Category Archives: Vinho avaliado

Harmonia na taça: Cinco Tierras Malbec Clasico 2005

A Bodega Cinco Tierras está estabelecida na província de Mendoza desde o ano 2000, distrito de Vistalba,  a 1070 metros de altitude e pertence ao casal Rubén Banfi e Marie Geneviéve. São plantadas Malbec, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot localizadas em Agrelo e Luján de Cuyo.  A Torrontés vem de Cafayate, Salta, noroeste da Argentina. A produção total é de 160 mil garrafas-ano, das quais 10 mil são dos vinhos categoria “Reserva” e 40 mil da categoria “Clásico”. O restante da produção é destinado a sua segunda marca, Sorbus, vinhos jovens e que respeitam o caráter varietal de cada cepa. São rótulos mais acessíveis para o mercado local.  

Degustação

Cinco Tierras Malbec Clasico 2005 – álcool: 13,9% – região: Mendoza – preço: R$ 39 – Importador: MS Import – amadurecido durante 8 meses em barrica de carvalho francês (segundo uso  e  terceiro uso). Exibiu cor vermelho rubi com reflexo violáceo e halo granada em formação. Aromas terrosos, leve nota vegetal, fruta madura sobre uma ponta de caramelo. Na boca exibiu taninos redondos, macios e de boa textura. Perfeita sintonia entre álcool, acidez, fruta e madeira resultando num conjunto harmônico e equilibrado. De média persistência, termina redondo, sem arestas. Cresceu à mesa. Avaliação: 87/100 pts.

Notas de degustação do Waterstone Napa Valley Cabernet Sauvignon 2006

Numa época de propriedades de milhões de dólares e de  enólogos que são verdadeiras celebridades, quando parece que o apoio financeiro substituiu a habilidade como a chave para o sucesso  na enologia, é raro que uma idéia simples pode dar origem a vinhos que se destacam no seu sabor e equilíbrio. A colaboração entre o veterano produtor Philip Zorn e o antigo executivo de vinhos Brent Shortridge,  originou a criação da Waterstone Winery  no ano 2000, quando esses dois homens  descobriram um interesse comum na elaboração de vinhos de luxo por preços acessíveis. Reunindo suas relações previamente estabelecidas com os viticultores e produtores de Napa Valley, a dupla começou a desenvolver vinhos equilibrados de caráter varietal através de escolhas inteligentes. Preferindo concentrar-se sobre o vinho em si e não sobre a propriedade e respectivas instalações, Zorn e Shortridge não possuem vinhedos próprios e nem o  local onde os  vinhos são elaborados lhes pertencem. Vinificação cuidadosa, forte relacionamento com os produtores “top”, contratos de longo prazo na aquisição de uvas   são as chaves do sucesso e da qualidade dos vinhos Waterstone. 

 

A safra 2006

Com exceção de um dramático aumento de calor no mês de julho, a safra de 2006 foi marcada pelos crescentes superlativos. A temporada relativamente fria,  incluiu um dos melhores setembros dos últimos anos e levou a uma colheita estendida que permitiu o desenvolvimento de sabores complexos. Esse clima ideal persistiu durante toda colheita  permitindo também o surgimento de excelente teor de açúcar e de ácidez equilibrada.

 

 

 

Vinhedos
As uvas para elaboração deste vinho foram selecionadas de diversos vinhedos de Carneros, Distrito de Napa Valley. Essa região é conhecida por seu clima frio, baixos rendimentos  e os solos são compostos de rochas e cinzas vulcânicas.

 

 

Amadurecimento

O vinho foi amadurecido em pequenas barricas de carvalho francês durante 12 meses. Apenas 35% das barricas são novas, utilizadas para privilegiar a fruta com apenas um toque de carvalho tostado. O restante são barricas  de 2° e 3° usos. Antes de ser engarrafado, o vinho passa por uma filtração mínima.

 

 

Notas de degustação do enólogo

“This supple, elegant Cabernet Sauvignon offers a rich array of cherry currant, blackberry, cedar and chocolate notes. An undertone of French oak and silky tannins creates a well-balanced wine and long finish”.

 

 

 

Degustação

Waterstone Napa Valley Cabernet Sauvignon 2006 – álcool: 14,5% – uvas: Cabernet Sauvignon (87%), Merlot (12%) e Cabernet Franc (1%) – onde comprar: tels. (11) 5531-0081 / 8439-3392 ou contato@winelovers.com.br - vermelho rubi limpido com halo granada em formação nas bordas. Aromas intensos e complexos com especiarias, algum mineral sobre uma nota de bala toffee. Na boca um degrau a mais. Taninos polidos, acidez, álcool, fruta e madeira em  sintonia, confirmação das notas  olfativas num estilo corpulento e elegante. O acento mineral é um de seus destaques, média/longa persistência num  final maduro e redondo. Está no auge e permanecerá assim por mais algum tempo com a possibilidade de apresentar alguma evolução. À cegas poderá ser facilmente confundido com um vinho do Velho Continente. Avaliação: 88/100 pts.

O longevo Lindemans Pyrus 1998

Lindeman’s é uma das vinícolas mais antigas da Austrália, fundada pelo médico inglês Dr. Henry J. Lindeman em 1843, que tinha por fundamento o seguinte pensamento: “O único propósito do vinho é trazer felicidade”. Essa marca tornou-se mundialmente famosa por produzir vinhos de relação qualidade-preço, sendo um dos australianos favoritos dos americanos. Destaque para a linha BIN, com bons varietais de Chardonnay, Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon e Shiraz. Lindemans Pyrus 1998 é um corte bordalês elaborado na Austrália com as uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. 

 

 

 

Lindemans Pyrus 1998 – uvas: Cabernet Sauvignon (67.5%), Merlot (25.3%) e Cabernet Franc (7.2%) – álcool: 13,3% – região:  Limestone Coast, Coonawarra – preço: R$ 220 – importador: Expand – Vinho amdurecido durante 17 meses em barrica de carvalho francês (85% novas; 15% barricas de um ano de uso). Vermelho rubi intenso com reflexo acastanhado. No nariz exalou armas adocicados com notas de frutas de caroço, chocolate e especiarias. Na boca é um vinho de  grande concentração, encorpado, longo, intenso, que reflete a safra excepcional em Coonawarra. Notas de alcaçuz e sabores frutados completam o conjunto que exibiu taninos macios. Avaliação: 89/100 pts.

Fácil de beber – Primitivo di Manduria Lucarelli 2008

A Cantina Feudi di San Marzano na Puglia é o mais recente projeto de Valentino Sciotti que é um homem de visão. No caso dessa propriedade a história é simples: ele a encontrou por acaso, viu o seu grande potencial e logo a comprou. Com pequenas mudanças na adega e com ajuda do brilahnte Mário Ercolino, como enólogo-chefe, atualmente produzem vinhos modernos com notável expressão. Fonte: Catálogo da Casa Flora.

 

Primitivo di Manduria Lucarelli 2008 – álcool: 14,5% – região: Puglia/San Marzano - importador: Casa Flora – Preço: R$ 129,18    – vermelho rubi intenso, profundo sem halo de evolução. Aromas complexos com especiarias (noz moscada), geléia de frutas negras sobre um fundo defumado. Na boca taninos adocicados, notas crocantes, boa concentração de sabor, acidez na medida e álcool integrado. Marcante, intenso, deixa uma nota de chocolate no fim-de-boca. Vinho guloso, fácil de gostar. Avaliação: 89/100 pts.

Canforrales Selección Campos Reales Tempranillo 2009

Quatro são os valores das Bodegas Campos Reales: natureza, tecnologia, tradição  e pessoas. A região produtora goza de larga tradição vinícola e essa bodega  a conserva porque sabe o que não deve ser mudado; a colheita é feita à mão; valoriza-se as variedades autóctones e os vinhos são amadurecidos em barrica de carvalho são algumas das premissas seguidas pela Campos Reales. 

 

A Espanha  possui uma tradição histórica na produção de vinhos, tendo sido esta praticamente a única forma de cultivo que resisitiu às devastações provocadas pela luta entre muçulmanos e cristãos, que só terminou em 1.492. Atualmente, é o país com maior área plantada com vinhedos do mundo. Seu modelo de classificação segue o modelo adotado pela União Européia, com quatro classificações principais: DOC – Denominación de Origen Calificada, DO – Denominación de Origen, Vino de la Tierra e Vino de Mesa. Para os DOC e os DO ainda há os termos Crianza, Reserva e Gran Reserva. 

Um bom exemplar de Tempranillo da DO La Mancha. Custa R$ 59 na Almería.

  

Sobre  a DO La Mancha

Essa DO integra a ampla região a sul-sudoeste de Madrid denominada Castilla-La Mancha e tem enorme potencial. São produzidos grandes volumes de vinhos e  La Mancha e Valdepeñas se destacam qualitativamente. No passado, La Mancha era considerada fonte de vinho barato, mas o baixo valor das terras nos anos 70 atraiu  grandes investimentos. A área ainda produz  vinhos simples e acessíveis, porém, várias bodegas  têm apresentado rótulos superlativos. A principal cepa é a Tempranillo (ali chamada de Cencibel), que é condimentada, rica e lembra frutas de clima quente. Adicionando-se Cabernet Sauvignon, Merlot  ou mesmo Syrah, teremos  vinhos mais complexos amadurecidos em tóneis de carvalho. Também são cultivadas as uvas autóctones Garnacha Tintorera, Monastrell, Moravia e Bobal. Na ala das brancas  Airén, Macabeo e as francesas Sauvignon Blanc e Chardonnay. A maioria das vinícolas produz vinhos de preços muito baixos com alta tecnologia, portanto, basta ficar de olho nos bons produtores dessa região. 

 

 

Degustação

Canforrales Selección DO La Mancha 2009 – álcool: 13,5% – região: El Provencio/Cuenca – uva: Tempranillo – importador : Almería – preço: R$ 68 – vermelho rubi intenso, concentrado, com alguma profundidade. Aromas abertos com notas balsâmicas, geléia de frutas vermelhas, algum mineral sobre notas defumadas. Na boca a sua entrada revela um vinho de taninos presentes (boa qualidade), acidez média, madeira presente sem no entanto ofuscar a fruta, álcool generoso, razoavelmente equilibrado e persistente. Além da tipicidade, tem condições de afinar na garrafa por mais algum tempo. Avaliação: 87,5/100 pts.+

Casa Miriam Unoaked Cabernet Sauvignon-Syrah 2011

 
Ao criar a vinícola Casa Miriam, Mariano di Paola buscou elaborar vinhos de caráter gentil e acolhedor, que agradasse desde o dia-a-dia até os grandes momentos. Seu staff logo sugeriu que o nome deveria homenagear Miriam, sua esposa e fonte de inspiração para toda a equipe por sua personalidade ho­nesta, gentil e sua forma de tão bem receber a todos. Um dos grandes enólogos argen­tinos da atualidade, Mariano di Paola é titular da cadeira de Eno­logia da Universidade Don Bosco de Mendoza. Em parceria com o enólogo Pepe Galante criou o Mapema – um dos mais reconhe­cidos vinhos argentinos da atu­alidade -  e desde 1995 foi sele­cionado por Nicolás Catena para ser o responsável pelos vinhos da Bodega La Rural – Rutini.  Importador: Ana Import 
 

Boa tipicidade por menos de R$ 30,00

 

Degustação

Casa Miriam Cabernet Sauvignon-Syrah 2011  – álcool: 13% – região: Mendoza/Tupungato – preço: R$ 27,50importador: Ana ImportAnálise organoléptica: vermelho rubi intenso com alguma profundidade, reflexo violáceo . Aromas frutados (cereja e ameixa) sobre um fundo levemente picante. Na boca macios (boa qualidade), acidez mediana, boa concentração de sabor sem sofisticação ou grande complexidade. É, sobretudo, um vinho bem feito, fresco, equilibrado e de final sem arestas. Muito boa relação preço-qualidade. Avaliação: 86/100 pts.+

Fabre Montmayou Malbec Reserva 2009 – garrafa magnum

Fabre Montmayou Malbec Reserva 2009, vinho elaborado mediante a consultoria do enólogo português Rui Reguinga,  um Malbec que sempre se destacou por sua elegância e equilíbrio gustativo. Velho conhecido nosso, desde os tempos que era importado pela extinta “Saveurs de France”, do franco-brasileiro José Osvaldo Brito de Rezende, na década de 1990. Tem a cor típica da casta, que na sua essência é tintureira. Os aromas misturam ameixas, chocolate e baunilha. Na boca taninos de bom calibre, acidez compatível e frutado evidente.  Sedoso, termina suave e elegante. Argentino de nascença, francês na elegância e muito apreciado pelos brasileiros.  O exemplar deste post era uma magnum (foto abaixo, custa pouco mais de R$ 100), que exibiu um gostoso frescor e por isso foi degustado sem parcimônia numa festa de aniversário. Importado por Expand. Avaliação: 88/100 pts.

 

 

Marqués de La Villa Roble DOC Toro 2009

O sucesso dos novos vinhos da DO Toro parte, precisamente, do excelente comportamento da Tinta de Toro. Bastou um tratamento mais racional do vinhedo, buscando produções curtas, para que a Tinta de Toro oferecesse melhores contribuições, resultando em vinhos de cor intensa, encrpados, muito aromáticos, potentes  e elegantes, entre outras características. Vinhos de guarda, feitos para prolongar sua vida enquanto ganham sutileza e elegância.

Ocasionalmente  uva Garnacha pode complementar a Tinta de Toro, mas os grandes vinhos da região são, sem exceção, varietais dessa uva que é um clone da Tempranillo. Fonte: Cozinha País a País da Folha de S. Paulo  – Vinhos.  Provamos o exemplar abaixo por sugestão da Angela  Coelho, da Vino Mundi, uma sortida loja de vinho que fica no Itaim-Bibi. E gostamos!

 

Finca Constancia Altozano Tempranillo – Vino de La Tierra de Castilla 2010

A Finca Constancia, uma das mais jovens vinícolas do Grupo Gonzáles Byass, é importado pela Inovini. A Finca Constancia se constitui num dos mais importantes projetos dos últimos anos do grupo retrocitado. Localizada na província de Toledo, região de Castilla La Mancha, três de seus vinhos serão  importados com exclusividade pela Inovini, divisão de vinhos da importadora Aurora. São eles: Finca Constancia Altozano Verdejo-Sauvignon Blanc V.T. Castilla 2010 (R$ 39), Finca Constancia V.T Castilla 2008 (R$ 65) e Finca Constancia Altozano Tempranillo V.T. Castilla 2010 (R$ 39). 

 Degustação

Finca Constancia Altozano Tempranillo – Vino de La Tierra de Castilla 2010 – álcool: 13,5% – importador: Inovini – preço: R$ 39 – vermelho rubi intenso de média profundidade. Aromas frutados com enfase ns frutas vermelhas e pretas sobre uma nota de geléia. Na boca exibiu taninos doces, de qualidade muito boa e álcool, acidez e madeira (três meses em barricas francesas e americanas) em plena sintonia. No fim-de-boca subscreveu as sensações iniciais. Boa relação preço-qualidade. Avaliação: 87/100 pts. 

Dois Vales, um duriense da Almería

A paisagem do Douro é uma das mais bonitas do mundo vinícola. Ao longo do tempo, o Rio Douro e seus afluentes escavaram sua passagem por vales profundos e escarpados. Para cultivar a vinha nesta região ingreme, os portugueses tiveram que quebrar a pedra a mão e construir terraços, os socalcos, que vistos de longe parecem escadarias gigantescas. Cada socalco era sustentado  por um muro de pedra. O antigo sistema de plantio não permitia a mecanização. Por isso todas as operações eram feitas à mão. Na colheita, as mulheres colhiam os cachos e enchiam os cestos de vime.  Esses cestos pesavam cerca de 60 kg e eram transportados montanha abaixo pelos homens  sob um sol de 40°C. Somente os anos 1970 alguns terraços começaram a ser reconstruídos. Formam patamares, sem os muros de arrimo, e permitem a entrada de pequenos tratores.” – Fonte: Adega Veja Vinhos do Mundo – Vol. 10  

Dois Vales – álcool: 13% – região: Douro – preço: R$ 60 – importador: Almería - telefone +55 11 3492.3204Vermelho rubi de média intensidade. Nariz simples com notas herbáceas sobre um fundo levemente terroso. Na boca é um vinho redondo, de taninos macios, boa fruta e de média/curta persistência. Avaliação: 85/100 pts.