Algumas linhas sobre  Maremma, Sul da Toscana, terroir do Querciolaia

Antigo território Etrusco. Cortada pelo Rio Arno, está a 200 km de Florença, 60 km de Siena e meia hora de Pisa. Maremma é o nome recebido pelas planícies costeiras da Província de Grosseto, mas o termo foi estendido aos distritos vinicultores de toda costa sudoeste e das colinas próximas do interior – apelidada como “Califórnia italiana”. Como o próprio nome faz alusão, Maremma está próxima do mar, com planícies e montanhas. Atraídos pelas condições propícias a vinhos de qualidade em quantidades comerciais, muitos grandes nomes da Toscana (e outros mais distantes) apostaram na área nos últimos anos. Morelino di Scansano é a DOC tradicional baseada na uva Sangiovese (aqui denominada Morelino) e produz vinhos tintos com sabor de ameixa e toques mediterrâneos de especiarias e tabaco que não pedem muito envelhecimento. Nessa região, as principais uvas cultivadas são Morelino (Sangiovese), Cabernet Sauvignon, Merlot e Alicante. Nas brancas a Trebbiano desponta.

Agora vem a dica de harmonização: Querciolaia Alicante 2005  com escalopinho de filet mignon  do Zeffiro (custa menos de R$ 60), restaurante italiano de inspiração Toscana, estabelecido na Rua Frei Caneca 669,  Consolação, telefone: (11) 3259-0932, São Paulo, SP.

Querciolaia 2005 – um supertoscano delicioso que cresceu à mesa

 

Sobre a Fattoria Mantellassi: Labor Omnia Vincit

A Fattoria Mantellassi completou 50 anos de existência no último dia 7 de maio e possui 60 hectares de vinhas. Em Maremma é considerada uma referência, eis que seus vinhos já chegaram ao patamar de 90/100 pts. da Wine Spectator: Le Sentinelle Riserva 2004 e Querciolaia 2001. O Le Sentinelle 2005 atingiu 92/100 pts. Ézio Mantellassi, morto em 2003, é apontado como homem que construiu uma marca admirada no mundo inteiro e também deve ser visto como homem que tornou o tinto Morelino di Scansano (como supramencionado, em Maremma a Sangiovese é conhecida por Morelino e Scansano é o nome da minúscula cidade cercada de vinhedos por todos os lados) conhecido internacionalmente, facilitando muito a vida dos vizinhos concorrentes que aproveitaram essa oportunidade criada por Ézio Mantellassi, que também se empenhou para a criação dessa importante DOC, instituída em 1978. Por isso, ficou conhecido como “Embaixador do Morelino di Scansano”. Por fim, Ézio tinha por lema a máxima “Labor Omnia Vincit que significa “Trabalho Vence Tudo”. Na região, o solo é vulcânico, os vinhedos são bem cuidados, modernos sistemas de fermentação são utilizados, tudo isso concorre para o prestígio da Mantellassi, eis que a sua fama começou com a inevitável comparação de seus vinhos com os Chiantis e Brunellos da Toscana. E qual o resultado? O Morelino era um vinho mais macio e frutado do que seus congêneres, com deliciosos aromas de café, chocolate, cerejas confitadas, sugestões de baunilha e de alcaçuz com um harmonioso final seco e torrado. Mais à frente, Ézio diversificou as castas, para além da Canaiolo Nero. As cepas Ciliegiolo Colorino, Cabernet Sauvignon, Merlot foram incluídas porque são admitidas na DOC Morellino di Scansano. Outra uva que também se destacou na região foi a Alicante, trazida da Espanha no distante século XVI (a Coroa espanhola governou extensas regiões da Itália no período de 1525 a 1729. Nessa época, os peregrinos que viajavam para Roma trocavam sementes e ramos de videiras espanholas por comida. Essa é uma das teorias existentes para justificar a existência de Tempranillo e Alicante na Toscana, por exemplo) e presente na maior parte dos rótulos da Fattoria Mantellassi, que atualmente está sob o comando enológico de Marco Stefanini.

 Finalmente, o vinho na harmonização 

 

Degustação –

Querciolaia “Supertoscano” IGT 2005 – Variedade: Alicante – álcool: 14,5% álcool – preço: R$ 165,00 –  Vermelho-rubi violáceo intenso com profundidade. No nariz é um vinho bastante complexo, com notas de musgo, folhas de tabaco, algo terroso sobre um fundo mineral. Na boca subscreve o olfato com paladar intenso, taninos bem vivos de ótima qualidade, fruta e madeira integradas, acidez equilibrada. Vinho largo, forte e profundo. A força de seus taninos não incomodou nenhum um pouco, eis que na harmonização o vinho brilhou da mesma forma que o prato, porque os taninos vivos porém macios combinaram com a maciez do filet mignon. Aqui a harmonização se deu  por similaridade ou aproximação, com o vinho suportando o molho do escalope e a acidez fazendo sua parte. O vinho auxiliou no prolongamento dos sabores do prato e o resultado muito bom.  É sempre bom lembrar que “Taninos pedem suculência para umidecer o palato, por isso que “carne vermelha pede vinho tinto”. Pratos untuosos reivindicam potência ácida (ou até efervescência) e adstringência tânica para se harmonizar, isto é, pratos com alto nível de sabores pedem vinhos encorpados, de igual porte”. Fonte: A Harmonização do Vinho – Coleção Folha o Mundo do Vinho –  Avaliação do vinho na harmonização: 90/100 pts.

Crédito da imagem: ilustração acima de Marcelo Tolentino publicada no portal bebericando.com.br

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