Dando sequência  às comemorações relativas ao mês do Vinho do Chile, a seguir matéria completa sobre uma degustação vertical de um dos mais antigos vinhos ícones chilenos: “Le Dix de Los Vascos”, Cabernet Sauvignon famoso por seu estilo clássico e longevo.

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Sobre a Viña Los Vascos –

Em 1750, a família de origem basca Echenique planta suas primeiras videiras no Vale de Colchágua. No século XIX, a vinícola foi uma das pioneiras no processo de modernização inspirado no modelo francês. Em 1850, foram plantadas as primeiras variedades francesas e, em 1877, impulsionada pela filoxera, inicia-se a exportação para Europa. Alvo do movimento de reforma agrária  iniciado em 1970, só em meados dos anos 70 consegue recomprar as terras desapropriadas. Em 1981, a propriedade é batizada com o nome de Los Vascos em homenagem a um de seus fundadores. Em 1988, a propriedade é adquirida pelo famoso Domaines Barons de Rothschild (Lafite) dando início a profundos investimentos financeiros e tecnológicos na vinícola e nos vinhedos, que concluíram-se com a construção de uma bela casa de hóspedes em arquitetura tradicional chilena. Hoje Los Vascos conta com 580 hectares de vinhedos numa propriedade de 3.600 hectares, com plantação de diversas variedades internacionais, com destaque para a Cabernet Sauvignon.

Le Dix

Degustação Vertical 
Le Dix de Los Vascos – variedade: Cabernet Sauvignon – região: Vale de Rapel/Colchágua – importador: Inovini – as uvas para este vinho são originárias de vinhedos de 70 anos de idade  situadas na parcela conhecida como “Los Frailes”. Amadurece em barricas novas de carvalho francês durante dezoito meses. O serviço do vinho ficou por conta do hábil Sommelier da Rede Oba, Ricardo Custódio e os degustadores foram os confrades da Confraria do Balde Seco.2015-09-11 20.31.19

Vertical de Los Vascos safras 03, 04, 05 e 08 – o Le Dix foi um dos primeiros grandes tintos de Colchágua, segundo vale chileno mais importante. Tal como o Château Lafite, é um tinto que tem o protagonismo da Cabernet Sauvignon, que lhe confere um estilo clássico e longevo. Vamos ao resultado da vertical. Na degustação, o primeiro vinho a ser aberto foi o Grande Reserve 2003,  que é amadurecido durante doze meses em barrica de carvalho francês. Exibiu aromas típicos da variedade com notas condimentadas sobre ligeiro tostado. Na boca, surpreendeu por sua finesse e tipicidade, ressentindo-se de volume e persistência se comparado aos Le Dix (89/100). O 2003 exibiu cor intensa, profunda, aromas clássicos de um Cabernet de evoluído. Na boca sua entrada revelou um tinto muito macio, encorpado, com vida pela frente sem denunciar o peso de doze anos! (89-90/100). O 2004 exibiu cor brilhante com reflexo alaranjado. Aromas de licor de cassis e leve fruta em compota, taninos presentes de boa qualidade, madeira presente e média/longa persistência, com ligeira rusticidade final (88/100). O 2006 se comportou exemplarmente na taça. Cor brilhante, translúcida sem halo de envelhecimento. Muita cereja e creme de cassis confirmados no paladar fresco e frutado, demonstrando equilíbrio entre fruta e madeira. Fresco, de acidez equilibrada foi o vinho de melhor fluidez no paladar. Não parece um vinho de nove anos! Na degustação ficou bem evidente a diferença de estilos dos exemplares mais novos em relação aos mais velhos. Os primeiros são mais austeros com a madeira parente. Já os mais novos têm estilo mais fresco, com a fruta bem evidente e a madeira desempenhando secundário (91/100). Já o 2008, exibiu estilo próximo do 2006, equilibrado, com aromas balsâmicos, frutado e de taninos macios e ótima persistência gustativa (90/100 pts.). O álcool na casa dos 14% se mostrou integrado em todos exemplares. Mas uma característica do Le Dix foi confirmada: é um vinho longevo que tem só a ganhar com o envelhecimento na garrafa.

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O Le Dix 2004 obteve 91/100 pts. da Wine & Spirits (06/2008) e 87/100 pts. da Wine Spectator.

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