas: Alvarinho, Loureiro e Trajadura - palha claro. Aromas florais e frutados. Na boca corpo pleno, leve agulha, bom frescor, sugestão de fruta de polpa branca (pêssego) num final marcante e equilibrado.

A Quinta de Gomariz impressionou por sua limpeza e organização

Vinho Verde Branco Quinta de Gomariz Loureiro Colheita Selecionada 2011 – álcool: 11,5% - palha claro com reflexo esverdeado. Aromas complexos com toques florais (jasmim), frutas cítricas sobre uma nota mineral, confirmada no paladar de acidez na medida certa sem subjugar a fruta. Expansivo, longo é um vinho consensual, fácil de beber, fácil de gostar. 

Vinho Regional Minho Quinta de Gomariz Alvarinho 2011 – álcool: 12,5% – palha brilhante. Nariz de perfil elegante com notas de frutas tropicais como maracujá, melão sobre favo de mel. Na boca sua entrada revela um vinho equilibrado, fresco, intenso, complexo e sua acidez pede comida. Um belo exemplar da casta. 

Vinho Verde Branco Quinta de Gomariz Avesso 2011 – álcool: 12% - palha claro brilhante quase translúcido. Aromas frutados com sugestões de lichia e pêra. Na boca acidez delicada, confirmação dos aromas, acento mineral e bom equilíbrio gustativo com destaque para seu frescor aportado por sua acidez correta. Termina suave e macio.  

Vinho Verde Rosé Quinta de Gomariz Espadeiro 2011 – álcool: 11,5% - atraente cor tangerina brilhante. Aromas abertos com toques cítricos com boa expressão na taça. Na boca é um rosé estruturado, vivaz, acídulo e frutado. Seu final é macio e aveludado, sem doçura exagerada.

Os rosés da Quinta de Gomariz são exemplares.

Vinho Verde Rosé Quinta de Gomariz Padeiro 2011 - álcool: 12% - a cor é idêntica à do vinho anterior. Nos aromas fruta doce a lembrar geléia de morango sobre uma nota mineral. Na boca tem menos acidez e frescor compensados por alguma untuosidade e densidade. Um vinho de sabor peculiar bastante agradável. Deve crescer à mesa. 

 

 

Rosé da variedade Espadeiro com “Francesinha”, uma boa combinação!

 Conclusão

A Quinta de Gomariz causou boa impressão desde o primeiro momento.  A sala de vinificação estava rigorosamente limpa e organizada, para que o leitor possa ter idéia do que presenciamos basta olhar para a terceira fotografia de cima para baixo, que revela o quão interessante se torna visitar essa vinícola. E, como é de se supor, os vinhos não decepcionaram. O portfólio impressiona por sua homogeneidade e consistência. São vinhos macios, frescos, de acidez intensa sem agredir o paladar. Alguns são bons para refeições leves, outros são mais sérios (Alvarinho p. ex.). Os rosés também são incisivos, gastronômicos  e bem feitos. Esses vinhos têm sua qualidade reconhecida internacionalmente e no Brasil podem ser encontrados com facilidade na importadora Decanter. São uma ótima opção para o Verão brasileiro, que recomenda refeições descomplicadas.